A popularização da inteligência artificial (IA) transformou a produção de conteúdo digital. Textos, roteiros, imagens e vídeos podem ser gerados em poucos segundos, mas junto com a facilidade veio uma nova questão, o público está saturado de conteúdos criados com IA?
Especialistas em comunicação digital apontam que o problema não está, necessariamente, na tecnologia, mas na forma como ela vem sendo utilizada.

Para Jennifer de Paula, MBA em Marketing e Negócios Interativos e diretora da IMF Press Global, a discussão precisa ser mais estratégica do que ideológica.
“O maior problema não é o uso da IA como um suporte na sua produção de conteúdo, é não ter estratégia e achar que ela irá conversar com seu público no seu lugar”, afirma.
Conteúdo sem identidade gera rejeição
Com a multiplicação de textos padronizados e posts genéricos, muitos usuários relatam a sensação de que “estão lendo sempre a mesma coisa”. A falta de identidade, opinião e posicionamento humano tem sido um dos principais pontos de crítica.
De acordo com Jennifer de Paula, a audiência atual está mais exigente.
“As pessoas querem conexão, repertório e autenticidade. Se o conteúdo não tem personalidade, ele se perde no meio do ruído digital. Isso não significa que o uso de IA deva ser descartado, mas que ela precisa estar integrada a uma estratégia clara de marca e comunicação”, explica.
Human Made não é anti-IA
O movimento “Human Made” surge como contraponto à produção automática em massa. A proposta não é rejeitar a tecnologia, mas valorizar o toque humano na curadoria, na análise crítica e na construção de narrativa.
“A IA pode acelerar processos, organizar ideias e otimizar tempo. Mas quem constrói relacionamento é a pessoa por trás da marca”.
“Conteúdo estratégico exige entendimento de público, tom de voz, contexto cultural e objetivos de negócio, algo que não pode ser delegado integralmente a uma ferramenta”, destaca Jennifer de Paula.
O risco da dependência total
Empresas e criadores que utilizam IA sem planejamento podem enfrentar queda de engajamento e perda de credibilidade. Conteúdos repetitivos, superficiais ou desconectados da realidade do público tendem a gerar menos interação.
“Quando a marca terceiriza totalmente a conversa para a tecnologia, ela abre mão da própria identidade. E identidade é o que diferencia no mercado”, afirma a especialista.
Estratégia antes da ferramenta
Para especialistas em marketing e comunicação digital, a sequência ideal é clara: primeiro definir posicionamento, público e objetivo. Depois, escolher as ferramentas que vão apoiar essa estratégia. Jennifer de Paula reforça que a IA deve ser vista como aliada.
“A tecnologia é suporte, um suporte importante, claro. Estratégia, visão e relacionamento continuam sendo humanos e a humanização é um diferencial muito forte”.