O problema de falar em tendências quando o mundo já virou um sistema
Por Ana Maria Coelho* Estou no SXSW, em Austin, no Texas, acompanhando algumas das discussões mais relevantes sobre tecnologia, negócios e sociedade. Uma das palestras mais aguardadas do evento foi a da futurista Amy Webb, fundadora do Future Today Institute, responsável por um dos relatórios globais mais respeitados sobre tecnologias emergentes. O que mais chamou minha atenção desta vez não foi uma tecnologia específica. Foi uma crítica ao próprio modo como empresas e líderes vêm tentando compreender o futuro. Durante muito tempo, a lógica estratégica parecia relativamente simples: mapear tendências, identificar oportunidades e adaptar o negócio. Porém, talvez essa lógica esteja ficando pequena demais para o momento que estamos vivendo. Se olharmos os relatórios de tendências publicados nos últimos anos, veremos algo curioso: muitos falam basicamente das mesmas coisas, como economia da experiência, bem-estar, mudanças de comportamento e novos modelos de consumo. Os termos mudam, mas a narrativa permanece muito parecida. Em muitos casos, não estamos observando as mudanças estruturais. Estamos apenas renomeando fenômenos culturais que já estavam em curso. Isso cria uma falsa sensação de previsibilidade. A provocação de Amy Webb foi clara: talvez o problema não esteja em entender tendências, mas em continuar olhando o mundo como se ele ainda fosse composto por tendências isoladas. O que está acontecendo agora é diferente. Tecnologias estão deixando de ser ferramentas separadas e começam a formar sistemas complexos. Inteligência artificial, biotecnologia, computação avançada e infraestrutura de dados já seriam transformadoras individualmente. Mas o impacto mais profundo surge quando essas tecnologias passam a operar de forma integrada, criando sistemas econômicos, novas formas de trabalho e de modelos de decisão. Amy Webb organiza esse cenário em três grandes convergências que ela chama de “tempestades”. A primeira é o Human Augmentation. A tecnologia deixa de atuar apenas no tratamento de doenças e passa a ampliar as capacidades humanas. Exoesqueletos que aumentam força física, óculos que traduzem idiomas em tempo real e interfaces cérebro-computador já apontam nessa direção. Nesse contexto, surge um novo tipo de desigualdade: não apenas de renda ou educação, mas de capacidade humana ampliada por tecnologia. Como resume Webb, “o corpo humano está se tornando uma plataforma”. A segunda convergência é o Unlimited Labor. Sistemas automatizados começam a operar sem limite de tempo ou fadiga. Agentes de inteligência artificial executam tarefas complexas, robôs atuam em ambientes industriais e já existem fábricas projetadas para funcionar sem a presença humana. Isso levanta uma questão inédita: durante séculos o crescimento econômico esteve ligado ao trabalho humano. O que acontece quando a economia pode crescer sem depender diretamente dele? A terceira convergência é o Emotional Outsourcing, talvez a mais silenciosa. Cada vez mais pessoas utilizam inteligência artificial como apoio emocional, seja em conversas terapêuticas, companhias virtuais ou interações que simulam vínculos humanos. Pesquisas indicam que entre 25% e 50% dos americanos já recorreram a algum tipo de suporte emocional mediado por IA. Isso sugere que sistemas de linguagem podem se tornar uma das maiores infraestruturas emocionais da sociedade. E isso levanta uma pergunta relevante: o que acontece quando o sistema que consola também é o sistema que precisa manter sua atenção e dependência? Durante décadas, o desafio das organizações foi gerenciar pessoas em escala. Agora surge outro desafio: liderar sistemas em escala; sistemas que aprendem, tomam decisões e operam com cada vez menos intervenção humana. Talvez a pergunta central deixe de ser “como crescer mais rápido?”. A pergunta passa a ser outra: que tipo de sistema estamos construindo? Amy Webb costuma usar uma expressão que resume bem esse momento: foresight is activism. Antecipar cenários não significa apenas observar o que pode acontecer, mas assumir a responsabilidade sobre o futuro que estamos ajudando a construir. Durante muito tempo falamos de inovação como uma corrida para acompanhar tendências. Mas, talvez, o desafio real agora seja outro: entender como os sistemas estão sendo redesenhados e qual papel queremos ocupar dentro deles. Porque, no final, a tecnologia não determina o futuro. São sempre as decisões humanas que fazem isso. * Ana Maria Coelho é pedagoga, consultora e palestrante nas áreas de Liderança, Vendas, Empreendedorismo e Inovação. Há mais de 18 anos atua desenvolvendo pessoas e negócios com foco em resultados sustentáveis e relações autênticas. É coautora do livro Empreendedorismo Inovador focado em modelos de negócios e planejamento estratégico. Tem como propósito inspirar pessoas e organizações a aprender continuamente, transformar curiosidade em ação e fazer do potencial humano o diferencial que sustenta o futuro.
A crise começa na mídia
Crises raramente surgem de forma abrupta. Elas costumam começar pequenas: um tom que muda em uma nota de rodapé, um tema que ganha recorrência ou uma tendência que emerge em canais digitais antes de se consolidar em cobertura mais ampla. O mercado de media monitoring está em expansão acelerada, com projeções que indicam que o setor global deve crescer de cerca de US$ 5,99 bilhões em 2026 para mais de US$ 10 bilhões até 2031, a uma taxa média de crescimento anual superior a 10%. Isso reflete a demanda por ferramentas capazes de transformar grandes volumes de dados em leitura estratégica para reputação, risco e narrativa de marca. Ao mesmo tempo, soluções alimentadas por inteligência artificial e análise em tempo real têm se mostrado centrais para detectar tendências emergentes de risco e antecipar movimentos antes que se tornem problemáticos. O aumento de dados publicados, incluindo bilhões de menções em redes sociais, blogs e notícias diariamente, torna indispensável a capacidade de interpretar padrões em vez de apenas coletar menções. Nesse contexto, o clipping passa a ocupar um papel executivo: não apenas registrar o que aconteceu, mas identificar o que está se formando. Quem consegue ler esses sinais antes ajusta discurso, estratégia e posicionamento antes que um problema se amplifique. A mídia muitas vezes não cria todos os problemas, mas frequentemente revela os primeiros sinais de que eles estão prestes a crescer. Saiba mais: www.sinopress.com.br
Curiosidade e o inesperado ganham destaque no SXSW como motores da inovação
A curiosidade, apontada como uma das habilidades mais importantes para os profissionais do futuro, tem sido um dos temas recorrentes nas discussões do SXSW, um dos maiores festivais globais de inovação, tecnologia e comportamento, realizado em Austin, no Texas. De acordo com o Relatório Future of Jobs 2025, do Fórum Econômico Mundial, a curiosidade e o aprendizado ao longo da vida estão entre as dez habilidades com maior crescimento de importância até 2030. O estudo também indica que cerca de 40% das habilidades exigidas no mercado de trabalho devem mudar nos próximos anos, reforçando a necessidade de adaptação constante e de desenvolvimento de competências humanas, como criatividade, resiliência, flexibilidade e pensamento analítico. Especialistas destacam que a curiosidade é um fator decisivo para estimular a criatividade, considerada o principal combustível para a inovação, e para ampliar a capacidade de adaptação em um cenário de rápidas transformações no mundo do trabalho. Outro insight que já emerge das experiências no evento é o papel do inesperado no processo de inovação. Em meio à intensa programação e aos encontros pela cidade, grande parte das ideias e conexões surge justamente de situações imprevistas: conversas informais, descobertas de temas fora da própria área ou palestras que provocam novas perspectivas. Direto de Austin, as especialistas Gaya Machado e Débora Maia, que acompanham a programação do festival, destacam que o SXSW evidencia como a combinação entre curiosidade, abertura ao novo e interações inesperadas pode gerar insights relevantes para profissionais e empresas. Embora Austin seja um ambiente que respira tecnologia, com demonstrações de inovações como carros autônomos e robôs circulando pelas ruas, o evento reforça que as conexões humanas continuam sendo centrais para a geração de ideias e para o desenvolvimento de soluções criativas. Gaya Machado e Débora Maia estão disponíveis para comentar os principais insights do SXSW sobre criatividade, inovação, comportamento e o futuro do trabalho. Sobre as especialistas Gaya Machado é cientista comportamental, palestrante e mentora executiva, com atuação voltada à inovação, comportamento e futuro do trabalho. Participa de imersões internacionais como o SXSW, onde acompanha tendências globais em tecnologia, inteligência artificial e transformação cultural. Integra o Harvard Business Review Advisory Council, comunidade internacional de executivos que contribuem com insights estratégicos para a publicação, e atua conectando ciência comportamental, inovação e estratégia de negócios em palestras e programas corporativos no Brasil e no exterior. Débora Carrera Maia é sócia e diretora da MDS 4Health, especialista em saúde corporativa, bem-estar e desenvolvimento humano, com mais de 25 anos de atuação nas áreas de gente e gestão. Atua na análise de tendências ligadas ao futuro do trabalho, saúde organizacional e modelos mais sustentáveis de benefícios, conectando estratégia, inovação e cuidado nas decisões empresariais. Com experiência em projetos no Brasil e na América do Sul, acompanha de perto a evolução das práticas de gestão de pessoas e os impactos da tecnologia, da cultura organizacional e do comportamento humano na performance e no engajamento das equipes.
3 tendências para o setor de Marketing de Afiliados em 2026
Com a chegada de 2026, o marketing de afiliados se consolida como um dos canais mais estratégicos e resilientes do marketing digital. A relevância do modelo cresceu ainda mais após projeções recentes da ABComm indicarem que o comércio eletrônico deve superar R$224 bilhões em faturamento em 2025. Em um ambiente de rápidas transformações, marcado pela ascensão da inteligência artificial e pela busca crescente por autenticidade, o setor se prepara para um novo ciclo de inovação, eficiência e relações mais transparentes entre marcas, publishers e consumidores. Diante do cenário atual, Bruna Nobre, Diretora de Publisher Partnerships da Rakuten Advertising, rede líder global em marketing de afiliados e performance, reúne 3 tendências da área que as marcas devem se atentar em 2026. Entre elas: 1. IA estratégica como motor de inovação A inteligência artificial continua sendo o pilar mais discutido. Ela deixa de atuar apenas na automação e passa a ocupar um papel central na criação de campanhas mais inteligentes, eficientes e humanas. A tecnologia se torna um copiloto para profissionais de marketing, permitindo análises mais profundas, segmentação precisa e decisões sustentadas por dados. “A IA amplia o olhar humano e libera tempo para que os profissionais façam o que nenhuma máquina entrega: estratégia, criatividade e propósito. Esse equilíbrio é o que vai definir o novo patamar do marketing de afiliados em 2026”, afirma a especialista. 2. Personalização como padrão competitivo A personalização deixa de ser diferencial e passa a ser exigência do consumidor digital. Em 2026, marcas e publishers precisarão oferecer experiências mais contextualizadas, recomendações inteligentes e jornadas de compra fluidas, integrando dados de múltiplos canais para atender expectativas cada vez maiores. “O consumidor já não aceita comunicações genéricas. Ele quer relevância, contexto e experiências que façam sentido para sua rotina. A personalização é o que diferencia marcas competitivas de marcas esquecidas”, destaca a executiva. 3. Transparência como base do ecossistema Com o ecossistema cada vez mais complexo, a transparência se torna pilar fundamental para a confiança entre marcas, afiliados e consumidores. Tecnologias de rastreamento mais robustas, combate a fraudes e modelos de mensuração claros serão indispensáveis para garantir integridade e equilíbrio nas relações. “Construir um ambiente transparente é essencial para que todos ganhem: anunciantes, publishers e consumidores. Investir em métricas confiáveis e em processos claros é o que sustenta parcerias duradouras e eficientes”, reforça Bruna Nobre. O marketing de afiliados caminha para um futuro em que tecnologia e criatividade andam lado a lado, possibilitando experiências mais ricas, seguras e autênticas. Em um ambiente orientado por dados, mas impulsionado por propósito, a verdadeira inovação está em como aproveitamos esses recursos para criar conexões reais, entregar valor e transformar informações em decisões humanas e estratégicas. À medida que o setor entra em 2026, esse equilíbrio será fundamental para fortalecer relações, impulsionar resultados e conduzir o ecossistema a um novo patamar de maturidade e relevância.
De experimentação à autonomia: 7 tendências de IA que vão definir 2026
Após dois anos de experimentação, 2026 marca o momento em que a inteligência artificial deixa de ser laboratório e passa a ser operação. Se 2025 foi um período de testes e aprendizado, o novo ciclo consolida a IA como tecnologia de execução, capaz de assumir tarefas complexas de forma autônoma e inaugurar a era dos agentes autônomos. “A discussão sobre IA mudou de patamar. Não se trata mais de gerar textos ou imagens, mas de sistemas capazes de agir no mundo real”, afirma Fernando Wolff, CEO da Tech for Humans, consultoria especializada na implementação de agentes de IA em processos críticos de negócios, transformando desafios técnicos em experiências humanas e personalizadas. “Estamos falando de tecnologias que percebem o ambiente, tomam decisões e executam processos com mínima intervenção humana. O avanço é corroborado por um relatório recente da Deloitte, que aponta o fim das mudanças tecnológicas incrementais. Segundo o estudo, a inteligência artificial se consolida como um vetor central de transformação estrutural nos negócios, no trabalho e na sociedade. Diante desse cenário, Wolff destaca sete tendências que devem orientar a evolução da IA ao longo de 2026. 1. Ascensão da IA agêntica A principal virada está na transição da IA generativa, voltada à criação de conteúdo, para a IA agêntica, capaz de planejar, decidir e executar ações. Em vez de responder a comandos pontuais, os agentes passam a atuar de ponta a ponta em processos inteiros. “O desafio não é automatizar tarefas isoladas, mas redesenhar fluxos de trabalho para uma lógica híbrida, na qual humanos e agentes operam juntos”, explica Wolff. 2. IA física e robôs autônomos A inteligência artificial também ganha presença no mundo físico. Robôs deixam ambientes controlados e passam a atuar em contextos reais, dinâmicos e imprevisíveis, apoiados por sistemas que integram visão, linguagem e ação. “O interesse por robôs humanoides é pragmático. O mundo foi projetado para humanos, e adaptar máquinas a essa lógica é mais eficiente do que transformar toda a infraestrutura existente”, afirma o executivo. 3. Edge AI: inteligência fora da nuvem Outra tendência é o avanço da Edge AI, que leva o processamento de dados para o próprio dispositivo. O modelo reduz latência, custos operacionais, dependência de conectividade e riscos à privacidade. “Em aplicações críticas, a decisão precisa acontecer no local. Esperar a resposta da nuvem simplesmente não é viável”, diz Wolff. 4. O fim do ‘faça você mesmo’ em IA Com a maturidade do mercado, empresas passam a reconhecer a complexidade de desenvolver, orquestrar e governar sistemas de IA internamente. A tendência é abandonar o modelo artesanal e buscar execução especializada. “Entender a tecnologia não significa que a empresa precise se tornar uma desenvolvedora de IA. O foco passa a ser o impacto no negócio, não a infraestrutura”, analisa. 5. Segurança, Shadow AI e defesa ativa O uso não autorizado de ferramentas de IA por funcionários — conhecido como Shadow AI — e a adoção da tecnologia por agentes mal-intencionados ampliam os riscos. Como resposta, cresce o uso de defesa ativa, com sistemas de IA testando continuamente as próprias vulnerabilidades das organizações. “O objetivo não é bloquear a inovação, mas estabelecer governança, visibilidade e limites claros”, destaca Wolff. 6. IA como amplificadora do trabalho humano A ideia de substituição perde espaço para a colaboração. A IA assume tarefas operacionais e analíticas, enquanto profissionais se concentram em estratégia, criatividade e tomada de decisão. “O futuro não é humano contra máquina, mas humanos ampliados pela máquina”, resume o CEO. 7. IA e computação quântica na ciência A combinação entre IA e computação quântica promete acelerar descobertas científicas em áreas como novos medicamentos, materiais avançados e energia. A tecnologia passa a atuar como parceira ativa em pesquisa e desenvolvimento. “A IA deixa o ambiente corporativo e entra definitivamente no laboratório, mudando a velocidade da inovação científica”, afirma Wolff. Para 2026, o consenso é claro: o tempo entre inovação e adoção está cada vez menor. Empresas que aguardarem estabilidade total para agir podem encontrar um mercado já operando em outro ritmo. “A questão central deixou de ser o que a IA é capaz de fazer. O verdadeiro desafio agora é decidir quando e como permitir que ela opere ao lado dos humanos”, conclui.
Tendências para 2026 no setor de LED e varejo: quando a tecnologia da loja responde em tempo real
A fronteira atual para o varejo tecnológico está em fazer com que as superfícies reajam de forma inteligente e autônoma ao ambiente. A próxima onda de inovação surge da integração entre a capacidade visual dos painéis de LED com pixel pitch ultrafino, microLED e transparência e os sistemas de inteligência artificial (IA) generativa e de visão computacional. Essa convergência cria ambientes de venda que são imersivos e verdadeiramente adaptativos. A base técnica dessa interação está nos painéis de LED com pixel pitch igual ou inferior a 2,5mm, indicados para aplicações indoor com visualização a curta distância. Essa tecnologia evoluiu de forma acelerada nos últimos anos e, hoje, soluções de empresas como a Leyard Planar, líder global na fabricação de painéis de LED, já alcançam pixel pitch de até 0,7mm, que entregam níveis extremos de densidade, nitidez e fidelidade de imagem. Essa resolução ultrafina viabiliza a exibição de conteúdos interativos, gerados ou adaptados em tempo real por sistemas de inteligência artificial (IA), mesmo em grandes superfícies instaladas em ambientes onde o público está muito próximo, sem qualquer perda perceptível de definição. De acordo com Odair Tremante, CEO da no Brasil e América Latina, uma das aplicação mais requisitadas dessa tecnologia são as vitrines inteligentes. “Quando combinada à transparência do LED, essa solução oferece vitrines em interfaces inovadoras e altamente interativas. Podem ser integradas com câmeras e sensores, na qual identificam perfis aproximados de transeuntes — como faixa etária, gênero ou número de pessoas — e então, permitem que a IA componha, em tempo real, cenas visuais que dialogam com o público ou destaquem produtos de maior interesse”, exemplifica o especialista. De acordo com levantamento da AWS, plataforma de serviços de computação em nuvem oferecida pela Amazon, 9 milhões de empresas no Brasil já utilizam IA de forma sistemática – um aumento de 29% em apenas um ano. O mercado global de soluções de sinalização digital para varejo deve crescer a uma CAGR (Taxa de Crescimento Anual Composta) de cerca de 12,5% entre 2025 e 2030, impulsionado pela busca por experiências personalizadas e pela queda nos custos do hardware de LED, segundo dados da MarketsandMarkets, empresa global de pesquisa de mercado e consultoria. Pesquisa realizada pela Gartner, líder em pesquisa e consultoria de TI, em 2025 indica que mais de 60% dos varejistas que investem em telas interativas de alta definição relatam um aumento mensurável no tempo de permanência na loja, entre 15% e 30%, que justifica o investimento como ferramenta de conversão e não apenas de branding. Para Odair, a evolução contínua da qualidade de imagem dos painéis de LED é essencial para acompanhar o nível de realismo exigido por essas novas experiências. “A inteligência artificial pode gerar ou adaptar vídeos hiper-realistas de produtos, como um tênis visto sob diferentes ângulos de luz ou um tecido em movimento, exibidos com contraste profundo e cores precisas. Isso eleva a fidelidade da representação digital a um patamar muito próximo da experiência tátil”, aponta o profissional. Na prática, essa simbiose entre hardware e software possibilita aplicações diferenciadas para o varejo: Para suportar essa complexidade, a infraestrutura de hardware precisa ser estável e confiável. Fabricantes com portfólio técnico diversificado, como a Leyard Planar com suas linhas MG2 (para altíssima definição), VDS (para integração arquitetônica) e HKSG (para operação contínua), fornecem componentes qualificados. Esses painéis oferecem o brilho ajustável, a taxa de atualização alta e a confiabilidade necessárias para operar 24/7 com conteúdos que mudam constantemente, gerenciados por softwares de IA. “O hardware de visualização torna-se a plataforma de execução para a inteligência. Nossa função é fornecer painéis com a latência mínima, a uniformidade perfeita e a resistência para serem a tela de uma loja que nunca dorme e nunca se repete“, descreve Odair. O espaço de venda deixa de ser estático com telas que rodam playlists pré-gravadas para se tornar um organismo que percebe, processa e reage. A IA fornece o “sistema nervoso” que interpreta dados do ambiente, enquanto os painéis de LED de última geração constituem o “sistema muscular” que executa as respostas visuais. Em 2026, o diferencial competitivo poderá residir menos no que uma marca exibe e mais na capacidade do seu espaço físico de aprender e se adaptar, em tempo real, a cada cliente que cruza sua porta.
Tendências para o varejo em 2026: Biometria Facial surge como forte candidata a redefinir a experiência de compra
O varejo brasileiro entra em 2026 sinalizando uma intensificação na transformação digital, com foco na redução de atritos e na hiperpersonalização. A Payface, empresa de soluções de pagamento por reconhecimento facial, observa que a tecnologia biométrica deixa de ser vista apenas como um diferencial para se posicionar como um provável pilar estratégico, onde convergem segurança, agilidade e o futuro dos programas de fidelidade. A Payface projeta que a biometria facial pode se consolidar como uma das principais inclinações do varejo em 2026, com potencial de integração profunda aos ecossistemas de cartões Private Label e à jornada omnichannel. “A biometria facial se apresenta como um passo natural após a consolidação dos pagamentos por aproximação. A expectativa para 2026 é que ela caminhe para se tornar uma forma de identidade do consumidor no varejo, atuando como chave de autenticação e fidelização,” avalia Eládio Isoppo, CEO da Payface. Para ilustrar este cenário, a empresa destaca pontos que devem moldar o setor no próximo ano: “Nos próximos anos, a biometria tem tudo para se consolidar como uma identidade em toda a jornada do consumidor. O rosto poderá ser o recurso central para integrar ecossistemas completos de serviços dos varejistas com ecossistemas completos de serviços e maior conveniência e segurança,” complementa Eládio. O Brasil, com seu volume expressivo de transações digitais, se posiciona como um forte candidato a liderar essa tendência globalmente, testando e implementando novas arquiteturas de conveniência no varejo.
Tendência 2026: IA elimina digitação manual e redefine a eficiência no comex
A Inteligência Documental baseada em IA desponta como uma das principais tendências do comércio exterior para 2026 ao automatizar a leitura, validação e preenchimento de documentos como Bill of Lading (BL), Invoices, Packing Lists e declarações aduaneiras. No Brasil, onde até 40% das rotinas de comex ainda dependem de tarefas manuais, logtechs e operadores logísticos passam a adotar essas soluções para reduzir erros, acelerar processos e preparar suas operações para um ambiente cada vez mais digital, integrado e regulado. De acordo com Alexandre Pimenta, CEO da Asia Shipping, multinacional brasileira e maior integradora logística da América Latina, durante décadas, o comex operou apoiado em fluxos intensivos de digitação, conferências manuais e múltiplas etapas de validação. Na prática, analistas dedicam grande parte do tempo a inserir dados de embarque, revisar faturas, extrair informações de manifestos e preencher declarações como a Declaração Única de Exportação (DU-E) e a Declaração de Importação (DI). “Estamos falando de um setor altamente complexo e regulado, com atividades repetitivas que exigem alto nível de atenção e impactam diretamente a produtividade, os prazos e o compliance das operações. Falhas podem gerar atrasos, custos adicionais e desafios regulatórios”, afirma Pimenta. “Por isso, manter processos críticos excessivamente dependentes de digitação manual acaba reduzindo eficiência e dificultando ganhos de escala e previsibilidade operacional”, diz. Inteligência além do OCR A nova geração de Inteligência Documental vai além do OCR (Optical Character Recognition ou Reconhecimento Óptico de Caracteres), tecnologia tradicional que apenas converte imagens em texto. As soluções mais avançadas combinam OCR com modelos de inteligência artificial capazes de compreender contexto, cruzar dados entre diferentes documentos e identificar inconsistências automaticamente. Na prática, o sistema recebe arquivos em PDF ou imagem, extrai as informações relevantes, valida dados entre BL, Invoice e Packing List, identifica anomalias — como divergências de peso, valores, moedas ou classificação fiscal — e gera rascunhos de declarações aduaneiras prontos para revisão humana. “O diferencial não está apenas em ler o documento, mas em entender o papel daquele dado dentro do processo de comércio exterior. Isso reduz variabilidade, melhora a qualidade da informação e fortalece o controle operacional”, explica Pimenta. Ganhos operacionais e retorno rápido Projetos-piloto e aplicações em ambiente real indicam que a digitalização inteligente de documentos pode reduzir o tempo de processamento entre 50% e 70%, além de diminuir erros operacionais em mais de 50%. Em termos financeiros, o retorno sobre o investimento pode chegar a 200% ou até 300% no primeiro ano, considerando a redução de retrabalho, maior fluidez aduaneira e melhor aproveitamento das equipes. “O analista deixa de concentrar energia em tarefas operacionais e passa a atuar na validação de exceções, na análise de risco e na tomada de decisão. Isso tem impacto direto na eficiência da operação e na qualidade do serviço prestado”, destaca o executivo. Aplicações práticas já em curso no Brasil No Brasil, soluções de Inteligência Documental já demonstram ganhos relevantes em operações reais. Um exemplo é o uso de plataformas especializadas que automatizam grande parte da gestão documental, convertendo documentos não estruturados em dados organizados e integráveis a sistemas de comex e ERPs. Nesse contexto, a Asia Shipping tem avançado na adoção de tecnologias desenvolvidas pela DATI, empresa do grupo, como o Smart Reader, módulo de Inteligência Documental que digitaliza, confere e compara documentos do comércio exterior. A solução elimina 87% da necessidade de digitação manual, substituindo horas desta tarefa por segundos de processamento de invoices, packings, BLs e documentos financeiros, entre outros, usando inteligência artificial. “A experiência prática mostra que a tecnologia já atingiu um nível de maturidade compatível com a complexidade do comex. O foco agora é integrar essas soluções de forma consistente à operação e garantir que elas continuem gerando ganhos em eficiência e controle”, avalia Pimenta. Preparação para um comex mais integrado A consolidação da Inteligência Documental acompanha a evolução do Portal Único, a digitalização dos órgãos anuentes e a integração crescente entre sistemas privados e governamentais. Nesse cenário, transformar documentos não estruturados em dados confiáveis, auditáveis e rastreáveis deixa de ser diferencial e passa a ser um requisito competitivo. “O futuro do comércio exterior será cada vez mais orientado por dados. Automatizar a base documental é um passo essencial para sustentar crescimento, compliance e competitividade em um ambiente global mais exigente”, conclui Alexandre Pimenta.
Seis tendências de inovação para 2026
Por Alexandre Pierro Inovar nunca foi apenas sobre tecnologia, mas sobre aliar uma visão de futuro, capacidade de adaptação e estratégia para se antecipar e sobressair. O mercado vive cenários de grandes mudanças e transformações que exigem das empresas não apenas investir nessas inovações, mas, acima de tudo, saber quais integrar, com eficácia, à realidade do negócio, ganhando ainda mais escalabilidade, maturidade e vantagem competitiva. Em 2026, o cenário global continuará desafiador: custos pressionados, consumidores mais conscientes, mercados mais voláteis e uma concorrência cada vez mais digital. E é justamente nesse cenário que as tendências inovadoras se tornam peças estratégicas – não apenas de sobrevivência, mas para construir uma base de crescimento mais sólida em 2027. Pensando nisso, veja seis dessas tendências que mais se destacarão este ano: #1 Inverno e bolha de IA: o termo do AI Winter, surgido na década de 80, descreve períodos em que o entusiasmo pela inteligência artificial teria uma grande queda, normalmente visto após um ciclo de altas expectativas – algo que poderemos notar em 2026. Isso porque, segundo um estudo recente da Gartner, apenas 6% dos CFOs notaram um aumento no lucro ou receita com essa tecnologia. A IA não está gerando o retorno que tanto se esperava, o que pode levar ao fechamento de portas de muitas empresas e a um efeito cascata grave em termos econômicos para todo o mercado. #2 Mudanças geopolíticas: a corrida pela supremacia em IA está reconfigurando o mercado global, cujos acordos e mudanças vêm fazendo emergir novas potências referências nessa tecnologia como, por exemplo, a China, que já está ganhando forte visibilidade em suas inovações de computação quântica, 6G, e demais serviços estruturados com essa ferramenta. Qualquer alteração nessa competição impacta, diretamente, a logística e o fornecimento de soluções tecnológicas ao mundo. #3 Computação quântica: muitos projetos nesse sentido já estão sendo desenvolvidos na China, e devem ganhar força este ano na prestação de serviços pautados com essa tecnologia. Ela permitirá uma maior velocidade em simulações computacionais, agilizando as tomadas de decisões e desenvolvimento de ações que, antes, poderiam levar meses ou anos. Segundo estimativas de um levantamento do InvestingPro, este mercado deve atingir uma receita de US$ 2 bilhões em 2026, uma área extremamente rica a ser explorada. #4 Dados, confiança e governança: cada vez mais, por conta não apenas da IA, mas também do IB e das intensas transformações tecnológicas, é essencial ter confiança nos dados que são analisados como base para as tomadas de decisões. Afinal, sem informações reais e confiáveis, os riscos de estratégias sem retorno são altos. É aqui que a governança se faz presente, crucial para garantir essa segurança, ainda mais quando apoiada por metodologias internacionais que reforcem medidas nesse sentido, como a ISO 27001 – mitigando riscos de fraudes e vazamentos que prejudiquem as operações. #5 Transformação do trabalho: a tecnologia nunca substituirá o trabalho humano. Contudo, é fato que, conforme tivermos cada vez mais avanços digitais, todo o mercado se transformará, criando posições e vagas imersas nesse universo – ao mesmo tempo em que outras podem deixar de existir com o tempo. Essas mudanças exigem que as empresas invistam na capacitação de seus times, fornecendo o conhecimento necessário para que usufruam dos recursos e benefícios que essas soluções podem oferecer. #6 Economia prateada: muitas dificuldades têm sido relatadas nos ambientes profissionais em lidar com as gerações mais novas, pouco pacientes ao mundo corporativo. Isso vem fazendo com que muitos gestores estejam contratando talentos mais seniores, dando espaço para que reingressem no mercado e tragam toda a sua bagagem e experiência aos tempos modernos – o que, certamente, também favorece muito a pluralidade de visões e pensamentos a fim de transformar ideias em geração de valor. O ano de 2026 será marcado por grandes dificuldades e inflexões, ainda mais diante de eventos globais como a Copa do Mundo, conflitos geopolíticos e as eleições nacionais. Ao mesmo tempo, pode ser um período de importantes transformações ao mercado, que exigirá o mesmo movimento de adaptação por parte das empresas. Afinal, só aquelas que souberem como se adaptar, com estratégia, neste intenso dinamismo, conseguirão colher frutos maduros em 2027. Alexandre Pierro é mestre em gestão e engenharia da inovação, engenheiro mecânico, bacharel em física e especialista de gestão da PALAS, consultoria pioneira na implementação da ISO de inovação na América Latina.
10 tendências que moldarão o consumo do brasileiro em 2026
O mercado brasileiro de bens massivos de consumo chega a 2026 em um momento de transformações profundas. Embora o volume revele estabilidade, mudanças estruturais estão ocorrendo no comportamento de compra, na composição das famílias, nas prioridades de saúde e bem-estar e no papel das marcas no dia a dia dos consumidores. Segundo a Worldpanel by Numerator, não se trata de tendências isoladas, mas de um rearranjo estrutural que exige das marcas leitura precisa, velocidade e capacidade de antecipar comportamentos. Confira as 10 tendências essenciais para orientar decisões e gerar valor consistente no próximo ano. 1. Estabilidade com novas dinâmicas O setor de bens massivos de consumo deve registrar volume praticamente estável (-0,2%) em 2026, apesar do aumento da renda disponível com a nova tabela do Imposto de Renda, que isenta contribuintes com rendimento de até R$ 5 mil. Mudanças comportamentais, como maior frequência de visitas ao ponto de venda (+12,8%) e menor número de itens por compra (-10,4%), reforçam a necessidade de adaptação das marcas. 2. Menos crianças, mais longevidade – e filhos de quatro patas O país vive uma transformação nas composições familiares. Seniors concentram 16% do gasto em bens massivos de consumo, com crescimento de 9% – acima dos 5% nos demais domicílios. Lares com apenas um filho representam 32% do faturamento da cesta, enquanto a presença de pets ganha relevância, uma vez que casais sem filhos respondem por 41% do mercado de alimentos para animais, com gasto médio 10% acima da média. 3. Qualidade de vida como novo status Licenças médicas por ansiedade e depressão cresceram 68% entre 2023 e 2025. Com isso, saúde mental, equilíbrio e rotina sustentável passam a guiar decisões de compra. Em 2026, produtos que entreguem bem-estar físico e mental, com propósito e benefício real, tornam-se diferenciais competitivos. 4. Entre saudabilidade e pós-uso de GLP-1 Enquanto 46% dos consumidores buscam reduzir o açúcar, a utilização de GLP-1 altera hábitos, minando o tamanho das porções. Antes das “canetas emagrecedoras”, os brasileiros não usuários consumiam 44% mais alimentos; após iniciarem ou considerarem a utilização desses produtos, essa diferença caiu para 20%. A oportunidade está em escalar produtos saudáveis acessíveis ao mesmo tempo em que se desenvolvem linhas premium com nutrição essencial e porções inteligentes. 5. Funcionalidade, socialização e indulgência consciente Produtos funcionais, bebidas sem ou com baixo teor alcoólico e indulgências premium crescem impulsionados por benefícios tangíveis. Bebidas proteicas, com penetração de 5% em 2023 para 13% em 2025, e cervejas 0% álcool, de 10% para 15%, evidenciam a demanda por conveniência, prazer sem culpa e funcionalidade. 6. Autocuidado como rotina essencial O autocuidado deixou de ser luxo e se tornou hábito. Prova disso é que os perfumes cresceram 15% em consumo, impulsionados pelas classes D e E. Isso sem contar que os brasileiros passaram a usar, em média, seis categorias de Higiene & Beleza por semana. Produtos premium, embalagens maiores e kits temáticos ampliam frequência e tíquete médio, consolidando o consumo diário. 7. Limpeza sofisticada Produtos para o lar evoluem para proporcionar praticidade e bem-estar. Limpadores perfumados, multiusos e soluções concentradas substituem receitas caseiras e já alcançam 93% dos lares brasileiros – avanço de 4 pontos percentuais em um ano –, refletindo a busca por eficiência e experiência positiva na limpeza. 8. Mais que multicanal O consumidor brasileiro navega por oito canais em média e faz 24 compras de abastecimento por ano. No e-commerce de bens de consumo massivo como um todo, os pedidos online crescem 13,8%, impulsionados pelo social commerce – 2 em cada 5 compras são feitas via WhatsApp. Já no segmento de delivery de alimentos e bebidas, a frequência mensal é alta, com penetração de 77%, e o tíquete médio chega a ser quase três vezes maior do que nos canais não digitais. Essa fragmentação exige integração dos serviços e experiências diferenciadas por parte das marcas. 9. Presentes sazonais Celebrações como Dia das Mães, Dia dos Pais e Dia dos Namorados impulsionam categorias tradicionais e oferecem oportunidade para kits temáticos, ampliando relevância ao longo do ano. Nesse sentido, mais de 60% dos brasileiros receberam produtos das categorias Higiene & Beleza e chocolates como presentes. 10. Paixão pelo esporte O futebol segue movimentando hábitos e consumo. Durante a Copa do Mundo 2026, o tíquete médio deve crescer 12%, impactando snacks, bebidas e conveniência. Já as apostas esportivas, presentes em 50% dos lares, ampliam oportunidades de engajamento e experiências de consumo ligadas à emoção do torcedor. “Em 2026, crescerá quem transformar complexidade em estratégia – e estratégia em execução inteligente. Cada tendência apontada vai além de um indicador: é uma oportunidade concreta para inovar, reposicionar, revisar portfólio e gerar valor em diferentes frentes”, conclui Luisa Teruya, Gerente de Marketing da Worldpanel by Numerator.
3 tendências para o setor de Marketing de Afiliados em 2026
Com a chegada de 2026, o marketing de afiliados se consolida como um dos canais mais estratégicos e resilientes do marketing digital. A relevância do modelo cresceu ainda mais após projeções recentes da ABComm indicarem que o comércio eletrônico deve superar R$224 bilhões em faturamento em 2025. Em um ambiente de rápidas transformações, marcado pela ascensão da inteligência artificial e pela busca crescente por autenticidade, o setor se prepara para um novo ciclo de inovação, eficiência e relações mais transparentes entre marcas, publishers e consumidores. Diante do cenário atual, Bruna Nobre, Diretora de Publisher Partnerships da Rakuten Advertising, rede líder global em marketing de afiliados e performance, reúne 3 tendências da área que as marcas devem se atentar em 2026. Entre elas: 1. IA estratégica como motor de inovação A inteligência artificial continua sendo o pilar mais discutido. Ela deixa de atuar apenas na automação e passa a ocupar um papel central na criação de campanhas mais inteligentes, eficientes e humanas. A tecnologia se torna um copiloto para profissionais de marketing, permitindo análises mais profundas, segmentação precisa e decisões sustentadas por dados. “A IA amplia o olhar humano e libera tempo para que os profissionais façam o que nenhuma máquina entrega: estratégia, criatividade e propósito. Esse equilíbrio é o que vai definir o novo patamar do marketing de afiliados em 2026”, afirma a especialista. 2. Personalização como padrão competitivo A personalização deixa de ser diferencial e passa a ser exigência do consumidor digital. Em 2026, marcas e publishers precisarão oferecer experiências mais contextualizadas, recomendações inteligentes e jornadas de compra fluidas, integrando dados de múltiplos canais para atender expectativas cada vez maiores. “O consumidor já não aceita comunicações genéricas. Ele quer relevância, contexto e experiências que façam sentido para sua rotina. A personalização é o que diferencia marcas competitivas de marcas esquecidas”, destaca a executiva. 3. Transparência como base do ecossistema Com o ecossistema cada vez mais complexo, a transparência se torna pilar fundamental para a confiança entre marcas, afiliados e consumidores. Tecnologias de rastreamento mais robustas, combate a fraudes e modelos de mensuração claros serão indispensáveis para garantir integridade e equilíbrio nas relações. “Construir um ambiente transparente é essencial para que todos ganhem: anunciantes, publishers e consumidores. Investir em métricas confiáveis e em processos claros é o que sustenta parcerias duradouras e eficientes”, reforça Bruna Nobre. O marketing de afiliados caminha para um futuro em que tecnologia e criatividade andam lado a lado, possibilitando experiências mais ricas, seguras e autênticas. Em um ambiente orientado por dados, mas impulsionado por propósito, a verdadeira inovação está em como aproveitamos esses recursos para criar conexões reais, entregar valor e transformar informações em decisões humanas e estratégicas. À medida que o setor entra em 2026, esse equilíbrio será fundamental para fortalecer relações, impulsionar resultados e conduzir o ecossistema a um novo patamar de maturidade e relevância.
As tendências de tecnologia que vão acelerar o Brasil em 2026
Por Rafael Leopoldo – Diretor de Growth e Tecnologia da Selbetti A aceleração da inteligência artificial nas empresas brasileiras em 2025 mudou o eixo das discussões sobre tecnologia. De acordo com levantamento da AWS, 9 milhões de empresas no país já utilizam IA de forma sistemática – um aumento de 29% em apenas um ano. Mas, enquanto a inteligência artificial concentra a atenção, outras tecnologias menos visíveis, porém decisivas, avançam em paralelo e preparam terreno para uma transformação estrutural. Para entender quais serão as principais tendências que devem dominar a tecnologia de ponta no Brasil a partir do próximo ano, realizamos um levantamento no mercado nacional, cruzando dados de tendências já mapeadas pelo Gartner com informações do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. Os temas identificados refletem um novo ciclo de prioridades: mais integração, menos improviso; mais segurança, menos hype. E devem orientar as decisões de investimento de empresas privadas e órgãos públicos até o fim da década. Das dezenas de apostas tecnológicas listadas anualmente por analistas globais, apenas uma fração tem aderência real à realidade brasileira. Fatores como infraestrutura, regulação, maturidade digital e prioridades setoriais moldam o que, de fato, pode ser escalado localmente. A seleção a seguir foca em tendências com aplicação prática e impacto direto sobre os desafios e oportunidades do país nos próximos três anos. Plataformas de desenvolvimento nativas em IA A forma como empresas desenvolvem software no Brasil está prestes a passar por uma transformação radical. As plataformas nativas em inteligência artificial, que permitem criar aplicações inteiras por meio de prompts em linguagem natural, vêm sendo rapidamente adotadas por startups e empresa de grande porte no país, oferecendo um caminho direto para contornar a escassez de desenvolvedores e acelerar a entrega de soluções digitais. A tendência, listada pelo Gartner como uma das principais transformações estratégicas para os próximos anos, aponta para um cenário em que a maior parte do código corporativo será gerado, acelerado ou revisado por IA. Para um país com carência de profissionais especializados, mas alta demanda por digitalização, o salto de produtividade pode ser enorme. Automação inteligente de processos (RPA/IPA) A busca por eficiência operacional, a escassez de mão de obra qualificada e a pressão por escalabilidade são os principais fatores que levaram a automação de processos a ocupar um papel de destaque nas estratégias de transformação digital no Brasil. Neste ano, a tecnologia deu um salto qualitativo: o modelo clássico de automação robótica (RPA), antes limitado a fluxos fixos e tarefas repetitivas, foi incorporado a recursos de inteligência artificial, dando origem ao que o mercado já chama de IPA, ou Intelligent Process Automation. O conceito vai além de bots que replicam cliques: trata-se de sistemas que leem documentos, interpretam comandos em linguagem natural, tomam decisões com base em aprendizado de máquina e executam ações integradas entre plataformas. Esse movimento não é novo, mas alcançou uma nova escala com a integração da IA generativa a ferramentas de automação. E o que antes era privilégio de grandes bancos e multinacionais tornou-se acessível para empresas de médio porte, graças à proliferação de soluções SaaS, plataformas low-code e orquestradores de automação em nuvem. Plataformas de segurança para IA + cibersegurança preditiva O conceito de cibersegurança preditiva, já mapeado pelo Gartner como tendência estratégica, pressupõe uma mudança de postura. Em vez de simplesmente detectar e reagir a incidentes após sua ocorrência, as empresas passam a atuar de forma antecipada, utilizando algoritmos de previsão, análise comportamental e automação inteligente para bloquear ameaças antes que causem impacto. No Brasil, essa abordagem ainda é nova, assim como o uso estruturado de agentes de IA dedicados à segurança digital. A maior parte das empresas ainda opera com ferramentas reativas, baseadas em assinaturas e regras fixas. Mas essa realidade começa a mudar, puxada principalmente pelos setores financeiro, telecom e varejo, onde os primeiros projetos com arquiteturas preditivas já mostram resultados concretos em redução de tempo de resposta e mitigação de riscos complexos. Cloud computing e soberania de dados: a nuvem como ativo estratégico De acordo com o Panorama Cloud 2025, levantamento realizado pela TOTVS em parceria com a H2R Pesquisas Avançadas, 77% das empresas brasileiras já utilizam serviços em nuvem no dia a dia, e 61% adotam a nuvem como infraestrutura principal, com sistemas, dados e aplicações operando diretamente em ambientes cloud, e não apenas como suporte a servidores locais. A tendência, mapeada pelo Gartner como uma das mais relevantes para os próximos anos, reflete um movimento global em resposta a riscos geopolíticos, legislações extraterritoriais e disputas por autonomia tecnológica. No Brasil, um marco dessa inflexão foi a criação da Nuvem de Governo Soberana, infraestrutura oficial lançada pelo governo federal em setembro passado. Operada por estatais como Serpro e Dataprev, com data centers localizados no país, ela abriga sistemas sensíveis da administração pública e já conecta mais de 250 órgãos. Arquiteturas modernas de dados (Lakehouse + Data Mesh) A explosão do volume de dados nas empresas brasileiras, somada à pressão por agilidade e qualidade analítica, acelerou a adoção de novas arquiteturas capazes de romper com os modelos tradicionais de armazenamento e consumo de informação. Duas dessas abordagens, Data Lakehouse e Data Mesh, vêm ganhando espaço em organizações que enfrentam dificuldades com silos, duplicidade de dados e lentidão na entrega de insights. Essa tendência também está no radar do Gartner, que aponta o lakehouse como parte de uma evolução natural das plataformas de dados e o Data Mesh como uma das abordagens organizacionais mais promissoras para escalar analytics com eficiência. Análises em tempo real e inteligência de decisões Tomar decisões com base em dados atualizados, no momento em que os fatos ocorrem, deixou de ser vantagem competitiva para se tornar exigência operacional em setores como finanças, varejo e logística. No Brasil, bancos usam análises em tempo real para barrar fraudes em milissegundos, empresas de e-commerce ajustam ofertas conforme o comportamento de navegação, e operadoras de telecom monitoram anomalias na rede com respostas automatizadas. Mas o movimento não para no tempo real. O passo seguinte é a adoção da chamada inteligência de
Especialistas apontam as principais tendências do varejo em 2026
Integração total entre canais, uso estratégico de dados, automação inteligente e aplicação prática da inteligência artificial. O varejo caminha para 2026 em um cenário marcado por maior complexidade operacional e consumidores cada vez mais exigentes, que esperam jornadas fluidas, personalizadas e consistentes em qualquer ponto de contato com a marca. Para acompanhar esse ritmo, empresas do setor aceleram investimentos em tecnologia e revisam seus modelos de operação. Pesquisa recente realizada pela Zucchetti Brasil em parceria com a Central do Varejo mostra que 59% das empresas do varejo já utilizam soluções de inteligência artificial, enquanto 90% pretendem ampliar o uso ou o investimento na tecnologia, reforçando o papel da IA como um dos principais vetores dessa transformação. Executivos de empresas de tecnologia que atuam diretamente com o varejo analisam os principais movimentos que devem ganhar protagonismo em 2026 e elencam as tendências que devem redefinir o ponto de venda, a automação das operações e o uso estratégico de dados e inteligência artificial no setor. O ponto de venda na jornada unificadaEm 2026, o ponto de venda (PDV) assume uma função mais estratégica dentro da jornada do cliente. Como destaca Stefan Furtado, da Manhattan Associates, a experiência só se sustenta quando sistemas de loja, digital e cadeia de suprimentos operam como uma única engrenagem. Dados do Unified Commerce Benchmark (UCB) mostram que varejistas com plataformas realmente integradas entregam jornadas mais consistentes entre canais, e que aqueles classificados como líderes crescem até três vezes mais do que a média. Essa força vem do PDV moderno, que evoluiu de caixa registradora para hub omnichannel. Ao conectar estoque, pedidos e histórico do cliente em tempo real, ele permite experiências como Compre Online, Retire na Loja (Buy Online Pickup in Store – BOPIS), Compre Online, Devolva na Loja (Buy Online Return in Store – BORIS), prateleira infinita e atendimento personalizado no momento da compra. “Quando o vendedor tem acesso a dados ricos no instante da interação, o checkout deixa de ser uma etapa transacional e se transforma em espaço de diferenciação, aumentando ticket médio e reduzindo abandono”, afirma Stefan. O próximo passo dessa evolução está na adoção de workflows agentic — fluxos completos operados por agentes de IA em plataformas em nuvem. Embora já populares em funções simples, apenas 5% dos varejistas usam agentes autônomos para melhorar a experiência de ponta a ponta. Stefan ressalta que o objetivo não é substituir o atendimento humano, mas liberá-lo para experiências de “luva branca”, enquanto a IA antecipa problemas, redireciona estoque e resolve demandas de forma autônoma. Automação e hiperpersonalização em altaBernardo Rachadel, diretor de Unidade de Negócio de Varejo da Zucchetti Brasil, multinacional italiana especializada em sistemas de gestão que atende mais de 120 mil micro e pequenos comércios em todo o país, avalia que 2026 deve ser um ano de reorganização operacional no varejo. Segundo ele, a integração total dos sistemas de gestão e a automação inteligente se tornam pilares para garantir eficiência e consistência entre canais. “O varejo que não operar com visão unificada de estoque, pedidos e clientes perderá competitividade. A automação libera as equipes de atividades repetitivas e permite que elas se concentrem no relacionamento e na experiência, que seguirão como diferenciais centrais”, afirma. Ele destaca também o papel acelerado da inteligência artificial como motor de competitividade. Para Rachadel, a hiperpersonalização será uma realidade cotidiana, apoiada por plataformas robustas capazes de processar grandes volumes de dados e gerar recomendações individualizadas. “Assistentes de compra inteligentes e otimização de preços em tempo real devem fazer cada vez mais parte da rotina. Isso só será possível com arquiteturas tecnológicas seguras, escaláveis e integradas, que sustentem o uso responsável da IA”, observa. Ainda de acordo com Bernardo, outra tendência que deve ganhar ainda mais força em 2026 é a tomada de decisão baseada em dados, componente essencial para a sustentabilidade dos negócios. Em um ambiente mais competitivo e com margens pressionadas, o uso de analytics permitirá prever demanda, otimizar estoques e ajustar preços de forma dinâmica. “O varejo que dominar seus dados terá mais precisão para antecipar tendências e corrigir rota rapidamente”, comenta. Marketing automatizadoO varejo brasileiro avança para 2026 ancorado em um uso cada vez mais intenso de inteligência artificial para escalar estratégias de comunicação e personalização. A adoção da tecnologia já é majoritária no setor: 59% das empresas afirmam utilizar soluções baseadas em IA e 90% pretendem ampliar o uso ou os investimentos nos próximos meses, segundo pesquisa da Zucchetti em parceria com a Central do Varejo. As aplicações mais citadas estão justamente nas áreas de marketing e conteúdo, mencionadas por 57% dos varejistas, seguidas por sumarização de textos e transcrições (54%) e atendimento ao cliente (54%). O dado evidencia como a produção de conteúdo automatizada passou a fazer parte da rotina das marcas, alimentando campanhas, descrições de produtos, comunicações no ponto de venda e interações digitais integradas à jornada de compra. Com esse avanço, cresce também a atenção aos limites e riscos do uso da IA no marketing. Para Renan Caixeiro, CMO e cofundador do Reportei, ferramenta de relatórios e dashboards de marketing, a tecnologia deve ser tratada como meio, não como fim. “A IA ajuda o varejo a ganhar eficiência e velocidade, mas precisa estar conectada a uma estratégia clara e a dados confiáveis. Sem isso, o risco é escalar erros, conteúdos genéricos ou mensagens desconectadas do consumidor”, afirma. Segundo ele, o desafio para 2026 será equilibrar automação e inteligência humana: “O varejo que usar IA para apoiar decisões e melhorar a leitura de dados, e não apenas para produzir volume, tende a construir experiências mais relevantes e sustentáveis no longo prazo”.
As tendências que devem transformar o setor têxtil brasileiro em 2026
O setor de confecção passa por uma transformação acelerada impulsionada pela automação, inteligência artificial e mudanças no comportamento do consumidor. Para 2026, essas transformações se intensificam e exigem que as marcas repensem seus modelos de comunicação, gestão e posicionamento. Para Eduardo Cristian, fundador da Costurando Sucesso, empresa especializada em gestão do conhecimento, que tem como propósito conectar e impulsionar negócios de confecção em diferentes segmentos e reconhecido como um dos principais consultores do mercado têxtil e de confecção no Brasil, seis competências serão essenciais para o crescimento do setor em 2026. “As empresas que vão prosperar são aquelas que souberem equilibrar eficiência produtiva e fortalecimento de marca. Modelos baseados apenas em volume e sem propósito tendem a perder relevância. O futuro será de quem tem processos estruturados, identidade clara e conexão com o consumidor”, destaca o executivo. O consumidor de moda deixou de buscar apenas preço ou estilo, hoje ele quer se identificar com a marca, sentir pertencimento e enxergar propósito. Para acompanhar esse movimento, as confecções devem investir não apenas em qualidade de produto, mas também em comunicação emocional e modelos de negócio baseados em relacionamento contínuo. “Quem vende só produto e preço perderá espaço. Conexão é o que garante margem e fidelidade”, reforça Eduardo. A seguir a Costurando Sucesso aponta as principais tendências que devem transformar o setor têxtil em 2026. 1. Comunicação transparente como diferencial competitivo Marcas que comunicam claramente seus processos, atitudes e valores ganham vantagem. Sustentabilidade e produção sob demanda passam a ser diferenciais percebidos pelo consumidor, desde que bem comunicados. 2. Omnichannel consolidado e mais desafiador A presença em múltiplos canais exige consistência. O maior desafio é evitar rupturas na comunicação, o que só é possível com equipes internas fortes, capazes de manter a essência da marca.3 3. Valorização da mão de obra como pilar reputacional Práticas consistentes de gestão de pessoas, cuidado com o clima organizacional e adoção genuína de princípios ESG tornam-se determinantes para fortalecer reputação e propósito nas empresas de confecção. Marcas que valorizam verdadeiramente suas equipes ganham vantagem competitiva e se destacam no mercado. Além disso, o conceito de Life Long Learning passa a ser imprescindível para ampliar a eficiência da gestão, aprimorar processos e impulsionar a inovação. 4. Hipersegmentação: nichos como estratégia de crescimento Em um país diverso, marcas generalistas perdem força. O futuro está em definir nichos específicos para criar narrativas, produtos e comunicações mais assertivas e eficazes. 5. Narrativas fortes impulsionando categorias de produto Storytelling estratégico ganha protagonismo. Histórias bem construídas sobre matéria-prima, tecnologia e propósito agregam valor e podem até criar novas categorias de mercado, como ocorreu com as “tech t-shirts”. 6. Visão internacional de mercado A busca por conhecimento sobre o mercado externo torna-se essencial para acompanhar de perto as tendências globais, antecipar transformações do setor e manter as empresas conectadas às melhores práticas de gestão. Essa visão ampliada permite decisões mais estratégicas e competitivas. 7. Impactos da Reforma Tributária no setor têxtil O setor têxtil será impactado pela Reforma Tributária que entra em vigor em 1º de janeiro de 2026. Por isso, é essencial que as empresas monitorem a regulamentação e as normas complementares, buscando orientação técnica de entidades representativas e consultorias especializadas sempre que necessário.