2026: A maior reestruturação tributária em 30 anos exige choque de governança nas empresas brasileiras

Empresários brasileiros iniciam 2026 sob a pressão de uma “tempestade perfeita” regulatória: a entrada em vigor da Reforma Tributária e o endurecimento das normas de saúde ocupacional (NR-1). A regulamentação da reforma sobre o consumo, aprovada pela Emenda Constitucional 132 de 2023, entrou em vigor ao mesmo tempo em que a Norma Regulamentadora 1 reforça as exigências relacionadas à segurança no trabalho. Para quem está à frente de um negócio, o impacto se espalha por áreas sensíveis como custos, formação de preços, folha de pagamento e organização interna A reforma cria dois novos tributos, a Contribuição sobre Bens e Serviços e o Imposto sobre Bens e Serviços, que substituirão PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS ao longo de uma transição que se estende até 2033. A promessa do governo é simplificar um sistema historicamente complexo. Hoje, o contencioso tributário brasileiro ultrapassa 75% do PIB, segundo estudo do Insper, um dado que dimensiona o tamanho do problema. O Ministério da Fazenda sustenta que a mudança tende a reduzir litígios e dar mais racionalidade à cobrança de impostos. Para Marcus Marques, especialista em gestão de pequenas e médias empresas e fundador do Grupo Acelerador, o risco está na inércia. “O empresário que deixar para entender a reforma quando ela já estiver impactando o caixa vai correr atrás do prejuízo. 2026 é o momento de revisar enquadramentos, simular cenários e organizar processos”, afirma. Ele observa que a alteração não é apenas técnica. Ao mexer na lógica de créditos tributários e na composição dos preços, a reforma exige visão estratégica. Essa nova camada de governança exigida pelo Estado não se restringe aos impostos; ela avança para o chão de fábrica e para o escritório. Enquanto a agenda fiscal avança, a atualização da NR 1 consolida a obrigatoriedade do Programa de Gerenciamento de Riscos para a maioria das empresas.  A norma reforça a necessidade de mapear perigos, documentar procedimentos e estruturar planos de ação. Dados do Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho, iniciativa do Ministério Público do Trabalho em parceria com a OIT, mostram que o país ainda registra centenas de milhares de acidentes laborais por ano, o que mantém o tema sob pressão permanente. Na avaliação do empresário, muitos negócios ainda tratam a saúde ocupacional como item burocrático. “Gestão de risco não pode ser vista como formalidade. Uma autuação ou uma ação trabalhista pode comprometer o resultado de anos. Quando a empresa organiza seus controles, ela protege a margem e o patrimônio”, diz. Para ele, a integração entre áreas contábil, jurídica e operacional deixa de ser recomendação e passa a ser prática indispensável. O desafio ganha peso quando se considera que as pequenas e médias empresas respondem por cerca de 30% do PIB brasileiro e por mais de 55% dos empregos formais, segundo o Sebrae. São organizações que operam com estruturas enxutas e menor capacidade de absorver erros de planejamento, o que torna cada ajuste regulatório mais sensível. A avaliação de Marques dialoga com um movimento mais amplo de profissionalização do empreendedorismo. Nos últimos anos, o país registrou recordes de abertura de empresas, impulsionadas pela digitalização e pela busca de renda alternativa. O aumento do número de CNPJs, porém, não foi acompanhado na mesma proporção por estruturas de governança e planejamento. Para o mentor de empresários, a nova fase regulatória decreta o fim da era do amadorismo e tende a acelerar uma seleção natural entre negócios que operam com método e aqueles que dependem de improviso. Na prática, isso significa que temas antes restritos a grandes corporações passam a integrar a rotina de pequenos e médios empresários, como simulações tributárias de longo prazo, gestão integrada de riscos e definição clara de indicadores de desempenho. “Quem tratar 2026 apenas como mais um ano fiscal vai perder competitividade. O empresário precisa enxergar essas mudanças como oportunidade de organizar a casa e ganhar eficiência estrutural”, afirma. A soma de reforma tributária, reforço das normas de segurança e maior cobrança por governança aponta para um ambiente menos tolerante ao improviso. “O empresário brasileiro sempre foi resiliente, mas agora precisará ser também previsível. Quem dominar seus números e processos terá vantagem competitiva”, diz. O que se desenha é um ciclo em que planejamento fiscal, controle de riscos e disciplina de gestão deixam de ser diferenciais e passam a ser condição básica para sustentar crescimento. Em um país que convive há décadas com instabilidade normativa, 2026 inaugura um teste prático de adaptação para quem quer manter a competitividade em um ambiente mais transparente e exigente.

Esgotamento silencioso: 4 dicas de como identificar sinais de burnout e reequilibrar prioridades na vida do empreendedor

A rotina intensa e a pressão por resultados têm cobrado um preço alto da saúde mental dos empreendedores brasileiros. Pensar estrategicamente, observar o mercado e refletir sobre a empresa fazem parte do papel de quem lidera. O esgotamento surge quando imprevistos, exceções e decisões operacionais continuam recaindo sistematicamente sobre o empresário, evidenciando estruturas pouco maduras para funcionar sem o dono.  No Brasil, 94,1% dos empreendedores de alto impacto afirmam ter vivenciado ao menos uma condição adversa de saúde mental ao longo da jornada. A ansiedade lidera o ranking, atingindo 85%, seguida por burnout (37%), ataque de pânico (22%) e depressão (21%), segundo estudo inédito da Endeavor. Os números acendem um alerta para um problema que muitas vezes se manifesta de forma silenciosa: o esgotamento emocional e físico como consequência direta de modelos de gestão frágeis, processos pouco claros e negócios excessivamente dependentes do próprio fundador para funcionar. Falta de energia constante, irritabilidade, dificuldade de concentração, queda de produtividade, insônia e sensação de que “nunca é suficiente” estão entre os sinais mais comuns de que algo está fora de equilíbrio. Para o empresário, investidor e estrategista Fernando Campanholo, especialista em transformar empresas comuns em negócios lucrativos e independentes pela Viva Positivamente, reconhecer esses sinais é o primeiro passo para evitar consequências mais graves, tanto para a saúde quanto para o próprio negócio. Segundo Campanholo, o equívoco não está na dedicação, mas na forma como esse esforço é aplicado. Confundir comprometimento com estar ocupado o tempo todo, assumir tarefas operacionais que deveriam estar nas mãos da equipe, microgerenciar processos ou insistir em atividades pouco produtivas gera desgaste, mas não crescimento. Na prática, o esforço mal direcionado tende a resultar em decisões piores, relações desgastadas e empresas excessivamente dependentes do fundador. “Quando o empreendedor coloca energia no lugar errado e não cuida de si, acaba construindo um negócio frágil.  Quando a empresa depende do empresário para tudo, o custo não é só emocional, mas também estratégico”, afirma. A partir disso, Campanholo aponta 4 ações práticas que ajudam o empresário a reduzir o esgotamento sem perder performance — pelo contrário, ganhando clareza e controle: O primeiro passo é identificar o que pode — e deve — ser acompanhado por indicadores, não por presença constante. “Se você precisa olhar tudo para ter segurança, o problema não é a equipe, é a falta de critérios claros de acompanhamento”, explica. Quando o empresário define indicadores certos, passa a controlar o negócio pelos números, e não pela ansiedade. Segundo Campanholo, boa parte do desgaste vem de atividades operacionais que consomem o dia do empresário, mas poderiam ser executadas por qualquer pessoa treinada. “Muitas vezes o dono mantém essas tarefas por medo de perder o controle ou por acreditar que ninguém faz tão bem quanto ele.” O caminho é identificar essas atividades, treinar alguém para assumi-las e acompanhar o resultado com método, não com interferência constante. Outra fonte silenciosa de esgotamento são pequenas decisões do dia a dia que ainda dependem do “ok” do empresário. “Quando tudo precisa da sua validação, sua mente nunca descansa”, afirma. Avaliar quais decisões podem ser delegadas com critérios claros e acompanhadas por indicadores gera uma sensação real de alívio mental, porque o empresário passa a perceber que as coisas andam sem ele. Por fim, Campanholo recomenda reservar tempo intencional para pensar no negócio, e não apenas trabalhar nele. “O empresário precisa, no mínimo, uma hora por dia dedicada ao estratégico: melhorar processos, desenvolver líderes e elevar o nível de jogo da empresa.” Se uma hora não for possível, meia hora já é suficiente para sair do modo sobrevivência e retomar o controle do crescimento.

Carnaval: redes sociais e embriaguez podem gerar punições no ambiente de trabalho

Embora o Carnaval seja tradicionalmente associado ao lazer, empresas precisam redobrar a atenção nesse período para evitar impactos na rotina e riscos trabalhistas decorrentes de faltas injustificadas, uso indevido de atestados e comportamentos incompatíveis com o ambiente profissional. Nesse período, é comum o aumento de afastamentos por atestado médico, diz Karolen Gualda Beber, advogada especialista em Direito do Trabalho, do escritório Natal & Manssur Advogados. “Mas quando o empregado apresenta atestado médico e, ao mesmo tempo, aparece em festas ou viagens divulgadas nas redes sociais, a empresa pode considerar que houve uso indevido do afastamento e aplicar medidas disciplinares, inclusive a demissão por justa causa, dependendo do caso”, explica. Outra situação é quando o funcionário comparece ao trabalho sob efeito de álcool, especialmente na Quarta-Feira de Cinzas ou nos dias seguintes às festividades. “Nessas situações, a empresa deve afastar imediatamente o empregado das atividades, principalmente quando há risco à segurança. Se for um episódio isolado, podem ser aplicadas advertência ou suspensão. Mas, em casos graves ou repetidos, a conduta pode justificar demissão por justa causa”, diz Karolen. A advogada ressalta, porém, que a empresa deve avaliar cada situação individualmente. Quando houver indícios de alcoolismo, o caso passa a ser tratado como questão de saúde, exigindo encaminhamento para tratamento, e não apenas punição. A orientação aos empregadores é reforçar regras internas e registrar ocorrências para reduzir riscos de questionamentos futuros. “Mesmo em períodos festivos, o contrato de trabalho permanece em vigor e a empresa pode exigir o cumprimento normal das obrigações profissionais”, conclui. Fonte: Karolen Gualda Beber, advogada especialista em Direito do Trabalho, pós-graduada em Direito e Processo do Trabalho e coordenadora da área trabalhista do escritório Natal & Manssur Advogados.

O mundo do trabalho em 2026: como a tecnologia, os talentos e a confiança vão redefinir o ambiente de trabalho

Em 2026, as empresas intensificarão ainda mais o foco nas pessoas. Não apenas como o maior ativo delas, mas também como um dos maiores investimentos. As organizações estão garantindo que as equipes tenham acesso a bem-estar, treinamento, desenvolvimento e novas oportunidades de aprendizado impulsionadas pela tecnologia, essenciais para prosperar. As empresas passam a priorizar cada vez mais os colaboradores e também a reconhecer que a produtividade e o engajamento são impulsionados por quando, como e com quem as pessoas colaboram e não apenas por onde elas trabalham. Organizações de todos os portes estão adotando modelos de trabalho flexíveis e híbridos para atrair e reter os melhores talentos. Os avanços tecnológicos recentes irão acelerar ainda mais essa mudança, viabilizando colaborações mais inteligentes e formas de trabalho mais dinâmicas, enquanto as empresas investem em ambientes de trabalho com design orientado por dados e em experiências personalizadas impulsionadas pela IA. Cada vez mais, as trajetórias de carreira serão definidas por habilidades e não por diplomas tradicionais e a colaboração personalizada entre humanos e a IA se tornará uma competência cada vez mais valiosa para o sucesso dos negócios.  Em 2026, o foco deixará de ser onde o trabalho acontece para se concentrar na rentabilidade, na produtividade e no bem-estar das equipes. As empresas investirão em assinaturas de espaços de trabalho flexíveis, permitindo que os colaboradores trabalhem mais perto de casa, sendo mais produtivos e evitando deslocamentos longos, caros e desnecessários. Para muitos, isso significará trabalhar a partir de hubs suburbanos, de pequenas cidades ou das chamadas cidades de 15 minutos, tornando o trabalho mais local, mais pessoal e mais inteligente do que nunca.  A seguir, o International Workplace Group, a maior plataforma global de trabalho, com marcas como Spaces e Regus, apresenta as dez principais tendências que devem moldar o trabalho globalmente em 2026. 1. A ascensão da IA: copilotos de trabalho Em 2026, equipes híbridas integrarão copilotos de IA com mais frequência nas suas operações diárias. Esses sistemas reduzirão significativamente a necessidade de tarefas simples, como atividades administrativas, busca por informações e agendamentos. Os colaboradores terão mais tempo para os trabalhos criativos, a resolução de problemas complexos e o desenvolvimento de relacionamentos significativos. Além disso, essa transformação permitirá uma melhor gestão do equilíbrio entre a vida pessoal e a profissional, resultando em maior produtividade e satisfação no trabalho.  Essa mudança está sendo acelerada por uma nova onda de colaboração intergeracional. Pesquisas do IWG revelam que 62% dos profissionais da geração Z já orientam colegas mais experientes sobre como usar a IA para aumentar a produtividade e a eficiência. Além disso, 77% dos diretores e diretores sêniores afirmam que isso aumentou os níveis de produtividade e 80% disseram que abriu novas oportunidades de negócios. Aproveitando essa tendência, os empregadores utilizarão cada vez mais a IA e as análises do ambiente de trabalho para criar planos híbridos personalizados para cada colaborador, incluindo agendas otimizadas, dias ideais de colaboração e locais preferenciais de escritório ou coworking. 2. O retorno para vários escritórios Empresas de todos os tamanhos estão abandonando políticas híbridas pouco definidas e adotando modelos mais estruturados e multilocais, dando às equipes mais autonomia para trabalhar em locais mais convenientes e próximos de casa. Em vez de um retorno ao escritório, trata-se agora de um retorno a vários escritórios.  A Microsoft anunciou recentemente que, até 2026, muitos dos seus colaboradores nos Estados Unidos precisarão estar no escritório mais próximo pelo menos três dias por semana, enquanto diversas empresas estão permitindo que as equipes trabalhem a partir de redes de coworking ou espaços de trabalho flexíveis. 3. Microcertificações como moeda Trabalhadores híbridos passarão a acumular microcertificações (certificações curtas e focadas em habilidades) em vez de depender de diplomas tradicionais e de avaliações anuais de desempenho. Os empregadores apoiarão esse movimento financiando plataformas de aprendizado sob demanda, criando pools de talentos mais ágeis. Essa tendência transformará a mobilidade interna, tornando as habilidades mais portáteis e acessíveis. 4. Revertendo o quiet cracking Diferentemente do quiet quitting, em que colaboradores fazem apenas o mínimo necessário, o quiet cracking descreve algo mais sutil: profissionais que continuam entregando, mas se sentem mental e emocionalmente desconectados, resultando em burnout, estagnação de carreira e perda de propósito.  Com 57% dos trabalhadores afirmando que tendem a se desengajar quando se sentem desvalorizados ou excessivamente controlados, as empresas darão maior ênfase ao bem-estar e às opções de trabalho flexível para se manterem competitivas e manterem as equipes engajadas. Enquanto o bem-estar ganha protagonismo, espera-se que as organizações avancem além dos benefícios tradicionais e passem a utilizar novas ferramentas de wellness tech, como dispositivos vestíveis para monitoramento de estresse, lembretes de saúde mental impulsionados pela IA e desafios de bem-estar gamificados, tornando hábitos saudáveis mais atrativos. 5. Executivos e C-level fracionados Diante da incerteza econômica, mais empresas estão recorrendo a executivos fracionados, optando por lideranças de nível C em regime parcial ou por contrato, que oferecem expertise altamente especializada sem os custos de uma posição em tempo integral.  Com 87% dos CEOs e CFOs preocupados com os impactos da instabilidade macroeconômica contínua e 67% já reduzindo custos operacionais, as empresas buscam modelos de liderança mais inteligentes. Essa flexibilidade permite acesso a insights estratégicos de alto nível quando necessário e, ao mesmo tempo, possibilita que profissionais experientes atuem em múltiplas organizações. 6. Construindo cidades de 15 minutos O conceito de cidades de 15 minutos, onde trabalho, lazer e serviços estão acessíveis a pé ou de bicicleta, entra numa nova fase em 2026. Até recentemente, era o caso, principalmente, de adaptar bairros existentes. Agora, essas cidades passarão a ser construídas do zero, projetadas para promover conectividade, sustentabilidade e senso de comunidade. Um exemplo de destaque é o projeto The Ellinikon, em Atenas, um dos maiores projetos de regeneração urbana da Europa, desenvolvido no antigo aeroporto, com investimentos de mais de 8 bilhões de dólares. Nos Estados Unidos, o projeto The Point, no estado de Utah, transforma a área de uma antiga prisão estadual numa comunidade modelo baseada nos princípios das cidades de 15 minutos. O trabalho

Busca por trabalho remoto cresce no Brasil e motiva mudanças no mercado criativo

Em 2025, os brasileiros já registraram o segundo maior pico de buscas por “home office” desde o início da pandemia, segundo o Google Trends. Janeiro foi o mês com mais pesquisas sobre trabalho remoto no país desde março de 2020. Já em um cenário global, estudo conduzido por economistas britânicos revela que trabalhadores no Reino Unido estariam dispostos a abrir mão de até 8,2% da renda para manter uma rotina híbrida. Para Vitor Azambuja, especialista em educação e criação e um dos criadores do programa De Criança Para Criança, esses modelos devem ganhar cada vez mais espaço nas organizações, já que permitem ao profissional atuar em qualquer lugar do mundo. O estudo pontua, ainda, que o home office oferece benefícios não monetários, como flexibilidade no trabalho e redução de gastos com alimentação e transporte. “Esse formato, assim como o híbrido, é uma tendência porque responde a uma demanda de crescente flexibilidade, qualidade de vida e autonomia. As pessoas querem trabalhar com propósito, mas sem abrir mão do tempo com a família ou da liberdade geográfica, por exemplo. E as empresas que entenderem isso vão atrair os melhores talentos”, comenta Vitor. Um exemplo de como essa realidade tem ganhado corpo está no próprio programa De Criança Para Criança, que conecta animadores e estudantes de animação ao universo da educação. A startup criou a metodologia Criando Juntos, na qual histórias narradas por crianças nas escolas viram desenhos animados. Para dar conta da demanda, estimada em mil animações ao longo de 2025, a empresa estruturou uma plataforma de colaboração remota. “Criamos uma plataforma e temos oportunidade de colaboração tanto para estudantes quanto para animadores profissionais. Para isso, quem trabalha com recorte de imagens, edição de áudio ou animação 2D encontra tarefas específicas na plataforma. O trabalho é feito de forma autônoma, com remuneração por pix a cada job concluído”, comenta, ressaltando que, para se candidatar, o interessado deve se inscrever na plataforma studiodcpc.com. Foco e organização O publicitário Marcelo Macedo, 38 anos, é um dos colaboradores da iniciativa. Ele conta que o trabalho remoto foi uma transição natural. “Desde antes da pandemia, já sentia que a maioria das coisas que eu fazia poderia ser resolvida online”, afirma. Hoje, ele transforma desenhos infantis em animações. “Mesmo sendo divertido, é também um desafio me conectar com o lúdico para colocar na cena o que estava apenas na cabeça de uma criança”, explica. Segundo Marcelo, atuar remotamente permite uma rotina mais alinhada ao seu ritmo. “Sempre gostei de trabalhar no silêncio da madrugada. Meu rendimento é bem melhor do que de tarde, com o sol lá fora me chamando para a rua”, exemplifica. Além disso, ele destaca as vantagens práticas e financeiras. “Você não perde tempo de locomoção e pode usá-lo para pegar outros jobs, se organizar, estudar. Daí as oportunidades surgem.” Já Amanda Lima Girão, 31 anos, formada em Sistemas e Mídias Digitais, encontrou no De Criança Para Criança uma forma de unir criatividade, liberdade geográfica e crescimento profissional. “Trabalho principalmente animando os desenhos e histórias que as crianças fazem. Desde que comecei a contribuir com o projeto, sinto que consegui evoluir minhas habilidades de animação com meus primeiros feedbacks e pensar em soluções diferentes para representar com clareza as histórias contadas”, conta. Ela afirma que a liberdade de horários e a ausência de deslocamentos impactaram positivamente sua produtividade. “Como não preciso pegar transportes ou pensar em logísticas de alimentação fora, salvo bastante tempo com isso e consigo trabalhar sem interrupções. Trabalhar remotamente me abre possibilidades de trabalho para outras cidades e estados, o que antigamente não seria viável”, enfatiza Amanda. Ambos os profissionais acreditam que o modelo remoto veio para ficar. “Se alguém quer seguir por esse caminho, mas ainda está no presencial, não sei se é por ter ‘dúvidas’. Talvez o que falte não seja a certeza, mas, sim, oportunidade”, diz Marcelo. Já Amanda reforça que organização e preparo são essenciais. “Uma vez que você consiga o primeiro trabalho remoto, é uma questão de organizar seu tempo e rotina para conseguir concluir suas tarefas de maneira eficiente e, assim, manter essa condição pelo tempo que quiser”, conclui. 

Serpro atualiza layout de emissão de notas fiscais das agências de propaganda

A Federação Nacional das Agências de Propaganda (Fenapro) e o Sistema Nacional das Agências de Propaganda do Rio Grande do Sul (Sinapro-RS) informam que o layout do novo modelo de emissão de notas fiscais eletrônicas (NFs-e), que entrou em vigor em janeiro, no início do período de teste do novo sistema tributário, já foi atualizado pelo Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), solucionando, desta forma, as dificuldades que as agências de propaganda vinham tendo para emitir suas notas fiscais. A emissão de notas pelas agências estava sendo prejudicada pelo fato de que o novo layout do Sistema Nacional de NFS-e suprimiu o campo, existente até 2025, que permitia discriminar a receita dos investimentos dos anunciantes, para que as notas fiscais fossem emitidas apenas sobre a receita própria das agências, e não sobre o valor de terceiros gerenciado por elas. Frente a isso, a Fenapro e os Sinapros estaduais se mobilizaram, atuando de forma coordenada junto aos órgãos competentes, tanto em âmbito municipal quanto federal, para normalizar a situação e garantir a correta aplicação da lei e a retomada regular do faturamento das agências. “Tivemos um pronto entendimento e uma rápida resposta aos encaminhamentos realizados junto ao Serpro. O novo layout está em fase de testes, e já tivemos o feedback positivo de várias agências”, conta Ana Celina Bueno, presidente da Fenapro, ao destacar a importância da mobilização rápida de todo o ecossistema para solucionar o problema. Em nível municipal, o Sistema protocolou ofícios padronizados nos órgãos de finanças municipais (SEFIN/ SEFAZ) e realizou reuniões técnicas locais, solicitando o retorno do campo de dedução no sistema e que fossem adotadas medidas transitórias enquanto o ajuste sistêmico não ocorrer.  Em âmbito federal, a Fenapro oficiou à Receita Federal comunicando o problema e solicitou ajuste do layout do Sistema Nacional da NFS-e e orientações técnicas claras, propondo, inclusive, a realização de reunião entre as áreas técnicas em busca de uma solução rápida. “A mobilização que fizemos junto aos órgãos competentes mostra a atuação institucional contínua, estratégica e articulada, e a força coletiva do ecossistema Sinapro/Fenapro na defesa e no desenvolvimento do mercado publicitário brasileiro. Agora, estamos atentos para atuar caso surjam outras dúvidas e problemas no período de testes da reforma tributária, a fim de dar apoio às agências gaúchas e de todo o país”, destaca o presidente do Sinapro-RS e vice-presidente da Fenapro, Juliano Brenner Hennemann.

Pesquisa revela que 97% das empresas não se sentem preparadas para a Reforma Tributária

Uma pesquisa recente com empresas brasileiras revela um cenário preocupante às vésperas da Reforma Tributária: 97% das empresas afirmam não se sentir preparadas para as mudanças e 69% ainda não iniciaram qualquer tipo de adaptação. O dado acende um alerta especialmente entre micro e pequenos empreendedores, que já enfrentam perdas financeiras provocadas por falhas de gestão e falta de organização. O levantamento realizado pela GestãoClick ouviu 234 empresas brasileiras, com coleta realizada entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026, nível de confiança de 95% e margem de erro de aproximadamente 6 pontos percentuais. Segundo a análise, o principal problema não está no imposto novo, mas na desorganização interna, que amplifica os riscos e os custos da transição tributária.  Segundo a análise, o maior risco para as empresas não está no imposto novo, mas na desorganização da gestão, que já provoca perdas financeiras antes mesmo da Reforma entrar em vigor. O estudo mostra que 53% das empresas sabem que a Reforma vai impactar seus negócios, mas não sabem exatamente como, e 34% não conseguem avaliar onde ocorrerá esse impacto, o que compromete decisões estratégicas sobre preço, margem e planejamento financeiro. Entre as áreas mais sensíveis, a emissão de notas fiscais aparece como o principal ponto de preocupação. 70% das empresas apontam essa área como a mais impactada pela Reforma, enquanto 26,5% afirmam ter medo direto de cometer erros na emissão, falhas que podem resultar em multas, retrabalho, pagamento indevido de impostos e perda de tempo operacional. A formação de preços também surge como um fator crítico. 58% das empresas reconhecem impacto direto da Reforma na precificação, e 41% temem aumento do custo operacional, mas sem clareza sobre como absorver ou repassar esses custos.  Para a GestãoClick, isso evidencia que muitas empresas ainda não dominam seus números reais, o que pode levar tanto à perda de margem quanto de competitividade. Outro dado relevante diz respeito à integração entre gestão e contabilidade. A pesquisa aponta que 75% das empresas dependem do contador como principal fonte de informação sobre a Reforma Tributária, enquanto apenas 8,5% utilizam sistemas de gestão como apoio estratégico para orientação e tomada de decisão. A falta de integração entre áreas como financeiro, fiscal e vendas aumenta o risco de inconsistências e decisões baseadas em dados incompletos. O estudo também destaca o adiamento das ações como um problema estrutural. Além das 69% das empresas que ainda não começaram a se adaptar, 25% afirmam que não sabem nem por onde começar, o que amplia o risco de erros e custos mais altos no momento em que a Reforma estiver em plena implementação. Para a GestãoClick, a Reforma Tributária apenas expõe fragilidades que já existem na gestão das empresas brasileiras, como falta de controle financeiro, ausência de integração entre sistemas, desorganização fiscal e pouca clareza sobre indicadores essenciais do negócio. “A Reforma não cria o problema, ela escancara. Empresas desorganizadas já estão perdendo dinheiro agora, e o custo tende a aumentar para quem continuar adiando a organização”, aponta Lucas Sousa, gerente da GestãoClick. A pesquisa conclui que empresas que chegarão a 2026 em melhor posição são aquelas que já investem em emissão correta de notas fiscais, formação de preços baseada em dados reais, integração entre sistemas, proximidade com a contabilidade e uso de tecnologia para proteger o caixa. 

Flexibilidade na gestão: Sandaliaria aposta em decisão estratégica para definir melhor caminho de novos empreendedores a rede

O mercado de franchising no Brasil está passando por um processo de transformação impulsionado pelo amadurecimento do setor e pela mudança no comportamento dos investidores.  Se antes o modelo tradicional de franquias era a principal porta de entrada para quem desejava empreender com uma marca estruturada, hoje é possível notar novos formatos que seguem padrões semelhantes, porém com mais flexibilidade e autonomia. Esse movimento acompanha um perfil de empreendedor cada vez mais diverso, que muitas vezes concilia o novo negócio com outro emprego. Ter modelos mais flexíveis ajuda muito na decisão de investimento e gestão. A franquia segue como um dos modelos mais consolidados do varejo brasileiro, justamente por oferecer um sistema testado, padronizado e com suporte contínuo ao franqueado. Flexibilizar alguns pontos da operação reflete a maturidade do setor e a necessidade de atender diferentes expectativas do negócio.  É nesse cenário que a Sandaliaria, rede especializada em calçados, acessórios e produtos personalizáveis, estruturou sua expansão nacional adotando uma estratégia alinhada às novas demandas do mercado.  Estratégias de negócio: Sandaliaria aposta em formatos para todos os perfis  A decisão da Sandaliaria de atuar com os dois formatos surgiu com a observação do próprio mercado. Estando presente em diferentes regiões do país, a rede identificou que, às vezes, nem todos os interessados em empreender com a marca buscavam o mesmo nível de investimento ou envolvimento operacional.  O modelo de franquia foi estruturado para empreendedores que desejam uma operação completa, com loja física, mix e produtos, padronização e suporte contínuo com a franqueadora. Esse formato atende investidores com perfil de gestor e com disponibilidade para acompanhar o negócio diariamente.  Já o licenciamento passou a ser adotado em operações como quiosques e containers eco, permitindo a entrada de investidores que procuram por formatos mais acessíveis, práticos e flexíveis, mas ainda com a segurança de uma marca consolidada e reconhecida no varejo.  “Ao oferecer os dois formatos, conseguimos democratizar o acesso de empreendedores e aumentar a marca de forma sustentável, respeitando a particularidade de cada unidade e cada investidor”, explica Deotto.  Ainda de acordo com Rodrigo Deotto, CEO da Sandaliaria, entender essas diferenças é fundamental antes de qualquer decisão. “São modelos diferentes, e pensados para perfis diferentes. Tanto a franquia quanto o licenciamento oferecem uma estrutura completa. O erro é acreditar que um é melhor que outro sem analisar primeiro o investidor.”  Análise de ponto: onde abrir uma unidade  A escolha do ponto comercial é um dos fatores mais importantes para o sucesso de qualquer operação, independente do modelo adotado. No caso da Sandaliaria, as unidades foram planejadas para atuar em locais com grande circulação de pessoas, como shopping centers, galerias comerciais, calçadões urbanos e centros comerciais.  No modelo de negócio da Sandaliaria, a atuação é permitida em todos os locais, com regras claras de exclusividade conforme o tamanho da cidade. Em municípios menores, a franqueadora garante exclusividade territorial, enquanto em cidades maiores a abertura de novas unidades passa por estudos de viabilidade.  Há ainda a possibilidade de operações que permitem maior mobilidade e adaptação a espaços menores ou diferentes, mantendo a identidade da marca e o padrão de produtos, mas com mais flexibilidade operacional.  Antes de formalizar qualquer contrato, a rede analisa fatores como fluxo de pessoas, perfil do público, concorrência local e potencial de consumo, assim os riscos são reduzidos aos investidores.  Perfil ideal de empreendedor  Além da localização, o perfil do investidor é um dos principais critérios avaliados pela Sandaliaria antes da aprovação de uma nova unidade. A franqueadora procura por investidores com condições financeiras compatíveis com o modelo escolhido e, com vontade de alavancar ainda mais o nome da rede.  O foco da rede está em investidores com perfil gestor, capacidade de liderança, organização financeira e disponibilidade para acompanhar o dia a dia do negócio. A presença ativa do franqueado é vista como um diferencial dentro da unidade. De modo geral, com suporte adequado, a Sandaliaria possui uma operação simples.  “Não vendemos apenas uma marca, procuramos parceiros. O alinhamento de expectativas e o comprometimento do investidor são fatores decisivos para o sucesso da operação”, reforça Rodrigo.  Formatos diferentes fortalecem a expansão da rede  A Sandaliaria acompanha a evolução do mercado e amplia as possibilidades de acesso ao empreendedorismo, oferecendo modelos já testados, escaláveis e adaptáveis a diferentes realidades do mercado.  “O mais importante é que o novo parceiro escolha o modelo que realmente se encaixa no seu perfil. Quando essa decisão é tomada com a certeza de que é o formato ideal, as chances de sucesso aumentam consideravelmente”, finaliza o CEO. 

Tecnologia na área fiscal passa a influenciar a competitividade das empresas

A área fiscal deixou de ser apenas um centro de custos e passou a influenciar diretamente a competitividade das empresas. Organizações que estruturaram seus departamentos fiscais e tributários com apoio de tecnologia já começam a ampliar suas margens operacionais, ganhando previsibilidade financeira e fortalecendo sua posição no mercado. Além da redução de erros e retrabalho, a eficiência fiscal tem viabilizado decisões estratégicas mais precisas, simulações de cenários e crescimento sustentável. “A tecnologia transforma o ciclo fiscal em um ativo estratégico, capaz de impactar diretamente lucro, caixa e capacidade de investimento”, afirma Roberto De Lázari, diretor de parcerias estratégicas da All Tax. Segundo o executivo, o avanço tecnológico, somado à implementação da Reforma Tributária, torna a reestruturação da área fiscal um imperativo para a sobrevivência das empresas. “O fiscal deixa de ser reativo e passa a operar como um hub de governança e performance”, diz. Apesar da crescente digitalização dos negócios, muitas empresas ainda operam com processos fiscais manuais e fragmentados. De acordo com De Lázari, esse modelo consome cerca de 30% do tempo dos profissionais da área. “Processos manuais geram inconsistências, retrabalho e interpretações divergentes. O primeiro benefício concreto da tecnologia é a melhoria da qualidade dos dados, que são essenciais para uma operação fiscal eficiente”, afirma. Além da ineficiência operacional, a falta de automação reduz a visibilidade e a rastreabilidade, ampliando os riscos em um ambiente tributário complexo e volátil como o brasileiro. O resultado são disputas administrativas, judicialização e insegurança jurídica. No dia a dia, isso se traduz em mais horas dedicadas à burocracia. Dados do Banco Mundial indicam que empresas no Brasil gastam até 1.500 horas por ano com obrigações tributárias, enquanto, nos países da OCDE, a média é de 155,7 horas. A constante edição de normas e mudanças regulatórias agrava o cenário. Segundo De Lázari, a incapacidade de adaptação em tempo real eleva o risco de autuações, com multas que podem chegar a 150% do valor do imposto devido. Automação reduz erros e melhora o retorno financeiro Em contraste, sistemas automatizados que integram todo o ciclo fiscal, da captura de dados à entrega das obrigações, reduzem prazos de dias para minutos e aumentam significativamente a segurança das operações. “A automação elimina até 95% dos erros manuais e gera um ROI médio de 40% na redução do custo operacional anual”, afirma o executivo. A adoção de tecnologias inteligentes também ganha espaço no mercado. Pesquisa da KPMG, publicada em outubro de 2025, aponta que 60% das empresas brasileiras consideravam utilizar Inteligência Artificial Generativa em relatórios fiscais. Do total, 37% já haviam implementado ou testado IA para rastreamento de despesas e deduções, enquanto 22% usavam a tecnologia para monitoramento e conformidade regulatória. Esse movimento se intensifica com a chegada das chamadas Inteligências Artificiais autônomas, ou Agentic AI. Diferentemente das IAs tradicionais, baseadas em regras fixas, essas soluções detectam alterações legislativas em tempo real, atualizam regras fiscais automaticamente e executam apurações sem intervenção humana. “Essas tecnologias sinalizam exceções, corrigem inconsistências e escalam análises quando necessário, preservando governança, rastreabilidade e segurança jurídica”, explica De Lázari. Outro ganho relevante da automação fiscal é a capacidade de simular regimes tributários e projetar impactos antes da implementação de mudanças relevantes. Com base em dados reais, as empresas conseguem antecipar efeitos tributários em até 12 meses, aumentar em 30% a assertividade das decisões e reduzir riscos não mapeados. “Quando aplicada corretamente, a tecnologia transforma o fiscal em uma alavanca de negócio. Governança, precisão e controle passam a impactar diretamente o resultado financeiro”, afirma o executivo. Reforma Tributária acelera a transformação A Reforma Tributária reforça essa urgência. O novo modelo de IVA Dual, baseado em crédito e débito ao longo da cadeia produtiva, depende de dados confiáveis e validações digitais desde a origem das operações. Erros ou informações incorretas afetam diretamente o direito ao crédito tributário e, consequentemente, a margem e o caixa das empresas. “Na prática, o crédito passa a ser um elemento estrutural de margem e liquidez”, explica De Lázari. Segundo ele, empresas com governança de dados bem estruturada tendem a capturar mais créditos, com maior velocidade e menor risco. “Quem já é organizado transforma governança fiscal em retorno financeiro.” Nesta primeira fase da reforma, os novos tributos CBS e IBS ainda não serão efetivamente cobrados, mas já passarão a constar nos documentos fiscais. Para o executivo, 2026 será decisivo para a preparação das empresas. “A reforma premia quem controla dados e processos e penaliza quem opera no improviso”, conclui.

A partir de maio, NR-1 coloca o bem-estar dos colaboradores no centro das empresas

A Norma Regulamentadora 1 (NR-1) chega para redefinir as prioridades corporativas quando o assunto é a saúde mental dos colaboradores. A partir de maio de 2026, a NR-1 não será só mais uma regra, é a chancela de que o estresse, o assédio e a sobrecarga de trabalho são riscos ocupacionais de verdade. Na prática, isso significa que as empresas terão a obrigação de olhar para a saúde mental e o bem-estar da equipe com muita seriedade.   Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), quatro em cada dez brasileiros já enfrentaram problemas de ansiedade. Dados de 2022 do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) mostram que mais de 209 mil pessoas foram afastadas do trabalho por transtornos como depressão e ansiedade. Na Europa, o estresse relacionado ao trabalho já é o segundo problema de saúde mais frequente.  Diante desse cenário, quais são as alternativas disponíveis no mercado para ajudar as empresas a desenvolverem programas de bem-estar e se adequarem à nova norma? Terapias como a massagem são cada vez mais oferecidas aos colaboradores como uma aliada para aliviar o estresse do dia a dia.  A rede Buddha Spa, por exemplo, tem oferecido há mais de 10 anos várias alternativas que vão de planos empresariais a vouchers de diversas terapias que são ofertados aos colaboradores. Essa conscientização por parte das empresas impulsionou o crescimento do departamento Corporativo do Buddha Spa, em 84% em 2025, comparado com 2024.   Já a venda de vouchers para empresas — utilizados como reconhecimento, premiação ou benefício recorrente — cresceu mais de 120%, em 2025, comparado com o ano anterior. Além disso, atendimentos realizados dentro das empresas (in company), por meio de iniciativas estruturadas, vêm ganhando espaço como ferramentas de promoção do bem-estar no ambiente de trabalho.   Hoje, são mais de 40 empresas parceiras que oferecem massagens e terapias relaxantes aos seus colaboradores. São organizações como Bradesco, Louis Vuitton, Moët Rennessy, Sephora e O Boticário. “Há alguns anos, era mais comum uma ação reativa diante de diagnósticos de condições como o estresse e a ansiedade. Hoje, a incorporação de hábitos saudáveis à rotina diária é uma prática preventiva e passou a assumir um papel importante no enfrentamento de problemas de saúde mental”, explica o CEO da rede Buddha Spa, Gustavo Albanesi.   Ele destaca ainda que à medida que esse movimento ganhou força, cresceu a busca por alternativas complementares à medicina tradicional. Atividades físicas, práticas de meditação, alimentação equilibrada e terapias corporais passaram a fazer parte do dia a dia de um número cada vez maior de pessoas.   “O desafio que se impõe agora não é apenas cumprir uma norma, mas compreender seu espírito. Organizações que enxergarem a NR-1 como uma oportunidade — e não apenas como uma obrigação — estarão mais preparadas para construir ambientes de trabalho mais humanos, produtivos e sustentáveis em longo prazo”, acredita o CEO.  Caminho sem volta   Para a diretora de RH da rede Buddha Spa, Lucia Freire, a implementação efetiva da NR-1 exige o engajamento das empresas na construção de políticas preventivas, planos de ação consistentes e, principalmente, escuta ativa das pessoas. “Precisamos observar sempre quatro pilares dentro de uma organização: o físico, o emocional, o social e espiritual dos colaboradores. Quando esses pilares são equilibrados, os problemas psicossociais tendem a reduzir significativamente”, alerta.  Outros pontos destacados pela diretora incluem a queda do presenteísmo – caracterizado pela falta de concentração, dedicação e disposição -, além da diminuição do turnover, resultando no aumento da produtividade.   “As empresas já entenderam que as relações trabalhistas passaram por reconfigurações, principalmente depois da pandemia, e a massagem como terapia promove qualidade de vida, auxilia na redução de custos com saúde, melhora o clima organizacional e o desempenho”, finaliza.

Do bem-estar à performance sustentável: a Felicidade Interna Bruta como diferencial estratégico na gestão de pessoas em 2026

Por Elaine Bernardes, diretora de Gente da Leega Consultoria* Poucas expressões parecem tão distantes do universo corporativo quanto “Felicidade Interna Bruta (FIB)”, índice criado no Butão e endossado pela ONU, que avalia saúde mental, senso de propósito, capital social e qualidade do tempo livre. No entanto, ao se inspirarem nas métricas da FIB, como o equilíbrio entre vida pessoal e profissional, líderes de Recursos Humanos descobrem formas de gerar valor que vão além dos relatórios financeiros. Empresas que integram o bem-estar às suas estratégias de gestão reduzem a rotatividade, aumentam a produtividade e fortalecem sua reputação no mercado. Simples assim: o engajamento cresce, o turnover diminui e a inovação floresce. Mais do que um indicador, a FIB propõe uma mudança de paradigma que é colocar as pessoas no centro das decisões. Quando o bem-estar deixa de ser um benefício secundário e passa a ser uma prioridade estratégica, a saúde emocional dos colaboradores torna-se um ativo valioso. E isso não é idealismo, é pragmatismo puro. Companhias que promovem a felicidade no trabalho constroem vantagens competitivas duradouras, atraem talentos mais qualificados, fortalecem sua cultura e entregam resultados sustentáveis. Adotar os princípios da FIB transforma a lógica empresarial. Não se trata apenas de aumentar desempenho, mas de reforçar o propósito, criar pertencimento e promover um ambiente de trabalho verdadeiramente saudável. Isso faz toda a diferença. Profissionais felizes permanecem mais tempo nas empresas, são mais criativos, colaborativos e engajados. Líderes que incorporam o bem-estar à cultura organizacional fortalecem sua marca empregadora e ganham vantagem na disputa pelos melhores talentos. Na prática, os princípios da FIB podem ser implementados por meio de ações que promovam saúde física e mental, equilíbrio entre vida profissional e pessoal, relações interpessoais mais saudáveis e oportunidades reais de crescimento. Iniciativas como pesquisas de clima organizacional, programas de escuta ativa, mindfulness, apoio psicológico, incentivo à prática esportiva e capacitação contínua aumentam a satisfação interna e impactam positivamente os resultados do negócio. O estudo “Does Employee Happiness Have an Impact on Productivity?”, conduzido por Jan-Emmanuel De Neve (Universidade de Oxford), George Ward (MIT) e Clement Bellet (Erasmus University), revelou que colaboradores felizes podem ser até 13% mais produtivos. Isso acontece porque o bem-estar cria um ambiente de confiança, cooperação e vínculo, pilares essenciais para a inovação e o crescimento sustentável. Equipes engajadas adoecem menos, produzem mais e se sentem protagonistas do sucesso da organização. Ano passado, o Brasil deu um passo importante ao lançar um projeto-piloto em Fernando de Noronha para adotar a FIB como métrica de desenvolvimento. Ao reconhecer a felicidade como um indicador legítimo para políticas públicas, o país sinaliza para 2026 um novo horizonte em que qualidade de vida, saúde mental e tempo equilibrado são tão relevantes quanto indicadores econômicos tradicionais. Essa iniciativa reforça a urgência de repensarmos o ambiente de trabalho, tornando-o mais humano, saudável e sustentável. A Felicidade Interna Bruta não é apenas uma métrica, é uma filosofia de gestão que inspira um novo jeito de liderar, trabalhar e viver. Afinal, progresso sem humanidade não é progresso. Cuidar das pessoas é o melhor caminho para alcançar melhores resultados. Felicidade e performance não se excluem, elas se fortalecem mutuamente. Organizações que compreenderem que colocar as pessoas no centro é a chave para a prosperidade serão referência na liderança do futuro. E cabe a nós, profissionais de gestão de talentos, transformar essa visão em realidade.       * Elaine Bernardes é diretora de Gente da Leega, responsável por liderar a área de Recursos Humanos e Recrutamento e Seleção, além de promover o engajamento dos colaboradores, a cultura e os valores da empresa. É formada em Administração pelo Centro Universitário Íbero-Americano e tem mais de 25 anos de experiência em gestão e liderança na área de Recursos Humanos.

Janeiro Branco: NR-01 incentiva olhar mais atento para saúde mental em ambientes corporativos

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), transtornos mentais e emocionais são uma das principais causas de afastamento no trabalho. No Brasil, a ansiedade já afeta milhões de brasileiros, enquanto o burnout, conhecido como síndrome ocupacional, é uma realidade para muitos profissionais. Só para se ter uma ideia, no acumulado nos nove primeiros meses de 2025, o Brasil registrou mais de 403 mil afastamentos por transtornos mentais. A Campanha Janeiro Branco faz um importante alerta sobre a saúde mental e a importância de dar atenção ao cuidado psicológico e emocional durante o ano todo. No ambiente corporativo, onde o estresse e a pressão por resultados são constantes, a campanha surge como uma oportunidade de transformação na cultura organizacional das empresas.  Para Ricardo Mattos, CEO da Vetor Editora, empresa do grupo Giunti Psychometrics, referência em manutenção da saúde mental nas empresas, ao longo dos anos, a campanha tem incentivado debates públicos e mudanças importantes no modo como as organizações abordam o tema. Além disso, o Janeiro Branco segue sendo necessário: ele abre o calendário do ano lembrando, com legitimidade, que a vida humana não pode ser organizada apenas por metas econômicas, enquanto as pessoas adoecem por dentro.  “Precisamos tratar a saúde mental como prioridade civilizatória, não como pauta periférica. Com ações simples, mas consistentes, as empresas podem transformar o ambiente corporativo em um espaço de apoio, prevenção e crescimento. A saúde mental deve ser vista como um investimento contínuo, que beneficia não apenas os colaboradores, mas também os resultados organizacionais. Vale lembrar que a NR-01 foi recentemente atualizada e agora exige que as empresas identifiquem e controlem fatores como estresse, burnout e assédio, além dos riscos físicos tradicionais, com implementação gradual e guias de orientação, o que impacta também na rotina dos profissionais de RH, Psicologia, Medicina e Engenharia de Segurança do Trabalho, que atuam diretamente nessas áreas e vão precisar de ferramentas para se adequarem”, explica. Ainda segundo o executivo, empresas de todos os portes podem criar iniciativas práticas e acessíveis para transformar o cuidado com a saúde mental em um pilar organizacional. Somado a isso, a tecnologia, testes digitais e materiais didáticos e científicos podem ser importantes aliadas dos gestores neste processo.  Confira abaixo cinco ações simples que podem auxiliar as empresas e profissionais da área na promoção do bem-estar dos colaboradores durante o ano todo. 1 – Diálogo aberto: promova campanhas internacionais para conscientizar os colaboradores sobre a importância de falar sobre saúde mental. Disponibilize espaços seguros onde as pessoas possam se sentir acolhidas. 2 – Apoio psicológico: ofereça programas de assistência emocional, como consultas com psicólogos, linhas de apoio ou acesso a ferramentas digitais especializadas. De acordo com estudos, programas de saúde mental bem desenhados estão associados a ganhos expressivos de desempenho, redução de faltas e maior presença no trabalho – mapeamento da Yale School of Medicine mostrou aumento de até 25% na produtividade dos colaboradores que participaram de programas de apoio mental. 3 – Treinamento de lideranças: capacite gestores para identificar sinais de desgaste emocional nas equipes e promover uma liderança mais humanizada. Outra dica importante é oferecer cursos de atualização, isso dará mais suporte para os profissionais das empresas que trabalham diretamente cuidando da saúde mental dos colaboradores.  A Vetor Editora, por exemplo, oferece consultoria e treinamentos na área de Recursos Humanos, auxiliando companhias a avançarem nos cuidados com o bem-estar emocional dos profissionais, e conta com mais de 40 mil clientes, entre eles MRS Logística, Prevent Senior, Sodexo, Gerdau.  Para abril desde ano, a empresa promoverá o Summit NR-01, evento voltado para  Psicólogos, Médicos, Engenheiros, RH, Segurança do Trabalho, líderes e gestores, que buscam se aperfeiçoar e entender as mudanças da NR-01 e como elas impactam sua atuação e das empresas que desejam fortalecer a cultura de saúde mental, bem-estar e segurança psicológica. 4 – Mapeamento de clima organizacional: realize avaliações regulares para entender os fatores de risco psicossociais e implementar ações corretivas. 5 – Iniciativas de bem-estar: invista em atividades como meditação, massagem, yoga, palestras e workshops sobre gestão de emoções e resiliência. Embora a campanha seja realizada apenas no primeiro mês do ano, a mensagem do Janeiro Branco é clara: o cuidado com a saúde mental deve ser constante. “Criar um ambiente de trabalho saudável e emocionalmente seguro é um compromisso das empresas e deve se estender ao longo de todo o ano”, finaliza Ricardo.

Soft skills em alta: por que agências digitais precisam desenvolver líderes além da técnica

No ambiente atual de negócios digitais, dominar ferramentas e técnicas deixou de ser suficiente para garantir sucesso organizacional. Soft skills, competências comportamentais e interpessoais como comunicação, empatia, resolução de problemas e liderança, estão ganhando espaço nos critérios de desempenho e contratação. Essa mudança decorre de uma realidade em que as máquinas passam a executar tarefas rotineiras e a interação humana se torna diferencial competitivo, especialmente em equipes sujeitas a mudanças constantes, trabalho híbrido e demandas complexas. Robson V. Leite é mentor especializado em estruturação e performance para negócios digitais e agências. Com quase duas décadas de atuação e vasta experiência prática, ele acompanha as transformações do mercado e o papel crescente das competências humanas na liderança de equipes e na gestão de operações. Sua perspectiva é baseada em casos reais de empresas que adaptaram sua estrutura para priorizar habilidades comportamentais ao lado do conhecimento técnico. Os dados sobre o crescente peso das soft skills são claros. Um relatório do Evermonte Institute destaca que, em 2025, comunicação e escuta ativa foram apontadas por mais de 70 % dos executivos como as habilidades mais demandadas nas contratações, seguidas de inteligência emocional e resiliência, indicadores que refletem a valorização crescente das competências humanas no trabalho. Essa tendência surge em meio a ambientes colaborativos e integrados onde as competências técnicas precisam ser complementadas por habilidades que favoreçam diálogo, adaptação e coesão de equipe. Essa valorização das soft skills faz sentido em um cenário em que liderar não é apenas distribuir tarefas, mas também interpretar sinais sociais, administrar conflitos, motivar times e conduzir mudanças sem perder foco estratégico. Para o mentor de agências, “habilidades como empatia, resolução de problemas e comunicação clara não são apenas complementares; são pilares da liderança em ambientes onde a mudança é constante”. Essa perspectiva se alinha à ideia de que líderes totalmente centrados na técnica podem enfrentar limitações quando precisam mobilizar equipes ou responder a situações inesperadas. De fato, competências humanas permitem que gestores compreendam contextos mais amplos, antecipem riscos e alinhem pessoas a um propósito comum. A literatura sobre o tema indica que, além de habilidades cognitivas, atributos como adaptabilidade e inteligência emocional favorecem ambientes mais colaborativos e produtivos. À medida que o uso de ferramentas automatizadas cresce e rotinas operacionais se tornam mais eficientes, as soft skills emergem como fonte de vantagem competitiva, pois apenas pessoas conseguem cultivar um clima organizacional saudável e decisões estratégicas com impacto humano. Nas agências digitais, essas competências estão diretamente ligadas ao sucesso de projetos que envolvem múltiplas partes interessadas, ciclos curtos de feedback e mudanças frequentes em demandas de clientes. A capacidade de ouvir, ajustar expectativas e comunicar decisões de forma transparente pode ser tão determinante quanto a execução técnica de uma campanha. “Liderar equipes que trabalham com tecnologia exige não apenas capacidade técnica, mas sensibilidade para interpretar o ambiente e promover colaboração contínua”, conclui Robson V. Leite. A adoção desse enfoque comportamental também influencia a retenção de talentos. Profissionais que percebem oportunidades de crescimento em habilidades humanas sentem‑se mais valorizados e engajados, o que contribui para reduzir rotatividade e fortalecer a cultura organizacional. Do ponto de vista da performance, equipes com equilíbrio entre hard skills e soft skills tendem a superar obstáculos com maior rapidez e a adaptar‑se melhor a mudanças de mercado, o que é crucial no ambiente volátil do marketing digital.

Reforma Tributária coloca área fiscal no centro do resultado financeiro das empresas

A Reforma Tributária já está em vigor e começa a produzir impactos concretos no dia a dia das empresas brasileiras, especialmente na área fiscal. Com a adoção do novo modelo, o departamento fiscal deixa de atuar apenas no encerramento dos processos e passa a influenciar diretamente o resultado financeiro dos negócios a partir de 2026. Isso ocorre porque o sistema tributário passa a depender fortemente de dados e validações digitais desde a origem das operações, como cadastro, contratos, pedidos, emissão de documentos e apuração. Informações incorretas ou incompletas podem gerar imposto errado, afetando diretamente o direito ao crédito tributário. “Com a reforma, a área fiscal deixa de ser apenas reativa e se torna um hub de governança e performance”, afirma Roberto De Lázari, diretor de parcerias e estratégias da All Tax. O modelo adotado com a reforma é o Imposto sobre Valor Agregado Dual (IVA Dual), composto pela Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), de âmbito federal, que substituirá PIS, Cofins e IPI, e pelo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), que entra no lugar do ICMS e do ISS, de competência de estados e municípios. O sistema permite que o imposto pago nas etapas anteriores da cadeia produtiva seja recuperado por meio do mecanismo de crédito e débito. “Na prática, o crédito deixa de ser uma oportunidade pontual e passa a ser um elemento estrutural de margem e caixa. O imposto pago nas aquisições compõe o crédito a ser apropriado, reduzindo o imposto devido nas etapas seguintes”, explica De Lázari. Na primeira fase da reforma, as empresas operarão simultaneamente os dois sistemas tributários, com IBS e CBS apenas destacados nos documentos fiscais, enquanto a arrecadação efetiva dos novos tributos ocorrerá em um momento posterior. Essa convivência exige adequações nos layouts fiscais, criação de novos campos, revisão de regras de destaque e motores de cálculo capazes de simular os novos tributos por tipo de operação, além de uma governança de dados muito mais rigorosa. Segundo o executivo, empresas que já contam com processos fiscais bem estruturados largam em vantagem. “Essas organizações conseguem capturar crédito com consistência, sustentar esse crédito com documentação e evidências e evitar perdas decorrentes de falhas de dados”, afirma. Além disso, companhias mais maduras têm a capacidade de reconciliar e auditar continuamente o que foi destacado nos documentos eletrônicos em relação ao que foi efetivamente apurado. “Isso reduz surpresas, disputas e protege o caixa. Quem já é organizado tende a aproveitar mais crédito, mais rápido e com menos risco, transformando governança fiscal em retorno financeiro”, destaca. Por outro lado, empresas com menor nível de organização fiscal enfrentam desafios significativos e correm o risco de pagar mais impostos do que o devido. Erros em cadastros de produtos, serviços, localidades ou estabelecimentos, bem como informações incompletas, podem impedir a geração correta de crédito e comprometer parte relevante do benefício do IVA. “Um dado errado ou incompleto vira imposto errado e impacta diretamente o direito ao crédito”, destaca De Lázari. Além disso, em 2027, terá início a Apuração Assistida, mecanismo pelo qual o governo apresentará às empresas o seu cálculo de apuração dos tributos. “Nesse contexto, dispor de um sistema estruturado e automatizado será essencial para auditar os valores apurados, validar premissas e bases de cálculo e subsidiar eventuais contestações e correções junto ao Fisco”, reforça. O impacto financeiro, entretanto, não é o único ponto de atenção, também há riscos operacionais. Inconsistências em documentos eletrônicos podem gerar rejeições, contingências, retrabalho e abrir espaço para questionamentos e penalidades em um ambiente cada vez mais digital e automatizado. Para De Lázari, 2026 será um ano decisivo de preparação. “O foco deve ser operar em modo duplo, colocando o ambiente em ordem para entrar em 2027 com o sistema tributário totalmente ajustado: regras parametrizadas, cadastros saneados, integrações funcionando e trilhas de evidência implantadas”, afirma. Segundo o executivo, a Reforma Tributária impacta todos os setores da economia, em maior ou menor grau. O diferencial competitivo, no entanto, será o nível de maturidade em dados, documentos e governança. “A reforma premia quem controla bem a cadeia e penaliza quem opera no improviso”, conclui.

Baixo desemprego aumenta desafio de empresas para encontrar talentos

O Brasil inicia 2026 com um mercado de trabalho robusto. A taxa de desemprego caiu para 5,2% no trimestre encerrado em novembro de 2025, o menor nível desde o início da série histórica do IBGE em 2012. O país conta hoje com mais de 103 milhões de pessoas ocupadas e geração consistente de vagas formais, especialmente em serviços, comércio e indústria. Por trás dos números positivos, porém, as empresas enfrentam um paradoxo crescente: 81% delas relatam dificuldades para preencher vagas qualificadas, de acordo com a Pesquisa Global de Escassez de Talentos 2025 da ManpowerGroup. Setores como tecnologia da informação, logística, engenharia, saúde e manufatura avançada são os mais impactados, com índices de dificuldade que chegam a 91% em transporte e logística: “Com desemprego em patamar tão baixo, a disputa por profissionais com as competências técnicas e comportamentais certas é intensa. Muitas empresas perdem meses em processos seletivos internos que não entregam o resultado esperado”, afirma Renato Pádua, diretor comercial e de operações da RH NOSSA, empresa especializada em recrutamento e seleção com mais de 30 anos de atuação nacional. Em um cenário de desaceleração moderada na criação de vagas para 2026, analistas apontam que a capacidade de atrair e reter talentos qualificados será ainda mais decisiva para a competitividade das empresas. Parcerias com especialistas em recrutamento e seleção surgem como alternativa estratégica para superar a escassez e manter o crescimento sustentável: “A solução passa por parceiros especializados que dominem o mercado de talentos. Recrutamento eficiente exige banco de currículos robusto, metodologia estruturada e conhecimento profundo das necessidades de cada cliente” finaliza Pádua.

Como dar feedbacks para o líder de forma estratégica

Dar feedback a um líder ainda é um desafio para muitos profissionais. O receio de soar desrespeitoso, causar desconforto ou comprometer o relacionamento com a chefia costuma impedir conversas que, na verdade, são essenciais para o crescimento mútuo e o fortalecimento da cultura organizacional.   De acordo com uma pesquisa da Acorn Works (2025), quase 80% dos líderes seniores reconhecem que os funcionários muitas vezes precisam deixar a empresa para conquistar uma promoção ou aumento, e que apenas 29% dos trabalhadores confiam nos processos de avaliação de desempenho. Esse dado é um exemplo de como a falta de confiança nas trocas com os líderes pode impactar na retenção de talentos.  Mais do que uma avaliação, o feedback deve ser entendido como uma via de mão dupla — um instrumento de troca e aprendizado contínuo. “Quando o diálogo é conduzido com empatia e assertividade, todos saem ganhando: líderes se tornam mais conscientes do impacto de suas ações, e equipes se sentem valorizadas e ouvidas. Ao expressar suas percepções de maneira construtiva, o colaborador contribui não apenas para o desenvolvimento do gestor, mas também para a melhoria dos processos, da comunicação interna e do clima organizacional”, comenta Polyana Macedo, gerente executiva de RPO do ManpowerGroup, consultoria global de soluções em RH.  Um estudo do ManpowerGroup aponta que mais trabalhadores (67%) estão confiando em seus líderes, o que tem aumentado o índice de bem-estar no trabalho. Isso mostra a importância de promover um ambiente onde o diálogo franco e o feedback constante sejam práticas valorizadas e incentivadas.  Para que o feedback ao líder seja produtivo, é importante tomar alguns cuidados. O momento e o canal escolhidos influenciam diretamente a receptividade da conversa. Ambientes reservados e tranquilos favorecem o diálogo sincero. Além disso, o foco deve estar em comportamentos observáveis, e não em julgamentos pessoais. Descrever situações específicas e o impacto que elas geraram ajuda o líder a compreender melhor a percepção da equipe. Ao mesmo tempo, apresentar sugestões e alternativas demonstra proatividade e reforça o compromisso com a melhoria contínua.  Outro ponto essencial é a escuta ativa. O feedback deve ser encarado como uma troca construtiva, na qual o colaborador expressa suas percepções e o líder tem espaço para compartilhar seu ponto de vista. Essa troca fortalece o vínculo profissional e estimula uma cultura de confiança e transparência.  “Dar feedback para o gestor é um sinal de profissionalismo e um passo importante na construção de relações baseadas em respeito e colaboração. Quando feito de forma estratégica e cuidadosa, o diálogo fortalece a cultura de aprendizado contínuo e torna as organizações mais adaptáveis e humanas”, reforça Polyana.  Ao encarar o feedback como uma oportunidade de crescimento compartilhado e não como uma crítica, líderes e equipes ampliam sua capacidade de evoluir juntos, comunicar-se com clareza e alcançar resultados mais consistentes. 

STF estende prazo para aprovação de lucros e dividendos e alivia pressão sobre empresas

Em uma decisão que reverbera no mercado brasileiro, o Supremo Tribunal Federal (STF) prorrogou o prazo para que empresas concluam a aprovação formal da distribuição de lucros e dividendos relativos ao exercício de 2025. A determinação, assinada pelo ministro Kassio Nunes Marques, estende o prazo original — que venceria em 31 de dezembro de 2025 — para 31 de janeiro de 2026. A medida foi tomada no curso de Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs) ajuizadas por entidades empresariais como a Confederação Nacional do Comércio (CNC) e a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e ainda precisa ser referendada pelo Plenário do STF em sessão virtual agendada para fevereiro de 2026.  A decisão liminar do STF busca garantir segurança jurídica diante da publicação tardia da Lei nº 15.270/2025, que alterou as regras de isenção sobre lucros e dividendos. Segundo o relator, o prazo original era incompatível com o calendário societário das empresas e com os processos de fechamento e aprovação dos resultados. Pontos positivos da prorrogação Especialistas ouvidos pela reportagem destacam que a extensão até 31 de janeiro de 2026 traz ganhos importantes para o setor produtivo e para a própria administração tributária. 1. Segurança jurídica e previsibilidade “A decisão do STF reduz a pressão sobre as empresas e evita decisões contábeis e societárias precipitadas que poderiam gerar litígios e conflitos com a Receita Federal”, afirma Rodrigo Molinaro, especialista em Contabilidade e Controladoria do Grupo Villela. Segundo ele, a prorrogação contribui para que os empreendedores cumpram os requisitos legais sem riscos desnecessários de autuações fiscais. 2. Alinhamento com a legislação societária A legislação societária — como a Lei das Sociedades por Ações e o Código Civil — prevê que a aprovação de balanços e a destinação de resultados ocorram nos primeiros meses após o término do exercício social. Com a prorrogação, esse calendário fica mais alinhado com a realidade das empresas.  3. Menor chance de litígios e custos de conformidade mais baixos Molinaro ressalta que a extensão evita contestações judiciais e custos extras de consultoria e auditoria que muitas empresas enfrentam para cumprir um prazo considerado impraticável. “Empresas poderão planejar estrategicamente a distribuição de resultados sem atropelos”, comenta. O que os empreendedores precisam revisar nesse período Embora a prorrogação dê mais tempo, ela não significa que o assunto está encerrado. Pelo contrário, há pontos que precisam de atenção imediata por parte de empreendedores e gestores contábeis. O primeiro passo é revisar com atenção os procedimentos societários, especialmente os calendários de assembleias gerais ordinárias e extraordinárias. “É fundamental que as empresas se organizem para formalizar corretamente as deliberações sobre a distribuição de lucros dentro do novo prazo estabelecido pelo STF, evitando falhas que possam gerar questionamentos futuros”, explica. Outro ponto essencial é a conferência dos balanços e das demonstrações financeiras. Para Molinaro, a prorrogação não elimina a necessidade de rigor técnico. “As demonstrações precisam estar consistentes, bem estruturadas e, quando necessário, auditadas. Qualquer inconsistência contábil pode comprometer a distribuição de lucros e até trazer riscos fiscais para a empresa”, ressalta. O especialista também chama atenção para o planejamento tributário, que deve ser atualizado mesmo com a extensão do prazo. A legislação que altera a tributação sobre lucros e dividendos segue válida e prevê a incidência de uma alíquota de 10% sobre valores que ultrapassem R$ 50 mil mensais a partir de 2026. “Esse é o momento ideal para o empreendedor sentar com seu contador e avaliar como essa nova tributação pode impactar a estratégia de distribuição de resultados nos próximos anos”, orienta Molinaro. Por fim, ele reforça a importância de acompanhar de perto o julgamento definitivo da liminar pelo Plenário do STF, previsto para fevereiro de 2026. “A decisão final pode confirmar ou alterar o entendimento atual. Estar atento a esse desfecho é essencial para ajustes rápidos e para garantir segurança jurídica nas decisões empresariais”, conclui.

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