Tecnologia na área fiscal passa a influenciar a competitividade das empresas

A área fiscal deixou de ser apenas um centro de custos e passou a influenciar diretamente a competitividade das empresas. Organizações que estruturaram seus departamentos fiscais e tributários com apoio de tecnologia já começam a ampliar suas margens operacionais, ganhando previsibilidade financeira e fortalecendo sua posição no mercado. Além da redução de erros e retrabalho, a eficiência fiscal tem viabilizado decisões estratégicas mais precisas, simulações de cenários e crescimento sustentável. “A tecnologia transforma o ciclo fiscal em um ativo estratégico, capaz de impactar diretamente lucro, caixa e capacidade de investimento”, afirma Roberto De Lázari, diretor de parcerias estratégicas da All Tax. Segundo o executivo, o avanço tecnológico, somado à implementação da Reforma Tributária, torna a reestruturação da área fiscal um imperativo para a sobrevivência das empresas. “O fiscal deixa de ser reativo e passa a operar como um hub de governança e performance”, diz. Apesar da crescente digitalização dos negócios, muitas empresas ainda operam com processos fiscais manuais e fragmentados. De acordo com De Lázari, esse modelo consome cerca de 30% do tempo dos profissionais da área. “Processos manuais geram inconsistências, retrabalho e interpretações divergentes. O primeiro benefício concreto da tecnologia é a melhoria da qualidade dos dados, que são essenciais para uma operação fiscal eficiente”, afirma. Além da ineficiência operacional, a falta de automação reduz a visibilidade e a rastreabilidade, ampliando os riscos em um ambiente tributário complexo e volátil como o brasileiro. O resultado são disputas administrativas, judicialização e insegurança jurídica. No dia a dia, isso se traduz em mais horas dedicadas à burocracia. Dados do Banco Mundial indicam que empresas no Brasil gastam até 1.500 horas por ano com obrigações tributárias, enquanto, nos países da OCDE, a média é de 155,7 horas. A constante edição de normas e mudanças regulatórias agrava o cenário. Segundo De Lázari, a incapacidade de adaptação em tempo real eleva o risco de autuações, com multas que podem chegar a 150% do valor do imposto devido. Automação reduz erros e melhora o retorno financeiro Em contraste, sistemas automatizados que integram todo o ciclo fiscal, da captura de dados à entrega das obrigações, reduzem prazos de dias para minutos e aumentam significativamente a segurança das operações. “A automação elimina até 95% dos erros manuais e gera um ROI médio de 40% na redução do custo operacional anual”, afirma o executivo. A adoção de tecnologias inteligentes também ganha espaço no mercado. Pesquisa da KPMG, publicada em outubro de 2025, aponta que 60% das empresas brasileiras consideravam utilizar Inteligência Artificial Generativa em relatórios fiscais. Do total, 37% já haviam implementado ou testado IA para rastreamento de despesas e deduções, enquanto 22% usavam a tecnologia para monitoramento e conformidade regulatória. Esse movimento se intensifica com a chegada das chamadas Inteligências Artificiais autônomas, ou Agentic AI. Diferentemente das IAs tradicionais, baseadas em regras fixas, essas soluções detectam alterações legislativas em tempo real, atualizam regras fiscais automaticamente e executam apurações sem intervenção humana. “Essas tecnologias sinalizam exceções, corrigem inconsistências e escalam análises quando necessário, preservando governança, rastreabilidade e segurança jurídica”, explica De Lázari. Outro ganho relevante da automação fiscal é a capacidade de simular regimes tributários e projetar impactos antes da implementação de mudanças relevantes. Com base em dados reais, as empresas conseguem antecipar efeitos tributários em até 12 meses, aumentar em 30% a assertividade das decisões e reduzir riscos não mapeados. “Quando aplicada corretamente, a tecnologia transforma o fiscal em uma alavanca de negócio. Governança, precisão e controle passam a impactar diretamente o resultado financeiro”, afirma o executivo. Reforma Tributária acelera a transformação A Reforma Tributária reforça essa urgência. O novo modelo de IVA Dual, baseado em crédito e débito ao longo da cadeia produtiva, depende de dados confiáveis e validações digitais desde a origem das operações. Erros ou informações incorretas afetam diretamente o direito ao crédito tributário e, consequentemente, a margem e o caixa das empresas. “Na prática, o crédito passa a ser um elemento estrutural de margem e liquidez”, explica De Lázari. Segundo ele, empresas com governança de dados bem estruturada tendem a capturar mais créditos, com maior velocidade e menor risco. “Quem já é organizado transforma governança fiscal em retorno financeiro.” Nesta primeira fase da reforma, os novos tributos CBS e IBS ainda não serão efetivamente cobrados, mas já passarão a constar nos documentos fiscais. Para o executivo, 2026 será decisivo para a preparação das empresas. “A reforma premia quem controla dados e processos e penaliza quem opera no improviso”, conclui.

Reforma Tributária coloca área fiscal no centro do resultado financeiro das empresas

A Reforma Tributária já está em vigor e começa a produzir impactos concretos no dia a dia das empresas brasileiras, especialmente na área fiscal. Com a adoção do novo modelo, o departamento fiscal deixa de atuar apenas no encerramento dos processos e passa a influenciar diretamente o resultado financeiro dos negócios a partir de 2026. Isso ocorre porque o sistema tributário passa a depender fortemente de dados e validações digitais desde a origem das operações, como cadastro, contratos, pedidos, emissão de documentos e apuração. Informações incorretas ou incompletas podem gerar imposto errado, afetando diretamente o direito ao crédito tributário. “Com a reforma, a área fiscal deixa de ser apenas reativa e se torna um hub de governança e performance”, afirma Roberto De Lázari, diretor de parcerias e estratégias da All Tax. O modelo adotado com a reforma é o Imposto sobre Valor Agregado Dual (IVA Dual), composto pela Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), de âmbito federal, que substituirá PIS, Cofins e IPI, e pelo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), que entra no lugar do ICMS e do ISS, de competência de estados e municípios. O sistema permite que o imposto pago nas etapas anteriores da cadeia produtiva seja recuperado por meio do mecanismo de crédito e débito. “Na prática, o crédito deixa de ser uma oportunidade pontual e passa a ser um elemento estrutural de margem e caixa. O imposto pago nas aquisições compõe o crédito a ser apropriado, reduzindo o imposto devido nas etapas seguintes”, explica De Lázari. Na primeira fase da reforma, as empresas operarão simultaneamente os dois sistemas tributários, com IBS e CBS apenas destacados nos documentos fiscais, enquanto a arrecadação efetiva dos novos tributos ocorrerá em um momento posterior. Essa convivência exige adequações nos layouts fiscais, criação de novos campos, revisão de regras de destaque e motores de cálculo capazes de simular os novos tributos por tipo de operação, além de uma governança de dados muito mais rigorosa. Segundo o executivo, empresas que já contam com processos fiscais bem estruturados largam em vantagem. “Essas organizações conseguem capturar crédito com consistência, sustentar esse crédito com documentação e evidências e evitar perdas decorrentes de falhas de dados”, afirma. Além disso, companhias mais maduras têm a capacidade de reconciliar e auditar continuamente o que foi destacado nos documentos eletrônicos em relação ao que foi efetivamente apurado. “Isso reduz surpresas, disputas e protege o caixa. Quem já é organizado tende a aproveitar mais crédito, mais rápido e com menos risco, transformando governança fiscal em retorno financeiro”, destaca. Por outro lado, empresas com menor nível de organização fiscal enfrentam desafios significativos e correm o risco de pagar mais impostos do que o devido. Erros em cadastros de produtos, serviços, localidades ou estabelecimentos, bem como informações incompletas, podem impedir a geração correta de crédito e comprometer parte relevante do benefício do IVA. “Um dado errado ou incompleto vira imposto errado e impacta diretamente o direito ao crédito”, destaca De Lázari. Além disso, em 2027, terá início a Apuração Assistida, mecanismo pelo qual o governo apresentará às empresas o seu cálculo de apuração dos tributos. “Nesse contexto, dispor de um sistema estruturado e automatizado será essencial para auditar os valores apurados, validar premissas e bases de cálculo e subsidiar eventuais contestações e correções junto ao Fisco”, reforça. O impacto financeiro, entretanto, não é o único ponto de atenção, também há riscos operacionais. Inconsistências em documentos eletrônicos podem gerar rejeições, contingências, retrabalho e abrir espaço para questionamentos e penalidades em um ambiente cada vez mais digital e automatizado. Para De Lázari, 2026 será um ano decisivo de preparação. “O foco deve ser operar em modo duplo, colocando o ambiente em ordem para entrar em 2027 com o sistema tributário totalmente ajustado: regras parametrizadas, cadastros saneados, integrações funcionando e trilhas de evidência implantadas”, afirma. Segundo o executivo, a Reforma Tributária impacta todos os setores da economia, em maior ou menor grau. O diferencial competitivo, no entanto, será o nível de maturidade em dados, documentos e governança. “A reforma premia quem controla bem a cadeia e penaliza quem opera no improviso”, conclui.

O preço de tributar a inovação antes que ela exista

Por Prof. Dr. Marcelo Massarani Recentemente fui levado a revisitar um momento marcante da minha trajetória acadêmica e profissional, ao ver lembrados 30 anos de uma iniciativa que, à época, ainda era pouco comum no ambiente universitário brasileiro. Em 1995, começávamos a oferecer os primeiros cursos de empreendedorismo na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), de forma voluntária, em um esforço que viria a se consolidar como o Centro Minerva de Empreendedorismo. Tratava-se de um movimento pioneiro de aproximação entre engenharia, educação e atuação prática em inovação. Éramos um grupo pequeno, mas intenso em convicção, que mobilizou estudantes e professores para pensar de forma sistemática como transformar conhecimento técnico em iniciativas empreendedoras com impacto econômico e social.  Com o passar dos anos, esse movimento produziu resultados concretos, tanto na formação de pessoas quanto na criação de empresas e na disseminação de uma mentalidade de inovação aplicada à engenharia e à gestão tecnológica, além de alimentar redes de profissionais e instituições que seguem inspirando novas gerações. O sonho, ao menos o meu, era simples e ambicioso ao mesmo tempo: que, ao longo das décadas seguintes, surgissem no país startups de base tecnológica profunda (deep techs), capazes de competir internacionalmente e de ancorar um novo patamar de desenvolvimento. O contraste com a realidade atual é inevitável. Apesar do avanço na formação técnica e científica e do amadurecimento de parte do ecossistema empreendedor, o Brasil segue demonstrando enorme dificuldade em transformar esse potencial em um fluxo consistente de startups deep tech, capazes de atravessar o longo caminho entre a pesquisa e a indústria. E essa dificuldade não é fruto de escassez de talento ou de ambição, mas de um ambiente institucional que, ao longo do tempo, se mostrou pouco disposto a tolerar risco, tempo e aprendizado, sobretudo quando isso implica adiar a arrecadação. É importante esclarecer do que se fala quando se usa o termo startups deep tech. Trata-se de empresas cuja proposta de valor está ancorada em conhecimento científico ou tecnológico difícil de reproduzir. São negócios baseados em novos materiais, biotecnologia, energia, mobilidade avançada, manufatura de precisão, sistemas críticos, sensores, inteligência embarcada e processos industriais inovadores. As deep techs exigem ciclos longos de pesquisa, prototipagem, testes, certificações e capital intensivo antes de qualquer receita relevante. O aprendizado tecnológico, nesse caso, não é acessório. Ele é o próprio processo produtivo. Em países que compreenderam essa natureza, o desenho tributário acompanha essa lógica. Nos Estados Unidos, por exemplo, startups inovadoras podem utilizar créditos fiscais de pesquisa e desenvolvimento inclusive para compensar encargos sobre a folha de pagamento, mesmo operando sem lucro. Isso permite que recursos destinados à inovação retornem parcialmente ao caixa da empresa, alongando seu fôlego financeiro. Além disso, prejuízos acumulados podem ser compensados no futuro, de modo que a tributação efetiva só ocorre quando o sucesso econômico se materializa. Na França, o regime das jovens empresas inovadoras oferece isenções temporárias de imposto sobre lucro e de contribuições sociais incidentes sobre pesquisadores, além de créditos fiscais que devolvem em dinheiro uma parcela significativa dos gastos com pesquisa. O efeito prático é a redução drástica do custo da fase mais arriscada do empreendimento, justamente aquela em que o conhecimento ainda está sendo convertido em tecnologia aplicável. O Reino Unido adotou uma abordagem semelhante ao permitir que empresas inovadoras recuperem uma fração relevante de seus investimentos em pesquisa por meio de créditos fiscais reembolsáveis, mesmo quando não há imposto a pagar. Trata-se de um reconhecimento explícito de que a inovação profunda consome recursos antes de gerar resultados e que o Estado pode, de forma inteligente, compartilhar parte desse risco. Israel foi ainda mais direto ao longo de sua trajetória. Ao reduzir fortemente a tributação sobre receitas tecnológicas e oferecer incentivos claros a investidores que reinvestem em inovação, o país criou um ambiente em que o sucesso é tributado, mas a tentativa é protegida. A Coreia do Sul, por sua vez, combinou períodos de isenção de imposto para novas empresas com créditos fiscais elevados para pesquisa em áreas estratégicas, integrando política tributária e política industrial de maneira explícita. Em todos esses casos, a mensagem institucional é clara. Inovar é arriscado, leva tempo e custa caro. Por isso, o sistema tributário deve incidir com maior peso sobre o resultado e com menor intensidade sobre o caminho até ele. Essa escolha não reduz a arrecadação no longo prazo, mas a adia e a torna mais sustentável. No Brasil, a lógica é inversa. A tributação sobre folha de pagamento, serviços, insumos e equipamentos incide desde o primeiro dia, independentemente de a empresa estar gerando receita ou apenas consumindo capital em atividades de aprendizado e validação tecnológica. O Estado cobra cedo, cobra sempre e cobra de forma complexa. O efeito é a penalização do erro, da experimentação e do tempo longo, exatamente os elementos centrais das deep techs. É evidente que o Estado brasileiro enfrenta pressões fiscais reais e demandas sociais legítimas, mas isso não elimina a necessidade de distinguir, no desenho das políticas públicas, o que é consumo imediato do que é investimento estratégico em futuro produtivo. Os incentivos existentes, como a Lei do Bem, são tecnicamente bem concebidos, mas pouco acessíveis às startups em seus estágios iniciais. Exigem enquadramentos tributários complexos e, sobretudo, a existência de lucro tributável, o que raramente ocorre quando a empresa ainda está desenvolvendo tecnologia. Na prática, o incentivo chega quando o risco maior já foi superado, e não quando ele mais precisa ser amortecido. Nesse ambiente, muitos empreendedores acabam direcionando seus esforços para empresas focadas no desenvolvimento de software, sistemas computacionais e aplicações digitais. Não se trata de uma preferência conceitual, mas de uma adaptação racional. Esses negócios demandam menos capital físico, menos importações, menos certificações e são menos expostos à tributação cumulativa que incide sobre processos produtivos mais intensivos em infraestrutura e experimentação. É uma escolha defensiva, induzida por um sistema que torna caro errar onde o aprendizado exige matéria, laboratório e tempo. O resultado é um ecossistema que fala muito de inovação, mas entrega pouco em termos de

Reforma Tributária: 4 ações para PMEs tomarem em de 2026

Por ano, as micro e pequenas empresas, incluindo MEIs, geram mais de R$ 700 bilhões em renda, segundo levantamento de 2024 do Sebrae. Agora, com a aprovação do PLP 108/2024 no Senado e a implantação do novo sistema de tributação, essas empresas precisam agir rapidamente para se adaptar. O novo modelo, baseado no IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e na CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), promete simplificar tributos sobre consumo, mas deve alterar rotinas contábeis, fiscais e operacionais. “A reforma muda a estrutura de cálculo e de declaração de impostos, o que exige que as PMEs revisem desde o regime tributário até a forma como emitem notas fiscais e registram suas operações”, afirma Reginaldo Stocco, CEO da vhsys. O que as PMEs devem fazer agora: 1. Reorganizar o controle fiscal e contábil O novo sistema demandará integração de informações e maior precisão no cruzamento de dados. Automatizar a emissão de notas, revisar cadastros de produtos e serviços e centralizar relatórios contábeis são passos fundamentais para garantir conformidade desde o início da transição. 2. Atualizar sistemas de gestão Empresas que ainda operam com controles manuais terão mais dificuldade de acompanhar as novas alíquotas e obrigações. Plataformas integradas de gestão, que conectam estoque, vendas, financeiro e emissão fiscal, ajudam a reduzir erros e garantir atualizações automáticas conforme o novo modelo entra em vigor. 3. Simular cenários e planejar o fluxo de caixa Com a mudança na tributação sobre o consumo, margens e custos podem variar. As PMEs devem realizar simulações para entender o impacto nas receitas e despesas, antecipar ajustes de precificação e renegociar contratos com clientes e fornecedores. Ter uma visão consolidada do fluxo de caixa e relatórios preditivos será essencial para tomar decisões rápidas. 4. Capacitar equipes e revisar processos internos A reforma exigirá atualização técnica de profissionais das áreas contábil, fiscal, financeira e de TI. É importante treinar as equipes, revisar fluxos internos e criar rotinas de conferência automática para evitar inconsistências entre o sistema de gestão e as obrigações acessórias. “Essa mudança deve ser vista como uma oportunidade de modernizar a operação. Ao investir em digitalização e integração, as empresas ganham mais controle, reduzem riscos e tornam o negócio mais sustentável para o futuro”, finaliza o CEO.

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