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O papel do planejamento familiar na equidade de gênero corporativa

Por Renata Seldin

Há décadas se fala sobre direitos iguais entre homens e mulheres no mercado de trabalho. Mas, embora os avanços sejam inegáveis, ainda há muito caminho pela frente em termos de acesso a cargos de liderança, remuneração, oportunidades de crescimento e reconhecimento profissional. 

Mesmo que se assuma, de forma falha, que homens e mulheres começam suas carreiras em pé de igualdade, a realidade mostra o contrário. A dupla jornada das mulheres, somada aos vieses da sociedade, cria trajetórias diferentes. 

A falta de representatividade em cargos executivos desestimula e até faz duvidar da capacidade feminina, enquanto aquelas que perseveram muitas vezes precisam se esforçar mais para se destacar. Além disso, comportamentos iguais podem ser avaliados de forma diferente: a assertividade masculina é vista como confiança e liderança, enquanto a feminina é arrogância ou grosseria; ambição em homens é visão estratégica, em mulheres pode parecer excesso ou insatisfação. 

Mulheres focadas na carreira enfrentam outro dilema: abrir mão ou adiar os planos de maternidade. Já se percebe uma mudança na sociedade, que coloca com menos pressão sobre a maternidade, impulsionada principalmente por uma maior autonomia financeira, objetivos de vida ampliados e possibilidades de crescimento profissional. 

Mesmo chegando ao topo, muitas sentem o peso de largadas atrasadas. Entre as 100 mulheres mais poderosas da Forbes, 80% tinham mais de 50 anos. Esse dado inspira, mas também revela que a carreira feminina ainda é marcada por pausas, desvios e adiamentos. 

Decidir sobre ter filhos vai muito além de genética ou idade, envolvendo prioridades, carreira, relacionamentos e desejos pessoais. Muitas mulheres lidam com informações confusas, medo e incerteza sobre congelamento de óvulos, além do custo elevado desse tratamento. Informar-se sobre congelamento de óvulos e optar por ele não significa necessariamente que a mulher terá o desejo ou será mãe no futuro, mas preserva seu direito de escolha por mais tempo. 

É claro que o ideal seria que as empresas oferecessem apoio, informações sobre planejamento familiar, licenças parentais ampliadas e programas de reintegração, garantindo flexibilidade, cultura inclusiva, desenvolvimento contínuo e benefícios de apoio à parentalidade. Mas, na maioria das vezes, não é o que acontece. 

Enquanto muitas dessas políticas ainda não saem do papel, é fundamental que as mulheres se informem e planejem suas carreiras considerando o planejamento familiar como parte de suas escolhas de vida. Isso porque a igualdade não é apenas chegar lá, é decidir quando e como chegar, sem abrir mão de quem se é ou do que se deseja. 

* Renata Seldin é doutora em Gestão da Inovação, com mais de 24 anos de experiência como executiva em consultoria de gestão. Autora de “As perdas no caminho: em busca de uma família”, ministra palestra sobre temas relacionados à igualdade de gênero no ambiente de trabalho e ao planejamento familiar. 

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As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva do autor e não refletem, necessariamente, o posicionamento editorial do site. Não nos responsabilizamos pelas informações, opiniões ou interpretações apresentadas no conteúdo publicado.

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