Novo protocolo do Google permite que IA compre sozinha pelo consumidor
O UCP permite que agentes inteligentes atuem em diferentes etapas da jornada de compra do consumidor, incluindo descoberta de produtos, decisão e suporte no pós-venda. A ideia central é simplificar todo esse processo, substituindo a necessidade de múltiplas integrações com diferentes plataformas por um único padrão. Na prática, o consumidor deixa de pesquisar, filtrar produtos, adicionar itens ao carrinho e finalizar a compra manualmente. Em vez disso, ele conversa com a IA, que entende o comando, apresenta as melhores opções e conclui a compra automaticamente, tudo dentro do Gemini ou da busca do Google em modo IA. Com esse movimento, o Google sai na frente de gigantes como OpenAI e Microsoft. Para as marcas, a lógica também muda, não será mais necessário apenas disputar a atenção do consumidor final, mas sim ser escolhida pelas inteligências artificiais que intermediam a compra. No Brasil, segundo o relatório E-Consumidor 2026, o e-commerce deve faturar cerca de R$ 260 bilhões em 2026. Diante desse cenário, os vendedores precisam repensar suas estratégias digitais. Para Leopoldo Jereissati, CEO e fundador da All Set Comunicação, antes mesmo de disputar relevância junto às IAs, as marcas precisam estar bem posicionadas nos buscadores tradicionais e manter boas avaliações dos clientes, tanto no e-commerce quanto nas redes sociais. “Uma marca sem interação ou reputação dificilmente será recomendada por uma IA”, afirma. O que acha da pauta? Leopoldo pode comentar esse novo cenário do e-commerce impulsionado por IA em 2026 e compartilhar insights práticos sobre como as marcas devem se preparar.
IA não roubará empregos, mas será preciso preparar equipes e lideranças
O avanço da Inteligência Artificial (IA) tem despertado dúvidas recorrentes no mercado de trabalho, especialmente em relação ao impacto da tecnologia sobre os empregos. A grande questão gira em torno do medo e da incerteza sobre a extinção de empregos e postos de trabalho com o advento da IA. Entretanto, o professor Lacier Dias, empresário, especialista em estratégia, tecnologia e transformação digital, doutorando pela Fundação Dom Cabral e fundador e CEO da B4Data, afirma que a IA não irá roubar empregos, mas evidenciar o nível de preparo e maturidade de pessoas e empresas para lidar com essas novidades. A discussão ainda gira em torno de extremos: de um lado, previsões alarmistas sobre o fim do trabalho humano; de outro, discursos que vendem a IA como solução automática para todos os problemas organizacionais. No meio desse cenário, a tecnologia acaba sendo vista como um atalho para compensar falhas estruturais de gestão, o que tende a gerar frustrações e resultados limitados. “Na prática, a IA não elimina postos de trabalho de forma automática. O que ela faz é evidenciar a falta de maturidade de pessoas e empresas”, ressalta o professor. De acordo com Lacier, ferramentas de inteligência artificial funcionam como amplificadores. “Quando aplicadas em organizações com processos claros, boa gestão de dados e critérios bem definidos, aumentam produtividade e eficiência. Em ambientes desorganizados, porém, tendem a ampliar falhas, improvisos e decisões equivocadas.” Embora seja consenso que algumas funções repetitivas e mal estruturadas tendem a ser automatizadas, esse fenômeno não é novo. Movimentos semelhantes ocorreram durante a Revolução Industrial e com a popularização da internet. O especialista alerta que o erro mais comum será tentar substituir pessoas antes de corrigir problemas de estrutura, processos e liderança. “A presença humana segue sendo essencial para as empresas, não por uma questão emocional, mas por pragmatismo organizacional. A IA não assume responsabilidades, não sustenta cultura corporativa e não constrói relações de confiança. Esses papéis continuam sendo exercidos por pessoas, especialmente em ambientes que exigem tomada de decisão, pensamento crítico e compreensão de contexto”, diz. Empresas que investem na capacitação de seus profissionais para o uso estratégico da IA, na avaliação de Lacier, têm registrado ganhos reais de produtividade, melhor gestão do tempo e redesenho mais eficiente de funções e cargos. Já organizações que implementam a tecnologia sem preparar suas equipes enfrentam aumento de ruído interno, resistência, insegurança e pressão por cortes de custos. “Diante desse cenário, o maior risco não está na adoção da Inteligência Artificial, mas na falta de preparo das lideranças para utilizá-la com critério. O caminho apontado é a formação contínua de pessoas e a construção de modelos de gestão híbridos, nos quais tecnologia e capital humano atuem de forma complementar.”