Enquanto o cinema brasileiro volta ao centro das atenções internacionais na semana do Oscar, cresce também o interesse por modelos alternativos de produção independente. Em um cenário sem grandes distribuidoras ou aportes milionários, a comunicação deixa de ser apenas ferramenta de divulgação e passa a atuar como estratégia de Produção Executiva, capaz de gerar resultados concretos antes mesmo do filme finalizado. O curta-metragem A Última Fita, dirigido por Caroline Adrielli e produzido pelo coletivo Sparkle, alcançou cerca de 2 milhões de pessoas com 12 inserções estratégicas na imprensa ainda na pré-produção, agregou aproximadamente R$20 mil em apoios conquistados via posicionamento e parcerias em redes sociais.
No modelo tradicional, a comunicação entra em cena quando o filme está pronto: criação de pôster, trailer e campanha de lançamento. No cinema independente, no entanto, esse fluxo vem sendo invertido. Branding, identidade visual, posicionamento estratégico, redes sociais com copy orientada a retenção e chamadas para ação (CTAs) passam a integrar a engrenagem produtiva desde a pré-produção.
“A comunicação digital faz parte do cotidiano de qualquer pessoa e, hoje, também faz parte da produção do cinema independente. Engajar nas redes cria confiança, que gera comunidade e vínculo, se transformando em apoio, tanto em engajamento quanto financeiramente. Quando o público acompanha o processo, ele passa a investir na história e a se sentir parte dela, não só no filme. Por isso, a comunicação digital se torna essencial para viabilizar esses projetos”, afirma Ricardo Pinheiro, estrategista de marketing do projeto.
Filme tratado como marca
No caso de A Última Fita, essa estratégia resultou em parcerias e apoios relevantes ainda na pré-produção. Profissionais do mercado, como compositor musical e maquiadora especializada em efeitos práticos, além da empresa Naymovie para locação de equipamentos, aderiram ao projeto a partir da consolidação da presença digital e do posicionamento estratégico.
Para Caroline Adrielli, diretora do projeto, a estratégia impactou diretamente o nível da produção. “Estamos experienciando uma mudança estrutural no papel da comunicação no audiovisual independente. Nesse contexto, o filme é tratado como marca e mais do que divulgar um filme pronto, a equipe de marketing e PR passa a atuar como braço estratégico da Produção desde o início, influenciando diretamente na captação de recursos, percepção de valor e alcance de público. Em um cenário em que a atenção é disputada com grandes produções, para o cinema independente, comunicar deixou de ser a etapa final e passou a ser fundamento de viabilidade. Afinal, cinema é feito para ser visto, e a comunicação garante isso”, afirma.
A assessoria de imprensa também atuou antes do primeiro dia de set. Com 12 inserções estratégicas em veículos regionais e páginas nacionais especializadas em cinema, o projeto alcançou cerca de 2 milhões de pessoas. Esse movimento contribuiu para fortalecer a autoridade da produção e atrair apoios que, somados, agregaram aproximadamente R$20 mil em parcerias e colaborações. Além disso, a mobilização orgânica dos seguidores gerou apoio de R$1 mil ainda na fase de pré-produção.
Agora, após a construção de uma base engajada, o curta se prepara para lançar um crowdfunding para custear parte da pós-produção, que é 100% independente. “Quando o público se envolve, entende o processo e confia, o apoio financeiro acontece de forma muito mais natural. Engajar antes de pedir apoio cria vínculo. A comunidade passa a entender o valor do projeto, acompanha os bastidores e, quando o crowdfunding chega, ele deixa de ser um pedido e vira a continuação de algo que o público já faz parte”, complementa Pinheiro.
Além do estrategista, a equipe de comunicação é formada pelos designers Lucas Iorkovski e Larissa Melo, responsáveis por apoiar a construção de branding e identidade visual. O coletivo Sparkle, que assina a produção, tem como propósito integrar a comunicação no cinema desde a concepção das obras.