Especialista aponta sete estratégias para varejo de moda transformar o Carnaval em motor real de crescimento

Muito além de fantasias e ações promocionais pontuais, o Carnaval vem se consolidando como uma janela estratégica para o varejo brasileiro. Em 2025, o comércio registrou crescimento de 13,1% nas vendas durante o período carnavalesco em comparação com o mesmo intervalo de 2024, segundo o Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA). No ambiente digital, pequenas e médias empresas do e-commerce faturaram cerca de R$ 2,7 milhões entre 1º de janeiro e 25 de fevereiro de 2025, um avanço de 32% na comparação anual, de acordo com levantamento da Nuvemshop. Para Eduardo Schuler, CEO da Smart Consultoria e especialista em Growth Hacking, esses números mostram que datas sazonais continuam relevantes, mas apenas para marcas que sabem ir além do calendário. “O erro de muitas empresas é tratar o Carnaval como uma campanha isolada. Marcas que crescem usam a data como parte do motor de aquisição, conversão e fidelização”, afirma. A seguir, o especialista aponta sete estratégias para transformar o Carnaval em crescimento real no varejo de moda: 1. Microcoleções com giro rápido Lançamentos enxutos e focados permitem testar tendências sem grandes riscos de estoque. “Em vez de apostar em grandes volumes, o ideal é trabalhar microcoleções que possam ser rapidamente ajustadas conforme a resposta do público. Velocidade hoje vale mais do que perfeição”, pontua Schuler. 2. Decisões guiadas por dados, não por intuição Dados de busca, histórico de vendas e comportamento online pode ajudar a definir cores, modelos e faixas de preço, evitando que a loja perca o tato e caia no erro. “O feeling sozinho ficou caro demais. Quem usa dados erra menos e aprende mais rápido”, explica o especialista. 3. Edições limitadas para gerar urgência Coleções especiais e quantidades reduzidas estimulam a compra imediata, especialmente em períodos em que a procura é ainda mais intensa. Para Schuler: “Escassez bem planejada aumenta percepção de valor e acelera a decisão de compra.” 4. Social commerce como canal de venda Redes sociais precisam ir além da vitrine e, com a captação de atenção, fica menos desafiador despertar o interesse. “Lives, links diretos e criadores de conteúdo não são só branding, são canais de conversão”, explica o CEO. 5. Kits e looks prontos Combinações fechadas facilitam a jornada do consumidor. “Quanto menos esforço cognitivo o consumidor precisa fazer para decidir, maior tende a ser sua propensão a concluir a compra e, consequentemente, gastar mais”, pontua. 6. Carnaval como porta de entrada de clientes Para Schuler, a data deve gerar relacionamento, não apenas venda. “Com uma experiência postitiva na loja, o cliente certamente se lembrará. O verdadeiro lucro está no pós-venda: cadastro, remarketing e recompra.” 7. Monitoramento diário e ajustes rápidos Campanhas precisam ser otimizadas em tempo real, especialmente para não sair no prejuízo. “Quem espera o fim da campanha para analisar dados já perdeu dinheiro”, explica o especialista. Segundo Schuler, o principal diferencial está na mentalidade. “Quando a marca enxerga o Carnaval como laboratório de aprendizado e não só como data promocional, ela constrói um crescimento que se estende muito além da folia”, finaliza.

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