Brasileiro curte o Carnaval e mantém o foco em bem-estar nas semanas anteriores e após a folia
Levantamento da Macfor mostra que embora o consumidor esteja cada vez mais atento a marcas de fitness e wellness, ele não renuncia às experiências das festas O Carnaval é conhecido como um dos períodos de maior consumo de álcool do ano, com dias seguidos de exposição ao sol e alimentação pouco nutritiva. Apesar da impressão de que os brasileiros ignoram a saúde e a boa forma durante o mês de festa, os dados de comportamento de busca online revelam uma preocupação considerável tanto na preparação para as festividades quanto na recuperação pós-folia. A Macfor, agência de marketing digital full service, analisou o volume de buscas por marcas de bem-estar antes e após o Carnaval, identificando um padrão de comportamento nos últimos quatro anos. O estudo comprova que o consumidor brasileiro aumenta a procura por certos produtos relacionados a wellness justamente nas semanas próximas a folia, apresentando picos de interesse nos dias anteriores e posteriores. O mercado de suplementação alimentar aquece na semana anterior e nos dias logo a seguir ao Carnaval. Durante os anos analisados, o volume de buscas pela marca Growth aumentou 62,4% e, neste ano, segue crescendo na semana que antecede as festividades. Já a marca Integralmedica subiu 20,2% no mesmo intervalo. Neste ano, a marca também repete o padrão de aumento. Esse parâmetro revela a queda pontual do interesse do consumidor nos dias de pico da festa, seguida de forte retomada na semana seguinte. Isso indica que o brasileiro pode não pesquisar sobre suplementação durante o Carnaval, mas a retomada acontece de forma imediata, demonstrando que a preocupação com boa forma e bem-estar não desaparece, ela aparece em outros comportamentos. No Carnaval, marcas de skincare exploram a oportunidade de associação da festa ao verão. A Nivea registrou crescimento de 8% nas buscas nos últimos três anos no período de Carnaval. Em 2026, na semana que antecede a folia, o volume de buscas pela marca está em crescimento, impulsionado por campanhas para a festa, como a parceria com a influenciadora Patricia Ramos, além da ativação no BBB 26. A estratégia de associar a marca à imagem do verão e Carnaval aos cuidados com a pele durante a exposição solar tem encontrado um público receptivo. No segmento de reidratação e recuperação, o Carnaval permanece como o segundo maior pico anual de buscas por Engov, atrás apenas do fim de ano. Além disso, sua aposta é na reinvenção com o lançamento da linha Engov After ano passado e a versão repaginada do Engov After Citrus para este ano. Apesar da procura por produtos de wellness aumentar nas semanas de festas do Carnaval, o volume de buscas pela cerveja sem álcool, Budweiser Zero, não segue o mesmo padrão. Isso indica que embora a preocupação com o bem-estar esteja presente, durante o Carnaval, o consumidor não evita bebidas alcoólicas, visto que ao longo dos dias de festa, a busca pela Budweiser original aumenta e a sem álcool diminui. “A diferença nas buscas por marcas de bem-estar e cerveja sem álcool no Carnaval mostra que o brasileiro busca o autocuidado sem abrir mão da experiência completa da data. Portanto, há uma grande oportunidade para as marcas de wellness antes e depois da festa, já que muitos preferem investir em prevenção e recuperação”, conclui Fabrício Macias, cofundador e VP de marketing da Macfor. O levantamento examinou dados públicos de volume de buscas no Google pelas marcas mencionadas entre janeiro e março dos anos de 2022 a 2025, além de incluir o período até fevereiro de 2026, comparando as semanas de Carnaval com o restante do ano.
Jogo e halftime show criam públicos distintos no Super Bowl e obrigam marcas a rever decisões de mídia
Por Fabrício Macias, cofundador e VP de Marketing da Macfor O Super Bowl LX, jogo anual do campeonato da National Football League (NFL), a principal liga de futebol americano dos Estados Unidos, aconteceu neste domingo (8), em Santa Clara, na Califórnia, e trouxe como atração do halftime show Bad Bunny, cantor que há poucos dias se tornou o vencedor do Grammy de Álbum do Ano com seu disco “Debí Tirar Más Fotos”. O evento, que celebra sua 60ª edição em 2026, atrai anualmente mais de 120 milhões de telespectadores apenas nos Estados Unidos, mas o halftime show conquistou audiência própria que, em alguns anos, superou até mesmo a do jogo. A escolha do artista reforça uma transformação que vem acontecendo há três décadas, com o intervalo da final deixando de ser coadjuvante e se consolidando como um dos momentos mais assistidos da televisão americana. Até 1992, o halftime show era considerado momento de ir ao banheiro. Mas, no ano seguinte, Michael Jackson inverteu essa lógica ao reunir 133,4 milhões de telespectadores, superando pela primeira vez a audiência do próprio jogo, número que permanece recorde até hoje. Kendrick Lamar alcançou 133,5 milhões de espectadores no ano passado, mas esse dado inclui visualizações posteriores. O que Michael provou foi que existe uma audiência massiva disposta a sintonizar o canal especificamente para o show, não para o esporte. E essa foi a virada de chave. Essa divisão criou um fenômeno mercadológico em que eventos que operam com duas curvas de interesse sobrepostas no mesmo espaço-tempo. Fãs de futebol americano ligam a TV às 20h30 e desligam por volta de 00h. Outro público liga a TV às 22h, assiste 13 minutos de show e some. Marcas que planejam ativações ignorando essa segmentação perdem metade do investimento. A diferença entre esses públicos não está apenas no interesse por esporte ou música, está no comportamento de consumo de conteúdo durante o evento. Quem assiste ao jogo tende a manter atenção linear na TV, com picos de engajamento digital em lances decisivos. Quem vem pelo show já está com o celular na mão antes mesmo de o artista subir ao palco, procurando conteúdo complementar, teorias sobre participações especiais e registros de bastidores. Marcas que montam estratégias de conteúdo apenas para o momento do intervalo desperdiçam três horas de atenção qualificada da audiência esportiva. Marcas que pensam apenas em ativações para o show perdem a oportunidade de construir narrativa com quem está presente desde o começo. A solução está em desenhar jornadas paralelas que se encontram no momento de pico, mas que funcionam de forma autônoma antes e depois dele. Um exemplo prático: campanhas de real-time marketing durante o jogo capturam a atenção de quem valoriza referências esportivas. Conteúdo preparado para viralizar logo após o show captura quem acabou de descobrir ou redescobrir o artista. As duas estratégias cabem no mesmo evento, mas exigem equipes, linguagens e principalmente canais diferentes. A escolha de Bad Bunny como headliner do Super Bowl LX reflete a estratégia da NFL de ampliar o alcance cultural do evento. O porto-riquenho acumula bilhões de streams globais, sendo o artista mais ouvido do ano de 2025, e carrega consigo milhões de ouvintes latinos. A Liga viu na escolha uma oportunidade de estreitar laços com esse público, movimento que se conecta diretamente com as ações da liga no Brasil. Jogos foram realizados em São Paulo em 2024 e 2025, uma partida foi confirmada no Rio de Janeiro para 2026, e o país se consolidou como peça-chave na estratégia de expansão internacional da organização. A NFL entende que expandir geograficamente exige expandir culturalmente. Essa lógica de segmentação cultural amplia o conceito de dupla audiência, e cada escolha artística ativa universos de consumo específicos. Assim, marcas que mapeiam esses ecossistemas antes do evento ganham vantagem de posicionamento e conseguem construir narrativas que dialogam com camadas distintas de público no mesmo espaço. O que isso muda na prática para decisões de mídia Eventos de dupla audiência exigem orçamento fragmentado em múltiplas frentes, não concentrado em um único momento de impacto. Inserções comerciais durante o jogo custam cerca de US$7 milhões por 30 segundos, mas atingem majoritariamente a audiência esportiva. Ativações digitais coordenadas com o halftime show representam um investimento menor e capturam um público que sequer viu os comerciais. O erro recorrente é tratar o Super Bowl como bloco único de mídia. A estrutura correta envolve: conteúdo pré-jogo para captura de atenção antecipada, estratégia específica para os quatro quartos do jogo, ativação concentrada no intervalo e desdobramento pós-show para manutenção de engajamento. Cada etapa fala com uma composição diferente de audiência, mesmo que todos estejam tecnicamente assistindo ao mesmo programa. Marcas que dominam essa segmentação conseguem estar presentes e construir relevância com ambos os públicos sem diluir a mensagem. A pergunta deixa de ser “vamos estar no Super Bowl?” e passa a ser “em qual Super Bowl vamos estar: o do jogo ou o do show?” A resposta mais inteligente é: nos dois, mas de formas diferentes.