As emoções que vão moldar consumo e trabalho em 2027 — e como aplicá-las na rotina corrida
Em meio ao avanço acelerado da inteligência artificial e à sensação coletiva de esgotamento, o comportamento humano entra em uma nova fase. Segundo previsões da WGSN, três estados emocionais devem guiar decisões pessoais e profissionais até 2027: Alegria Estratégica, Desvontade (desire to let go) e Otimismo Cético. Na prática, isso significa menos excesso, mais consciência e uma busca crescente por leveza, propósito e relações mais humanas, especialmente entre mulheres que equilibram carreira, casa e autocuidado. A Alegria Estratégica surge como uma resposta direta à negatividade do cotidiano e incentiva a criação de pequenos momentos de prazer ao longo do dia, como fazer pausas conscientes, ouvir música entre tarefas, caminhar alguns minutos ao ar livre ou transformar atividades comuns em experiências mais agradáveis. Já a Desvontade representa o desejo de soltar responsabilidades excessivas: aprender a dizer não, reduzir compromissos que não fazem sentido, simplificar compras e estabelecer limites claros entre trabalho e descanso. O Otimismo Cético, por sua vez, propõe usar a tecnologia como aliada, seja com aplicativos de organização, IA para tarefas repetitivas ou agendas digitais, sem abrir mão do contato humano, da empatia e do cuidado com a saúde emocional. Para Nuria Santos, especialista em comportamento, essas emoções revelam uma virada profunda de valores. “A emoção virou ferramenta de sobrevivência. As pessoas estão cansadas de viver no limite e começam a priorizar escolhas que tragam mais acolhimento, leveza e sentido. Não é desistir da vida, é desistir do excesso”, afirma. Segundo ela, o consumidor de 2027 será menos impulsivo e mais criterioso, cobrando transparência e humanidade das marcas e também de si mesmo. Ela explica que o Otimismo Cético traduz bem esse novo momento: “Existe curiosidade pela inteligência artificial, mas também um cuidado maior. Queremos inovação, sim, mas exigimos ética, empatia e ambientes mais humanos. Na vida real, isso passa por organizar melhor o tempo, respeitar o próprio ritmo e escolher produtos e serviços que realmente facilitem o dia a dia”. Para Nuria, especialmente entre mulheres sobrecarregadas, essa mudança já impacta carreira, consumo e autoestima. Como aplicar essas tendências hoje (mesmo com a agenda cheia) Pratique a Alegria Estratégica Exercite a Desvontade Adote o Otimismo Cético No fim, o futuro aponta menos para produtividade extrema e mais para escolhas conscientes. Em 2027, viver bem não será sobre fazer tudo, mas sobre fazer melhor, com mais presença, limites e propósito.
Soft skills em alta: por que agências digitais precisam desenvolver líderes além da técnica
No ambiente atual de negócios digitais, dominar ferramentas e técnicas deixou de ser suficiente para garantir sucesso organizacional. Soft skills, competências comportamentais e interpessoais como comunicação, empatia, resolução de problemas e liderança, estão ganhando espaço nos critérios de desempenho e contratação. Essa mudança decorre de uma realidade em que as máquinas passam a executar tarefas rotineiras e a interação humana se torna diferencial competitivo, especialmente em equipes sujeitas a mudanças constantes, trabalho híbrido e demandas complexas. Robson V. Leite é mentor especializado em estruturação e performance para negócios digitais e agências. Com quase duas décadas de atuação e vasta experiência prática, ele acompanha as transformações do mercado e o papel crescente das competências humanas na liderança de equipes e na gestão de operações. Sua perspectiva é baseada em casos reais de empresas que adaptaram sua estrutura para priorizar habilidades comportamentais ao lado do conhecimento técnico. Os dados sobre o crescente peso das soft skills são claros. Um relatório do Evermonte Institute destaca que, em 2025, comunicação e escuta ativa foram apontadas por mais de 70 % dos executivos como as habilidades mais demandadas nas contratações, seguidas de inteligência emocional e resiliência, indicadores que refletem a valorização crescente das competências humanas no trabalho. Essa tendência surge em meio a ambientes colaborativos e integrados onde as competências técnicas precisam ser complementadas por habilidades que favoreçam diálogo, adaptação e coesão de equipe. Essa valorização das soft skills faz sentido em um cenário em que liderar não é apenas distribuir tarefas, mas também interpretar sinais sociais, administrar conflitos, motivar times e conduzir mudanças sem perder foco estratégico. Para o mentor de agências, “habilidades como empatia, resolução de problemas e comunicação clara não são apenas complementares; são pilares da liderança em ambientes onde a mudança é constante”. Essa perspectiva se alinha à ideia de que líderes totalmente centrados na técnica podem enfrentar limitações quando precisam mobilizar equipes ou responder a situações inesperadas. De fato, competências humanas permitem que gestores compreendam contextos mais amplos, antecipem riscos e alinhem pessoas a um propósito comum. A literatura sobre o tema indica que, além de habilidades cognitivas, atributos como adaptabilidade e inteligência emocional favorecem ambientes mais colaborativos e produtivos. À medida que o uso de ferramentas automatizadas cresce e rotinas operacionais se tornam mais eficientes, as soft skills emergem como fonte de vantagem competitiva, pois apenas pessoas conseguem cultivar um clima organizacional saudável e decisões estratégicas com impacto humano. Nas agências digitais, essas competências estão diretamente ligadas ao sucesso de projetos que envolvem múltiplas partes interessadas, ciclos curtos de feedback e mudanças frequentes em demandas de clientes. A capacidade de ouvir, ajustar expectativas e comunicar decisões de forma transparente pode ser tão determinante quanto a execução técnica de uma campanha. “Liderar equipes que trabalham com tecnologia exige não apenas capacidade técnica, mas sensibilidade para interpretar o ambiente e promover colaboração contínua”, conclui Robson V. Leite. A adoção desse enfoque comportamental também influencia a retenção de talentos. Profissionais que percebem oportunidades de crescimento em habilidades humanas sentem‑se mais valorizados e engajados, o que contribui para reduzir rotatividade e fortalecer a cultura organizacional. Do ponto de vista da performance, equipes com equilíbrio entre hard skills e soft skills tendem a superar obstáculos com maior rapidez e a adaptar‑se melhor a mudanças de mercado, o que é crucial no ambiente volátil do marketing digital.