Decisão de compra acontece na pesquisa e não na venda

Pesquisas do Google indicam que a decisão de compra passou a ocorrer majoritariamente antes do contato direto com as empresas. Estudos contínuos sobre comportamento do consumidor mostram que mais de oito em cada dez pessoas iniciam a jornada no ambiente digital combinando buscadores mapas vídeos e avaliações. Quando considerados múltiplos pontos de contato esse percentual supera 90%,  segundo análises publicadas pelo Think with Google. Rafael Somera CEO da Solutudo avalia que a principal mudança está no aumento do número de fontes consultadas antes da escolha final. “O consumidor não decide com base em uma única referência. Ele cruza informações para comparar opiniões e validar reputação antes de avançar”, afirma. Segundo ele, a decisão se constrói de forma silenciosa distribuída ao longo da pesquisa. Relatórios do McKinsey Company ajudam a dimensionar esse comportamento. A consultoria aponta que consumidores transitam em média por três a seis canais diferentes antes de comprar sem uma ordem fixa. Buscadores redes sociais marketplaces sites institucionais e plataformas de avaliação coexistem no processo substituindo o antigo funil linear. Essa multiplicação de fontes está diretamente ligada à consolidação da economia da atenção. Dados da DataReportal mostram que o brasileiro passa mais de nove horas por dia conectado à internet, o maior tempo médio global. O excesso de estímulos reduz a tolerância a ruídos, encurta a atenção e faz com que sinais de confiança definam rapidamente quais marcas seguem sendo consideradas. Nesse contexto, a validação social ganhou peso estratégico. Pesquisas da BrightLocal indicam que 98 por cento dos consumidores consultam avaliações online antes de decidir, sobretudo em negócios locais. Informações incompletas, perfis desatualizados ou ausência de comentários funcionam como fator de exclusão, interrompendo a jornada e devolvendo o consumidor à busca inicial. Para Somera muitas empresas ainda subestimam esse processo. “Elas falam como se o consumidor estivesse ouvindo quando na prática ele está comparando”, diz. Segundo ele, a presença digital deixou de ser uma ação de marketing e passou a integrar a operação do negócio. Na prática isso significa que a decisão acontece enquanto o consumidor cruza dados de diferentes fontes, muitas vezes sem qualquer interação direta com a marca. “O consumidor consulta buscadores, mapas, avaliações redes sociais e sites oficiais antes mesmo de cogitar falar com alguém”, afirma. Quando não encontra sinais claros de atividade coerência ou reputação a exclusão é imediata e silenciosa. Esse comportamento reduziu o peso do discurso comercial tradicional. Estratégias baseadas apenas em campanha mídia paga ou abordagem ativa perdem eficácia quando não são sustentadas por informações consistentes nos ambientes de pesquisa. “Hoje não basta ser bom. É preciso parecer confiável em todos os pontos onde o consumidor verifica”, afirma. Para o executivo, empresas que ainda tratam esses canais como acessórios ignoram que a comparação passou a ser o centro da decisão. “O consumidor não está esperando ser convencido. Ele está eliminando opções”, diz. Em um ambiente de concorrência elevada e atenção escassa, estar presente de forma coerente em diferentes fontes de consulta tornou-se condição básica para entrar no conjunto considerado pelo consumidor.

Inteligência Artificial e Desenvolvimento de Lideranças foram as competências mais demandadas em 2025

Com a aceleração da transformação digital, as empresas brasileiras intensificaram a busca por profissionais capacitados em tecnologias emergentes e habilidades interpessoais estratégicas. Uma análise da Alura + FIAP Para Empresas indica que competências como Inteligência Artificial (IA), desenvolvimento de lideranças e aceleração do aprendizado dominaram a agenda corporativa em 2025, refletindo a importância da combinação de novas habilidades.  A pesquisa “Educação Tech & Inovação nas Empresas 2025/26”, conduzida pela empresa, traz dados quantitativos que reforçam esse cenário, revelando que 81% das organizações já percebem impacto positivo da Inteligência Artificial na performance dos times, atribuindo uma nota média de 9,2 em uma escala de 0 a 10 para a contribuição da IA nos resultados. “A capacitação e o desenvolvimento de competências tecnológicas são pilares fundamentais para as empresas que desejam responder com agilidade às transformações do mercado e se manter competitivas”, destaca Tavane Gurdos, diretora geral da Alura + FIAP Para Empresas. “É necessário preparar pessoas de todas as áreas para pensar estrategicamente a tecnologia e saber usá-la como um ativo de inovação.” Competências em alta e cursos mais procurados Além dos dados da pesquisa, o levantamento aponta que, em 2025, as competências tecnológicas mais demandadas incluem, além da Inteligência Artificial, áreas tradicionais como programação, cibersegurança, cloud computing e análise de dados. Paralelamente, habilidades interpessoais como comunicação eficaz, inteligência emocional e oratória ganharam destaque, reforçando a necessidade de um desenvolvimento integrado entre o técnico e o humano. Os cursos mais procurados refletem essa diversidade, com foco em trilhas que vão desde os primeiros passos em programação e lógica, passando por linguagens como JavaScript e Python, até temas avançados como engenharia de prompt para IA generativa e ferramentas de análise de dados, como Power BI. Além disso, conteúdos voltados para o uso estratégico de IA, como ChatGPT, e metodologias ágeis também estiveram entre os destaques. Desafios e tendências para 2026 A pesquisa também destaca que apenas 13% das empresas se consideram digitalmente maduras, o que reforça a necessidade de investimentos contínuos em educação tecnológica. Apesar do avanço já observado em desenvolvimento de pessoas, as empresas ainda enfrentam desafios para capacitar seus colaboradores na velocidade das mudanças tecnológicas. “O caminho para continuar crescendo e inovando é sempre ter o foco em habilitar as pessoas para usarem todo o potencial tecnológico disponível hoje, com habilidades técnicas e interpessoais que permitam navegar pelas transformações do mercado”, afirma Tavane Gurdos. O avanço passa não apenas por adotar novas ferramentas, como IA, mas por desenvolver pessoas capazes de usá-las e de gerar valor. “Hoje, não basta conhecer o básico de IA e outras tecnologias, é preciso ser estratégico no seu uso para gerar impacto real”, complementa a diretora. Para se manterem competitivas, as empresas precisam combinar a adoção de novas tecnologias a lideranças preparadas, jornadas de aprendizado personalizadas e uma cultura que sustente a evolução contínua.

Brasil registra salto no empreendedorismo e na adoção de IA por PMEs, segundo novo relatório do LinkedIn

O LinkedIn, maior rede profissional do mundo, divulga o novo SMBs Work Change Report, relatório proprietário que mostra que pequenos e médios negócios estão entrando em uma fase de transformação profunda, impulsionada pela rápida adoção da inteligência artificial, pela necessidade de construir marcas mais autênticas e pela importância crescente da construção de comunidades. A análise considera dados globais e o comportamento de profissionais e empresas no Brasil. No país, o empreendedorismo vive um novo impulso. O número de profissionais com  o título de “founder” em seus perfis no LinkedIn cresceu 64% no último ano, quase o triplo do registrado  em 2022, indicando que cada vez mais brasileiros  estão abrindo seus próprios negócios e buscando caminhos profissionais mais independentes. “A inteligência artificial está redefinindo a forma como as PMEs operam, tomam decisões e crescem. Mas nosso estudo mostra que tecnologia sozinha não sustenta crescimento. Confiança, reputação e conexões humanas continuam sendo os pilares que transformam inovação em resultado de longo prazo”, afirma Milton Beck, Diretor Geral do LinkedIn para a América Latina. Inteligência artificial: de tendência a ferramenta prática Para as PMEs, a IA deixou de ser apenas uma promessa futura e passou a fazer parte da rotina. No Brasil, 85% dos profissionais de pequenas e médias empresas afirmam que a tecnologia vai melhorar seu dia a dia de trabalho, refletindo otimismo. Além disso, 43% já utilizam IA para tarefas mais avançadas, como estratégia e análise de dados — um ritmo de adoção mais rápido do que o da média global. Além disso, há um sentimento crescente de que a tecnologia esteja contribuindo para abrir novas portas: 67% dos profissionais brasileiros de PMEs dizem que a IA os fez considerar caminhos como o empreendedorismo, algo que também aparece em mercados globais, especialmente entre jovens empreendedores. Marca, confiança e fator humano ganham protagonismo Com a avalanche de conteúdo impulsionado por IA, a confiança se consolida como moeda de valor. No Brasil, 72% dos profissionais de marketing alocados em pequenas e médias empresas afirmam que o fator humano é essencial para gerar credibilidade na comunicação com clientes. Clientes e parceiros aparecem como as vozes que mais constroem confiança (72%), seguidos por criadores e influenciadores (61%), reforçando a importância da prova social e da autenticidade.  Redes e comunidades aceleram decisões As conexões profissionais seguem desempenhando um papel central nesse novo modelo de crescimento. Globalmente, 78% dos líderes de pequenas e médias empresas afirmam que construir uma rede profissional forte é fundamental para crescer e 76% afirmam que construir marcas é essencial para atingir seus objetivos nos próximos anos. No Brasil, profissionais de PMEs dizem equilibrar tecnologia e relações humanas ao buscar orientação no trabalho, apontando tanto a IA quanto suas redes de trabalho como fontes relevantes de apoio para decisões mais rápidas e seguras. Skills para 2026: tecnologia e habilidades humanas caminham juntas O relatório também aponta que tecnologia sozinha não basta. 75% das PMEs globalmente acreditam que habilidades humanas — como comunicação, criatividade e colaboração — serão ainda mais importantes na era da IA. Essa visão já se reflete nas contratações: 81% dos líderes de pequenas e médias empresas dizem preferir candidatos com as qualificações certas, mesmo sem diploma. No Brasil, o desenvolvimento dessas competências tende a ser prático e acessível. Profissionais de PMEs preferem aprender por meio de tutoriais virtuais (42%), contato com especialistas (29%) e projetos reais (28%), mostrando como o país avança rapidamente na construção de habilidades para o futuro do trabalho. Metodologia A metodologia completa está disponível no relatório aqui.

Política, esporte e segurança pública lideraram as conversas digitais em 2025, aponta Timelens

Política, esportes, segurança pública e violência estiveram entre os principais assuntos comentados no universo digital em 2025. É o que aponta um levantamento feito pela  Timelens, empresa de tecnologia e inteligência de dados, do ecossistema FutureBrand São Paulo, que mapeou 15 dos principais temas presentes no dia a dia e no feed dos brasileiros e seus respectivos volumes de conversas digitais em redes sociais, notícias e fóruns até 15 de dezembro de 2025, totalizando milhões de menções. Em 2025, o tema de política registrou 125,4 milhões de menções, permanecendo como o tema dominante, enquanto esportes somaram 61,3 milhões e segurança pública e violência alcançaram 35,44 milhões de menções, ultrapassando entretenimento em relevância. Trabalho, entretenimento, educação, tecnologia e IA, economia, religião, transporte, saúde pública, clima, saúde mental, cansaço e golpes digitais completam a lista dos 15 grandes eixos de conversa medidos pelo estudo. Segurança pública em alta Um dos principais destaques da retrospectiva é a ascensão da pauta de segurança pública, que saiu da sexta posição em 2024 para o terceiro lugar em 2025 entre os temas mais comentados. Casos como o “Caso Vitória”, a denúncia do “Felca” e uma megaoperação no Rio de Janeiro, descrita como uma das maiores da história, ajudaram a impulsionar menções, buscas e a percepção negativa em torno do tema. “O crescimento expressivo pelo assunto nas redes reflete uma combinação de medo cotidiano e exposição constante a episódios de violência e uma sensação de vulnerabilidade que atravessa diferentes classes sociais. Quando casos ganham grande repercussão nas redes e na mídia, eles deixam de ser episódios isolados e passam a simbolizar uma preocupação coletiva com a capacidade do Estado de garantir proteção”, afirma Renato Dolci, Diretor de Dados da Timelens. Economia, custo de vida e inflação Economia, por sua vez, foi o tema que mais cresceu em menções e buscas de um ano para o outro, impulsionado por discussões sobre o “tarifaço” anunciado por Donald Trump, a alta do café e o aumento do IOF. Perguntas como “Por que o café está caro?” apareceram entre as mais buscadas, mostrando como o impacto direto no bolso do consumidor pautou o interesse do público ao longo de 2025. Entretenimento, esportes e ícones do ano Entretenimento e esportes seguiram na liderança entre os temas com mais menções de sentimento positivo, impulsionados por feitos como o Oscar de “Ainda Estou Aqui” e pelo interesse em grandes clubes e competições, como o Mundial de Clubes, PSG e Chelsea, que figuraram entre as maiores buscas do ano. No campo das personalidades, João Fonseca foi a figura mais buscada de 2025, enquanto Donald Trump apareceu como a segunda personalidade mais pesquisada.  Sentimentos, exaustão e queda do clima No polo negativo, cansaço, burnout e exaustão se destacaram entre os temas com maior proporção de menções negativas, ao lado de segurança pública e da crise de adulteração de bebidas por metanol, que ganhou grande repercussão nas conversas. Em contrapartida, clima e desastres naturais foi o tema que mais perdeu espaço em volume de menções em relação a 2024, ano marcado por eventos extremos como as inundações no Rio Grande do Sul e o furacão Milton, que não se repetiram na mesma intensidade em 2025. “O contraste entre o alto engajamento positivo em entretenimento e esportes e o crescimento de menções ligadas ao cansaço e à exaustão revela um comportamento típico de períodos de tensão social: ao mesmo tempo em que a sociedade busca distração e pertencimento, ela também expressa fadiga, ansiedade e preocupação com o cotidiano”, encerra Renato.

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