Geração Z no varejo: o que muda na jornada de compra?

A Geração Z já deixou de ser vista como o “consumidor do futuro” para se consolidar como protagonista no presente do varejo. Nascidos entre meados da década de 1990 e o início dos anos 2010, esses jovens cresceram em um ambiente totalmente digitalizado, fazendo com que sua jornada de compra fosse transformada completamente, desde a descoberta até a fidelização. Dados publicados pela Business Dasher, indicam que cerca de 74% dos consumidores da Geração Z fazem compras online pelo menos uma vez por semana e 96% compram ao menos uma vez por mês, mostrando alta frequência nesse canal digital. Para Carla Hladczuk, administradora, gestora e sócia da Uled Luminosos, o varejo precisa entender que a Geração Z se tornou digital e que as redes sociais assumiram papel central nesse processo. “Para esse público, a experiência começa no feed das redes, passa pelo site, continua no WhatsApp e muitas vezes termina na compra online. Se houver ruptura em qualquer ponto, a marca perde relevância”, afirma.  Carla destaca que esse comportamento altera completamente a lógica tradicional do funil de vendas. Hoje, o consumidor é impactado por criadores de conteúdo nas redes sociais, comentários em vídeos, posts ou sites, além de posicionamento social e ambiental da marca. Trata-se de uma jornada mais dinâmica e encurtada, porém muito mais exigente em termos de autenticidade, coerência da marca e relevância da experiência oferecida. Outro fator decisivo levantado pela especialista é o uso crescente de tecnologia e inteligência artificial. Muitos consumidores utilizam ferramentas de IA para apoiar decisões de compra, como chatbots e recomendações personalizadas. “A Geração Z espera que a marca entenda seu comportamento e antecipe desejos. Se a experiência for fluida e relevante, a percepção de valor aumenta significativamente”, avalia. Diante desses aspectos, no Brasil, onde o varejo ainda passa por um processo de amadurecimento digital, o desafio é estrutural. E a expectativa é de que, à medida que o poder de compra dessa geração aumente ao longo da década, a pressão por inovação se intensifique. “Além de abrir um e-commerce ou estar nas redes sociais, é preciso integrar estoque, logística, atendimento e comunicação, visto que, a Geração Z não compra apenas produtos, mas sim experiências e posicionamentos”, conclui Carla Hladczuk.

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