Networking está banalizado? Comunidade vale mais que troca de cartões
Por Marco Casagrande, CMO e sócio-fundador da Escola Mira As conexões realmente fazem diferença na hora de crescer na carreira, mas talvez não da forma como muitos imaginam. O relatório da plataforma MyPerfectResume revela que 54% dos trabalhadores conseguiram um emprego por meio de uma conexão pessoal ou profissional em 2025. O dado reforça que oportunidades costumam surgir de relações construídas ao longo do tempo. No entanto, é preciso entender a diferença entre relacionamentos e contatos. Ampliar a rede profissional não significa apenas acumular nomes e trocar cartões em eventos. Na prática, conexões que realmente geram oportunidades costumam surgir por meio de comunidades, ou seja, relações construídas com tempo, confiança e convivência. Nos últimos anos, houve a banalização da palavra networking. Embora o termo tenha se popularizado no ambiente corporativo, a ideia de construir redes de apoio e cooperação é muito mais antiga. Ainda assim, diferente de encontros rápidos voltados à troca de contatos, essas estruturas se baseavam em relações duradouras, nas quais o senso de pertencimento e colaboração vinha antes de qualquer interesse imediato de negócio. Nesse contexto, mais importante do que a simples troca de cartões é o fortalecimento de comunidades. Atividades compartilhadas, como práticas esportivas, grupos de interesse ou iniciativas culturais, costumam criar ambientes mais propícios para o surgimento de relações genuínas. Quando a convivência acontece de forma natural, o vínculo entre as pessoas se fortalece e, muitas vezes, parcerias e oportunidades profissionais surgem como consequência, mas não como objetivo imediato. É importante falar isso porque muitos profissionais se sentem frustrados porque não conseguem investir tempo e dinheiro em eventos e iniciativas que prometem ampliar o networking, mas que na maioria das vezes geram apenas contatos superficiais e promessas de acompanhamento. Não que convidar alguém para um café com a intenção de apresentar uma proposta de negócio seja um problema. A questão é que, em muitos casos, esses encontros são apresentados como oportunidades de relacionamento quando, na verdade, têm apenas o objetivo de consumar uma venda. Isso não significa fortalecer vínculos, mas sim adotar uma estratégia comercial, o que é legítimo, desde que essa intenção esteja clara desde o início. Relacionamentos são importantes, sim. Por isso, ao invés de focar apenas em ampliar a lista de contatos, pode ser mais interessante frequentar ambientes que façam sentido para os próprios interesses. Atividades como esportes, grupos culturais ou hobbies compartilhados criam espaços de convivência mais espontâneos. No meu caso, minha comunidade está no campo de golfe, em que as pessoas passam horas juntas no campo e, entre uma jogada e outra, as conversas avançam para indicações a partir de experiências reais e que realmente geram valor. O mercado está carente de conexões genuínas e do verdadeiro espírito de comunidade. Marco Antonio Casagrande, é psicólogo comportamental, CMO e sócio-fundador da Escola Mira, rede de franquias especializada no desenvolvimento de habilidades de empreendedorismo para crianças e jovens. Especializado em Psicologia Comportamental, com mais de 15 anos de experiência em Recursos Humanos, possui MBAs e especializações pela Fundação Getúlio Vargas e participou de programas internacionais em Harvard, Stanford e MIT. Sua vivência nas startups da Califórnia, no ecossistema do Vale do Silício, foi decisiva para construir uma visão inovadora sobre liderança, educação e comportamento humano. É autor do livro “Tem coisa mais importante do que o vestibular?”.
Networking executivo deixou de ser evento social e virou ferramenta estratégica de negócios
Por Felipe Guimarães Eu acompanhei de perto a mudança do networking executivo nos últimos anos. O que antes era visto como encontro social hoje funciona como ferramenta direta de geração de negócios. Empresários não buscam mais apenas visibilidade. Eles buscam conexão qualificada, decisão rápida e resultado concreto. O mercado ficou mais competitivo. As empresas precisam vender mais, reduzir risco e acelerar parcerias. O relacionamento deixou de ser acessório. Ele passou a ser ativo estratégico (recurso que gera valor para o negócio). Quem entende isso cresce com mais consistência. Atuei nos setores de saúde corporativa, seguros, eventos empresariais e projetos esportivos. Fui lojista em grandes shopping centers e administrei mais de dez lojas ao mesmo tempo. Essa experiência me ensinou uma lição simples: relacionamento certo reduz custo e aumenta oportunidade. Quando ocupei o cargo de diretor de comunicação da CDL Jovem de Salvador, percebi outro ponto importante. O empresário quer acesso, não apenas exposição. Ele quer sentar à mesa com quem decide, trocar informação relevante, resolver problema real. O networking executivo moderno organiza esse ambiente. Ele seleciona perfis, define objetivo claro e aproxima pessoas com interesses compatíveis. Esse processo reduz ruído e aumenta eficiência. Não se trata de distribuir cartões. Trata-se de criar pontes com intenção. Muitos eventos ainda mantêm formato antigo. Reúnem muitas pessoas, mas geram pouca conexão efetiva. O empresário perde tempo quando não há curadoria (processo de seleção estratégica). Ele sai com contatos, mas sem avanço real. Eu passei a estruturar projetos com foco em ecossistema (rede organizada de empresas, profissionais e instituições que interagem). Isso permite continuidade, mantém diálogo ativo e estimula parceria recorrente. O resultado aparece no médio e longo prazo. Networking estratégico exige método. Primeiro, é preciso clareza de posicionamento. A empresa deve saber quem é, o que entrega e para quem vende. Depois, ela precisa escolher os ambientes certos. Nem todo evento faz sentido para todo perfil. Por fim, ela deve acompanhar as conexões feitas. Relacionamento sem acompanhamento perde força. A confiança continua sendo a base. A diferença está na forma como ela se constrói. Hoje, o empresário valida reputação antes de fechar negócio, observa histórico, entrega e coerência. O relacionamento abre a porta, mas a consistência mantém a parceria. Eu também acredito no impacto social como parte do processo. Projetos que conectam empresários a iniciativas sociais fortalecem reputação institucional (imagem pública da empresa). Eles criam valor compartilhado. Eles ampliam alcance. O negócio cresce junto com a comunidade. Networking executivo não sobre socializar. É ferramenta de expansão. Ele acelera negociação, encurta caminho e reduz incerteza. Empresas que tratam relacionamento como estratégia ocupam espaço com mais segurança. O mercado não valoriza presença vazia. Valoriza conexão útil. Quem entende essa lógica constrói rede forte, gera oportunidade constante e transforma relacionamento em resultado. *Felipe Guimarães é empresário com atuação consolidada no Brasil, reconhecido pela articulação de ecossistemas empresariais e projetos de networking executivo de alto impacto. Com trajetória construída a partir da prática, atuou nos setores de saúde corporativa, seguros, eventos empresariais e projetos esportivos. Foi lojista em grandes shopping centers, com operação simultânea de mais de dez lojas, experiência que desenvolveu em paralelo ao cargo de diretor de comunicação da CDL Jovem de Salvador. É idealizador de iniciativas que conectam empresários, instituições e projetos de impacto social, unindo gestão estratégica, relacionamento qualificado e visão de longo prazo.
A nova cara do networking: comunidades empresariais avançam como ferramenta de decisão e desempenho nos negócios
A participação de empresários em redes profissionais estruturadas passou a ser analisada como um fator associado ao desempenho e à qualidade das decisões estratégicas nas empresas. Um estudo publicado em 2025 no American Journal of Social Sciences and Humanities identificou relação positiva e estatisticamente significativa entre práticas de networking empreendedor, difusão de conhecimento e indicadores de performance em pequenas e médias empresas, reforçando o papel das redes como ativo econômico. A pesquisa se soma a um conjunto crescente de estudos que apontam que a aprendizagem entre pares e a cooperação organizada contribuem para ampliar acesso à informação, reduzir assimetrias de conhecimento e apoiar decisões em contextos de crescimento, expansão ou reposicionamento estratégico. Esse movimento tem impulsionado a profissionalização de comunidades empresariais, que deixam de operar apenas como espaços informais de relacionamento e passam a funcionar como plataformas estruturadas. Nesse contexto, modelos como o Clube CDC se posicionam como um ambiente voltado ao desenvolvimento comercial e à conexão entre empresários de diferentes setores, com foco em discussões práticas e relacionamento contínuo. A estratégia privilegia encontros recorrentes e curadoria de participantes, alinhando troca de experiências a temas diretamente ligados ao cotidiano empresarial. “O empresário hoje precisa de espaços objetivos, onde seja possível discutir problemas reais e tomar decisões mais bem informadas”, afirma Rodrigo Monteiro, Presidente do CDC. “A proposta é criar um ambiente de troca entre pessoas que estão em momentos decisivos dos seus negócios”, completa. A lógica de curadoria aparece como um dos elementos centrais desse tipo de iniciativa. Para Jéssica Amorim, sócia do clube, o critério na formação do grupo é determinante para a qualidade das trocas. “Networking só faz sentido quando existe alinhamento de perfil e maturidade empresarial. A curadoria é o que garante que as conversas sejam relevantes e aplicáveis”, diz. Com a consolidação desse tipo de iniciativa, comunidades empresariais passam a ocupar um espaço mais claro dentro da estratégia de crescimento das empresas. Em um ambiente de negócios marcado por incerteza, pressão por eficiência e decisões cada vez mais complexas, plataformas que estruturam a troca entre empresários deixam de ser periféricas e passam a integrar o repertório de ferramentas utilizadas por líderes que buscam ampliar desempenho, reduzir riscos e acessar oportunidades de forma mais qualificada.