Tecnologia e sustentabilidade: os novos pilares do franchising
Por Philippe Enke Mathieu* Mesmo em um cenário global ainda marcado por juros elevados, instabilidades geopolíticas e mudanças no comportamento do consumidor, o setor de franquias segue demonstrando uma característica que sempre foi central para sua sobrevivência: a capacidade de adaptação. Ao observar as tendências para os próximos meses do ano, fica claro que o franchising entra em uma nova fase de mais tecnologia, estratégia e, principalmente, com foco em eficiência. Ao longo dos últimos anos, o modelo de franquias mostrou resiliência justamente por combinar padronização com inovação. Agora, essa combinação passa necessariamente pela digitalização das operações. Plataformas integradas de gestão financeira, controle de estoque, vendas e treinamento já deixaram de ser um diferencial para se tornar parte essencial da operação. A tecnologia permite que redes cresçam com maior controle, reduzindo custos operacionais e oferecendo mais suporte aos franqueados. Nesse contexto, a inteligência artificial começa a ganhar espaço nas redes de franquias, ainda que muitas empresas estejam em fase inicial de adoção. Um estudo da Associação Brasileira de Franchising mostra que parte relevante das franqueadoras já testa ou utiliza IA para análise de dados, previsão de demanda e apoio a decisões estratégicas. O uso estruturado de dados permite decisões mais rápidas e precisas, algo essencial em um ambiente econômico volátil. A GFX – Inteligência Financeira é uma das empresas que vêm investindo em plataformas digitais em sua operação. A aposta na tecnologia busca aprimorar a gestão, organizar processos e ampliar a capacidade de análise estratégica. Outro movimento importante é a evolução dos formatos de franquia. Modelos mais compactos, híbridos e com menor investimento inicial vêm ampliando o acesso de novos empreendedores ao setor. Microfranquias, operações home based e negócios que combinam canais físicos e digitais estão ganhando espaço porque oferecem maior flexibilidade e menor risco financeiro. Para investidores e franqueados, isso significa oportunidades mais acessíveis; para as marcas, uma expansão mais ágil e capilar. A sustentabilidade também deixou de ser apenas um elemento de posicionamento institucional para se tornar parte da estratégia de crescimento. Práticas ligadas à agenda ESG – como eficiência energética, redução de desperdícios e cadeias produtivas mais responsáveis – já impactam diretamente a percepção do consumidor e a competitividade das redes. No longo prazo, negócios que incorporam esses princípios tendem a operar com mais eficiência e reputação mais sólida. Além disso, há uma mudança importante na forma como as redes estruturam sua relação com franqueados e clientes. O sucesso do franchising passa cada vez mais pela experiência oferecida em toda a jornada: desde o suporte ao empreendedor até o atendimento final ao consumidor. Plataformas de treinamento digital, comunicação mais ágil entre franqueadora e unidades e estratégias omnichannel tornam o sistema mais integrado e eficiente. Diante desse cenário, acredito que o setor caminha para um modelo ainda mais sofisticado. Tecnologia, análise de dados e sustentabilidade não são apenas tendências, são pilares de competitividade. As redes que conseguirem integrar esses elementos à sua estratégia terão mais capacidade de escalar operações, fortalecer a marca e navegar com mais segurança em um ambiente econômico incerto. Em um mundo que exige rapidez de adaptação e decisões cada vez mais baseadas em informação, o franchising tem a oportunidade de se consolidar como um dos modelos de negócio mais dinâmicos da economia. Para o futuro próximo, o desafio não será apenas crescer, mas crescer de forma inteligente. E isso passa, inevitavelmente, por inovação, eficiência e visão de longo prazo. * Philippe Enke Mathieu é CEO da GFX – Inteligência Financeira, uma das maiores plataformas de consultoria financeira do Brasil, com unidades em várias regiões do país.
Negócios que conectam pessoas e sustentabilidade ganham força em 2026
Embora apresente dificuldades de implementação para muitas empresas, a agenda ESG (Ambiental, Social e Governança) continua fazendo parte das estratégias corporativas. Dados do Panorama da Sustentabilidade 2025, desenvolvido pela Câmara Americana de Comércio para o Brasil (AMCHAM), mostram que 76% das companhias adotaram práticas sustentáveis com algum grau de maturidade, um salto de cinco pontos percentuais em relação ao ano anterior. O movimento sugere que, neste ano, negócios capazes de integrar sustentabilidade, propósito e retorno financeiro ganharão mais protagonismo no mercado brasileiro. Nesse cenário, as cooperativas despontam como alternativas naturalmente alinhadas às novas expectativas das empresas e consumidores. Uma instituição que respira essa filosofia é a Coopercompany, primeira cooperativa do Brasil do ramo de infraestrutura com foco em telecom, tecnologia e energia. Ela atua a partir de um modelo que prioriza a colaboração entre associados, a tomada de decisão democrática e a geração de valor compartilhado. Para Igor Sigiani, diretor-presidente da cooperativa, modelos de negócio em que sustentabilidade e resultado caminham juntos desde o início podem auxiliar quem busca resultados a longo prazo. “A AMCHAM aponta que 58% das empresas acreditam que a sustentabilidade gera retorno financeiro, porém têm dificuldades para metrificar esse número. O cooperativismo é um caminho que coloca a sustentabilidade no centro do negócio e nos relacionamos com a sociedade, então o cálculo é muito mais simples, embora nosso objetivo não seja o lucro”, acrescenta. Outro desafio recorrente identificado pelo Panorama é engajar lideranças e integrar a pauta sustentável à estratégia corporativa. Sigiani defende que estruturas colaborativas ajudam a reduzir essa distância. “Quando pessoas e propósito estão conectados, a sustentabilidade deixa de ser um discurso e passa a orientar escolhas reais. No cooperativismo, o cooperado é parte ativa da estratégia, o que gera mais comprometimento e visão de longo prazo”, explica. Cooperativismo no mundoOs números globais reforçam a relevância desse modelo. Hoje, existem mais de três milhões de cooperativas no mundo, responsáveis por empregar cerca de 10% da população economicamente ativa. Para Sigiani, esses dados mostram que o cooperativismo é economicamente viável, escalável e socialmente relevante. “Cooperativas são prova concreta de que é possível crescer, gerar empregos e, ao mesmo tempo, promover desenvolvimento social e ambiental”, destaca. O levantamento também revela que 87% das empresas em estágio avançado de sustentabilidade percebem maior impacto positivo na sociedade. “O mercado caminha para valorizar negócios que entregam resultado financeiro sem perder o compromisso com pessoas e com o entorno. Em 2026, esperamos ver mais empresas inspirando-se em modelos cooperativos para construir essa consistência”, conclui o diretor-presidente da Coopercompany.