Como liderar uma marca que respeita a natureza e o tempo
A velocidade se tornou um valor central no mundo corporativo. Indicadores são acompanhados em tempo real, metas se encurtam e a ideia de eficiência passou a ser confundida com rapidez. Nesse cenário, liderar uma marca que escolhe respeitar a natureza, e o tempo necessário para que processos amadureçam, exige uma forma específica de gestão: menos reativa, mais responsável e consciente. A Weleda construiu sua atuação a partir de uma visão de saúde integral que atravessa o modo como a empresa se organiza, produz e toma decisões. Fundada há mais de um século, a marca opera com princípios que desafiam a lógica de curto prazo predominante no mercado: agricultura biodinâmica, cadeias produtivas rastreáveis e escolhas orientadas por impacto ambiental e humano. Essa postura reflete diretamente na liderança. Em vez de responder à pressão por crescimento acelerado, a Weleda sustenta a ideia de que consistência, qualidade e responsabilidade são condições para qualquer expansão que pretenda ser duradoura e sustentável. O respeito aos ciclos naturais, da terra, das matérias-primas, das pessoas, passa a ser parte da estratégia de negócio. À frente da operação brasileira, Maria Cláudia Villaboim Pontes conduz uma gestão que reconhece os limites da aceleração constante. Liderar, nesse contexto, não significa apenas entregar resultados, mas preservar coerência entre discurso e prática, mesmo quando isso implica decisões menos imediatas ou mais complexas. “O crescimento exagerado e rápido visando lucro imediato, faz com que as pessoas fiquem esgotadas e a natureza exaurida, e em última instância destrói mais do que constrói. É preciso respeitar o ritmo das pessoas e da natureza, e estimular um consumo mais consciente para que possamos administrar melhor todos os recursos. Liderar tendo estes valores como guia, exige desafiar o modus operandi do mercado, mas faz você ter coerência do seu pensar, sentir e agir. E isso é o que muda o mundo.” O debate sobre liderança sustentável ganha relevância em um momento de esgotamento coletivo. A pressão por performance contínua tem impactos diretos sobre o meio ambiente e sobre a saúde das pessoas, e amplia a cobrança sobre empresas quanto à forma como operam, produzem e se posicionam. Já não basta crescer, é preciso explicar como. Ao integrar sustentabilidade como princípio estruturante, e não como narrativa acessória, a Weleda reforça um modelo de negócios que reconhece a interdependência entre natureza, economia e cuidado humano. Respeitar o tempo da terra, nesse sentido, implica também respeitar o tempo do trabalho, da escuta e da construção de confiança. Em um cenário cada vez mais orientado por metas de curto prazo, equilibrar a pressão por resultados com o respeito aos ciclos naturais tornou-se um exercício permanente de coerência. Maria Cláudia fala sobre esse desafio e sobre o que muda quando a sustentabilidade deixa de ser discurso e passa a orientar decisões reais. Em um mercado cada vez mais acelerado, como equilibrar a pressão por resultados com a decisão de respeitar os ciclos da natureza e do próprio negócio? “O crescimento exagerado e rápido visando lucro imediato, faz com que as pessoas fiquem esgotadas e a natureza exaurida, e em última instância destrói mais do que constrói. É preciso respeitar o ritmo das pessoas e da natureza, e estimular um consumo mais consciente para que possamos administrar melhor todos os recursos. Liderar tendo estes valores como guia, exige desafiar o modus operandi do mercado, mas faz você ter coerência do seu pensar, sentir e agir. E isso é o que muda o mundo.” A sustentabilidade, nesse contexto, não aparece como um capítulo separado da gestão. Ela altera o modo de liderar. Na prática, o que muda na liderança quando a sustentabilidade passa a orientar decisões reais, inclusive as mais difíceis? “Ter uma escuta mais ativa, ser mais empático e consciente (sair do automático), gerenciar não só a sua carreira e ganhos de curto prazo, mas a empresa que deve servir ao mundo, não apenas ao lucro.” Em um ambiente que recompensa respostas rápidas, falar em longo prazo pode parecer deslocado. Para Maria Cláudia, no entanto, liderança envolve uma escolha de posicionamento. Como você define liderança de longo prazo em um cenário que recompensa respostas rápidas e crescimento imediato? “Você precisa escolher onde quer trabalhar, liderança significa servir e colocar seus bens mais preciosos que é seu tempo e talento a serviço do outro e do mundo.” A responsabilidade se amplia quando a marca atua diretamente com saúde e recursos naturais. Que tipo de responsabilidade recai hoje sobre líderes de marcas que atuam diretamente com saúde, cuidado humano e recursos naturais? “Posso falar a verdade? No nosso local de privilégio, de liderar uma marca com esses valores, é nossa obrigação manter a coerência, a resiliência, a sustentabilidade e a perpetuidade do nosso negócio. Lucro é necessário para perpetuar, mas nunca deve ser o fim em si. E temos ainda uma responsabilidade extra, ter um negócio diferente dos demais, com sucesso, na contramão do mundo.” Respeitar ciclos naturais é uma escolha que tensiona a lógica dominante da aceleração permanente. Em um ambiente corporativo organizado pela urgência e pelo crescimento contínuo, desacelerar onde é necessário não significa recuar, mas questionar o próprio critério pelo qual medimos eficiência. A racionalidade produtiva contemporânea tende a dissociar tempo e cuidado. Ao comprimir processos, ela naturaliza o desgaste da terra, dos corpos e das relações. Recolocar o tempo no centro da decisão empresarial implica reconhecer que sustentabilidade não é um atributo adicional, mas uma condição de possibilidade. Respeitar o tempo da terra é também reconhecer o tempo do trabalho, da escuta, da construção de confiança. Sob essa perspectiva, crescimento passa a significar continuidade social e ecológica e a capacidade de sustentar o que se constrói sem comprometer o que o torna viável.
Nestlé Brasil anuncia Lara Naccache Miranda como nova Diretora de Marketing de Bebidas e Cereais Família
A Nestlé Brasil anuncia a promoção de Lara Naccache Miranda para o cargo de Diretora de Marketing de Bebidas e Cereais Família, em um movimento estratégico que integra a liderança das categorias de Bebidas Líquidas e em Pó à unidade de Cereais Família, sob uma única gestão. Desde outubro de 2025 à frente de Cereais Família, que engloba marcas como Farinha Láctea, Neston e Aveias Nestlé, Lara passa a comandar um portfólio ampliado que inclui Bebidas em Pó, com marcas como Nescau e Nesquik, além de Bebidas Líquidas, entre elas Nescafé, Starbucks, Neston, Nescau e Alpino. A integração das categorias possibilita ganhos de sinergia, acelera a inovação e fortalece as marcas junto aos consumidores brasileiros. Com 20 anos de experiência nos mercados de Consumer Health e Nutrição, Lara está na Nestlé desde 2016, onde construiu uma trajetória marcada por posições estratégicas de liderança. Atuou em Nestlé Health Science e, mais recentemente, liderou iniciativas relevantes na divisão de Cereais Família, com impacto direto no desempenho das categorias. Entre seus principais marcos profissionais estão a liderança de campanhas reconhecidas pela indústria e a gestão de categorias que atingiram recordes históricos de market share, impulsionadas por crescimento consistente e sustentável. A executiva também reúne experiência internacional. Em 2020, assumiu a posição de Gerente Global da plataforma de Envelhecimento Saudável, nos Estados Unidos, onde liderou projetos de inovação em mercados estratégicos como EUA, China e Canadá, com foco em bebidas funcionais e suplementos. “A integração das áreas de Bebidas e Cereais Família amplia nossa capacidade de gerar inovação, fortalecer marcas e entregar soluções cada vez mais relevantes para os consumidores. Estou entusiasmada em liderar esse novo capítulo, com foco em crescimento sustentável e impacto positivo”, afirma Lara Naccache Miranda.
Inteligência Artificial e Desenvolvimento de Lideranças foram as competências mais demandadas em 2025
Com a aceleração da transformação digital, as empresas brasileiras intensificaram a busca por profissionais capacitados em tecnologias emergentes e habilidades interpessoais estratégicas. Uma análise da Alura + FIAP Para Empresas indica que competências como Inteligência Artificial (IA), desenvolvimento de lideranças e aceleração do aprendizado dominaram a agenda corporativa em 2025, refletindo a importância da combinação de novas habilidades. A pesquisa “Educação Tech & Inovação nas Empresas 2025/26”, conduzida pela empresa, traz dados quantitativos que reforçam esse cenário, revelando que 81% das organizações já percebem impacto positivo da Inteligência Artificial na performance dos times, atribuindo uma nota média de 9,2 em uma escala de 0 a 10 para a contribuição da IA nos resultados. “A capacitação e o desenvolvimento de competências tecnológicas são pilares fundamentais para as empresas que desejam responder com agilidade às transformações do mercado e se manter competitivas”, destaca Tavane Gurdos, diretora geral da Alura + FIAP Para Empresas. “É necessário preparar pessoas de todas as áreas para pensar estrategicamente a tecnologia e saber usá-la como um ativo de inovação.” Competências em alta e cursos mais procurados Além dos dados da pesquisa, o levantamento aponta que, em 2025, as competências tecnológicas mais demandadas incluem, além da Inteligência Artificial, áreas tradicionais como programação, cibersegurança, cloud computing e análise de dados. Paralelamente, habilidades interpessoais como comunicação eficaz, inteligência emocional e oratória ganharam destaque, reforçando a necessidade de um desenvolvimento integrado entre o técnico e o humano. Os cursos mais procurados refletem essa diversidade, com foco em trilhas que vão desde os primeiros passos em programação e lógica, passando por linguagens como JavaScript e Python, até temas avançados como engenharia de prompt para IA generativa e ferramentas de análise de dados, como Power BI. Além disso, conteúdos voltados para o uso estratégico de IA, como ChatGPT, e metodologias ágeis também estiveram entre os destaques. Desafios e tendências para 2026 A pesquisa também destaca que apenas 13% das empresas se consideram digitalmente maduras, o que reforça a necessidade de investimentos contínuos em educação tecnológica. Apesar do avanço já observado em desenvolvimento de pessoas, as empresas ainda enfrentam desafios para capacitar seus colaboradores na velocidade das mudanças tecnológicas. “O caminho para continuar crescendo e inovando é sempre ter o foco em habilitar as pessoas para usarem todo o potencial tecnológico disponível hoje, com habilidades técnicas e interpessoais que permitam navegar pelas transformações do mercado”, afirma Tavane Gurdos. O avanço passa não apenas por adotar novas ferramentas, como IA, mas por desenvolver pessoas capazes de usá-las e de gerar valor. “Hoje, não basta conhecer o básico de IA e outras tecnologias, é preciso ser estratégico no seu uso para gerar impacto real”, complementa a diretora. Para se manterem competitivas, as empresas precisam combinar a adoção de novas tecnologias a lideranças preparadas, jornadas de aprendizado personalizadas e uma cultura que sustente a evolução contínua.
Liderar nunca custou tão caro
Por Tatiana Pimenta, CEO da Vittude* Durante muito tempo, liderar foi sinônimo de chegar lá. O topo da carreira representava poder, estabilidade e reconhecimento. Hoje, representa também solidão, pressão e um cansaço que não passa. A pesquisa State of the Global Workplace 2024, da Gallup, revelou que 62% dos líderes dizem sentir alto nível de estresse diário, e quase metade afirma que o trabalho tem um impacto negativo direto sobre a saúde. Outro estudo, desenvolvido pelo Infojobs, mostrou que 86% dos profissionais brasileiros mudariam de emprego se encontrassem uma empresa que cuidasse melhor da saúde mental. O crachá de líder, que antes era símbolo de status, virou sinônimo de sobrecarga, uma função que exige não apenas resultados, mas também presença emocional, empatia e disponibilidade constante. A geração que não quer mais o cargo A Geração Z cresceu vendo seus pais e gestores adoecendo pelo trabalho. Por isso, ela não romantiza o sacrifício. Uma pesquisa do Datafolha revelou que 88% dos brasileiros preferem qualidade de vida a um salário mais alto. Muitos recusam promoções que signifique abrir mão da saúde, da família e da vida pessoal. Não é desinteresse, é lucidez. Eles não querem liderar estruturas que cobram demais, escutam de menos e ainda chamam isso de “alta performance”. O que parece falta de ambição é, na verdade, uma busca por sentido, e por um modelo de liderança que não custe a própria saúde. O peso invisível da liderança Por trás de cada decisão difícil, existe um líder tentando equilibrar pessoas, resultados e expectativas. Poucos têm espaço para falar sobre o desgaste que isso causa. O esgotamento aparece de várias formas: o sono que não vem, a tensão constante, a sensação de estar sempre devendo. É a exaustão de quem precisa cuidar de todos, mas raramente é cuidado por alguém. Liderar é, muitas vezes, uma experiência solitária. E não é possível sustentar um time saudável quando quem o conduz está emocionalmente esgotado. O novo modelo de liderança O futuro exige líderes humanizados, não apenas tecnicamente competentes, mas emocionalmente maduros. Ser líder em 2025 significa saber escutar, reconhecer limites, permitir pausas e criar ambientes onde o erro não é punição, mas aprendizado. Como ensinam Amy Edmondson e Timothy Clark, segurança psicológica é o alicerce das equipes que aprendem, inovam e permanecem engajadas. A liderança do futuro não é a que cobra mais, mas a que inspira com mais humanidade. Empresas que ignoram o sofrimento de seus líderes estão minando o próprio resultado, e times emocionalmente esgotados não entregam alta performance, apenas sobrevivem a ela. Cuidar da saúde mental da liderança não é um ato de gentileza, é uma estratégia de sustentabilidade. Organizações que desejam longevidade precisam cuidar de quem segura o leme. Mentorias, espaços de escuta e acompanhamento psicológico para líderes não são luxo. São parte essencial de qualquer política de gestão de riscos psicossociais. O trabalho pode continuar sendo fonte de propósito e realização, desde que liderar não custe a própria saúde. *Tatiana Pimenta é fundadora e CEO da Vittude, referência no desenvolvimento e gestão estratégica de programas de saúde mental para empresas. Engenheira civil de formação, com MBA Executivo pelo Insper e especialização em Empreendedorismo Social pelo Insead, escola francesa de negócios. Empreendedora, palestrante, TEDx Speaker e produtora de conteúdo sobre saúde mental e bem-estar, foi reconhecida em 2023 como LinkedIn Top Voice, e em 2024 como uma das 500 pessoas mais influentes da América Latina pela Bloomberg Linea.
IA não roubará empregos, mas será preciso preparar equipes e lideranças
O avanço da Inteligência Artificial (IA) tem despertado dúvidas recorrentes no mercado de trabalho, especialmente em relação ao impacto da tecnologia sobre os empregos. A grande questão gira em torno do medo e da incerteza sobre a extinção de empregos e postos de trabalho com o advento da IA. Entretanto, o professor Lacier Dias, empresário, especialista em estratégia, tecnologia e transformação digital, doutorando pela Fundação Dom Cabral e fundador e CEO da B4Data, afirma que a IA não irá roubar empregos, mas evidenciar o nível de preparo e maturidade de pessoas e empresas para lidar com essas novidades. A discussão ainda gira em torno de extremos: de um lado, previsões alarmistas sobre o fim do trabalho humano; de outro, discursos que vendem a IA como solução automática para todos os problemas organizacionais. No meio desse cenário, a tecnologia acaba sendo vista como um atalho para compensar falhas estruturais de gestão, o que tende a gerar frustrações e resultados limitados. “Na prática, a IA não elimina postos de trabalho de forma automática. O que ela faz é evidenciar a falta de maturidade de pessoas e empresas”, ressalta o professor. De acordo com Lacier, ferramentas de inteligência artificial funcionam como amplificadores. “Quando aplicadas em organizações com processos claros, boa gestão de dados e critérios bem definidos, aumentam produtividade e eficiência. Em ambientes desorganizados, porém, tendem a ampliar falhas, improvisos e decisões equivocadas.” Embora seja consenso que algumas funções repetitivas e mal estruturadas tendem a ser automatizadas, esse fenômeno não é novo. Movimentos semelhantes ocorreram durante a Revolução Industrial e com a popularização da internet. O especialista alerta que o erro mais comum será tentar substituir pessoas antes de corrigir problemas de estrutura, processos e liderança. “A presença humana segue sendo essencial para as empresas, não por uma questão emocional, mas por pragmatismo organizacional. A IA não assume responsabilidades, não sustenta cultura corporativa e não constrói relações de confiança. Esses papéis continuam sendo exercidos por pessoas, especialmente em ambientes que exigem tomada de decisão, pensamento crítico e compreensão de contexto”, diz. Empresas que investem na capacitação de seus profissionais para o uso estratégico da IA, na avaliação de Lacier, têm registrado ganhos reais de produtividade, melhor gestão do tempo e redesenho mais eficiente de funções e cargos. Já organizações que implementam a tecnologia sem preparar suas equipes enfrentam aumento de ruído interno, resistência, insegurança e pressão por cortes de custos. “Diante desse cenário, o maior risco não está na adoção da Inteligência Artificial, mas na falta de preparo das lideranças para utilizá-la com critério. O caminho apontado é a formação contínua de pessoas e a construção de modelos de gestão híbridos, nos quais tecnologia e capital humano atuem de forma complementar.”