Carnaval: redes sociais e embriaguez podem gerar punições no ambiente de trabalho
Embora o Carnaval seja tradicionalmente associado ao lazer, empresas precisam redobrar a atenção nesse período para evitar impactos na rotina e riscos trabalhistas decorrentes de faltas injustificadas, uso indevido de atestados e comportamentos incompatíveis com o ambiente profissional. Nesse período, é comum o aumento de afastamentos por atestado médico, diz Karolen Gualda Beber, advogada especialista em Direito do Trabalho, do escritório Natal & Manssur Advogados. “Mas quando o empregado apresenta atestado médico e, ao mesmo tempo, aparece em festas ou viagens divulgadas nas redes sociais, a empresa pode considerar que houve uso indevido do afastamento e aplicar medidas disciplinares, inclusive a demissão por justa causa, dependendo do caso”, explica. Outra situação é quando o funcionário comparece ao trabalho sob efeito de álcool, especialmente na Quarta-Feira de Cinzas ou nos dias seguintes às festividades. “Nessas situações, a empresa deve afastar imediatamente o empregado das atividades, principalmente quando há risco à segurança. Se for um episódio isolado, podem ser aplicadas advertência ou suspensão. Mas, em casos graves ou repetidos, a conduta pode justificar demissão por justa causa”, diz Karolen. A advogada ressalta, porém, que a empresa deve avaliar cada situação individualmente. Quando houver indícios de alcoolismo, o caso passa a ser tratado como questão de saúde, exigindo encaminhamento para tratamento, e não apenas punição. A orientação aos empregadores é reforçar regras internas e registrar ocorrências para reduzir riscos de questionamentos futuros. “Mesmo em períodos festivos, o contrato de trabalho permanece em vigor e a empresa pode exigir o cumprimento normal das obrigações profissionais”, conclui. Fonte: Karolen Gualda Beber, advogada especialista em Direito do Trabalho, pós-graduada em Direito e Processo do Trabalho e coordenadora da área trabalhista do escritório Natal & Manssur Advogados.
Estudo da Korn Ferry mostra que 83% dos gestores compartilham notas de desempenho com colaboradores; maioria adota PDI
A consultoria global de gestão organizacional, Korn Ferry, divulga anualmente o estudo Tendências de RH, que analisa a maturidade das práticas de recursos humanos no Brasil e em outros países. O levantamento reúne dados sobre temas como atração e retenção de talentos, sucessão, modelos de trabalho, cultura organizacional, inteligência artificial e gestão de desempenho, oferecendo subsídios para decisões estratégicas das lideranças empresariais. Entre os principais achados da edição mais recente, o estudo revela que 83% dos gestores compartilham as notas de desempenho com seus colaboradores durante os processos de avaliação. Após esse diagnóstico, 80% das lideranças afirmam estruturar Planos de Desenvolvimento Individual (PDI) como um dos instrumentos utilizados para conectar avaliação e desenvolvimento. Os dados também revelam que a governança dos processos de avaliação permanece fortemente centralizada na área de Recursos Humanos. Em 82% das empresas, é o RH quem define quais pessoas participam das avaliações, percentual significativamente superior ao papel atribuído aos gestores diretos (35%) e aos próprios colaboradores (16%). Quando analisado quem efetivamente responde às avaliações, a participação é maior entre líderes (99%), seguida pela autoavaliação dos colaboradores (88%) e pela avaliação de subordinados (46%). Veja abaixo os dados completos: O estudo também reforça a relação entre desempenho, remuneração e progressão de carreira. Para 43% das empresas, os resultados das avaliações estão diretamente vinculados a decisões de remuneração e promoção. Outros 44% afirmam que essa relação ocorre de forma parcial, enquanto apenas 13% dizem não estabelecer qualquer vínculo entre desempenho e recompensas. Etapas e periodicidade As etapas mais recorrentes nos processos de gestão de desempenho incluem avaliações formais e feedback entre gestor e colaborador (95%), calibração de resultados (75%), apuração dos resultados (69%) e acordo de metas (63%). A pesquisa indica ainda que a gestão de desempenho já é uma prática institucionalizada na maioria das organizações: 89% afirmam possuir um programa formal estruturado, com maior cobertura entre a média liderança (97%) e a alta liderança (89%). Para o Sr. Principal da Prática de Estratégia Organizacional na Korn Ferry, Breno Rossi, a existência de um programa formal, incluindo instrumentos como o PDI, por si só, não garante efetividade. “Gestão de desempenho é uma alavanca estratégica quando conecta expectativa, desenvolvimento e decisão. Isso exige clareza sobre critérios, consistência na aplicação e líderes preparados para usar instrumentos como a avaliação e o PDI para direcionar performance, e não apenas como ritos formais”, afirma. Segundo o consultor, esse processo precisa fazer parte da dinâmica contínua de gestão. “Quando a avaliação acontece apenas de forma pontual, ela perde poder de direcionamento. O valor está na cadência, no acompanhamento frequente e na capacidade de ajustar comportamentos e prioridades ao longo do tempo”, completa. Em relação à periodicidade, a avaliação anual ainda predomina (69%). Modelos baseados em feedback contínuo seguem pouco representativos (6%), assim como avaliações 360 graus (15%) e metodologias baseadas em OKRs (2%). Veja abaixo os dados completos: ESG & DE&I O estudo também analisou como indicadores de ESG (Ambiental, Social e Governança) e DE&I (Diversidade, Equidade e Inclusão) estão incorporados aos sistemas de gestão de desempenho. Os dados mostram que essa integração ainda é limitada, especialmente nos níveis operacionais. Atualmente, apenas 36% das empresas afirmam incluir indicadores ESG nos acordos de metas da alta liderança. Esse percentual cai para 31% na média liderança e para 26% entre os demais profissionais. O mesmo padrão se repete em relação às metas de DE&I: 21% na alta liderança, 18% na média gestão e 13% nos demais níveis. De acordo com Breno Rossi, da Korn Ferry, um dos principais entraves à eficácia da gestão de desempenho está no desalinhamento entre metas, cultura e maturidade da liderança. “A falta de clareza nas metas locais, somada a estilos de liderança pouco preparados para dar feedback e lidar com vieses, compromete a qualidade do processo e a credibilidade da avaliação”, afirma. Ele acrescenta que desafios estruturais também pesam sobre os resultados. “Há uma tensão constante entre padronização e flexibilidade, especialmente em organizações com operações regionais diversas. Sem governança clara, indicadores consistentes e ferramentas adequadas, a gestão de desempenho perde coerência e deixa de apoiar a execução da estratégia”, conclui.
Consultoria global Korn Ferry lança plataforma de tecnologia para decisões estratégicas de talento
A Korn Ferry (NYSE: KFY) anunciou hoje o lançamento da Korn Ferry Talent Suite, uma plataforma de tecnologia pioneira, alimentada por 50 anos de propriedade intelectual e dados de desempenho da organização. A solução integra um conjunto robusto de aplicativos de gestão de talento, todas desenvolvidas em uma única plataforma tecnológica SaaS. “A Talent Suite é um diferencial substancial e elevará a Korn Ferry ao trazer, de forma integrada, toda a amplitude e profundidade de nossas capacidades e recursos de talento para organizações em todo o mundo”, disse Mathias Herzog, presidente da Prática Global de Tecnologia e presidente de Soluções Digitais da Korn Ferry. “Essa nova plataforma tecnológica reúne todos os recursos e soluções fundamentais da Korn Ferry, que permeiam tudo o que oferecemos e tudo o que sabemos sobre pessoas, tornando isso acessível para nossos clientes e consultores.” Mais do que um sistema de entrega, a Talent Suite incorpora a propriedade intelectual de talento da Korn Ferry, dados, análises avançadas e inteligência artificial aos fluxos de trabalho dos clientes, além de suportar uma implantação escalável em toda a empresa. “A Talent Suite chega ao mercado para redefinir a forma como as organizações tomam decisões sobre pessoas. Combinando ciência, tecnologia e dados, a plataforma oferece uma abordagem integrada e contínua para gestão de talentos, alinhada à estratégia do negócio. Cada decisão passa a ser fundamentada em insights confiáveis, eliminando suposições e impulsionando resultados reais.”, afirma Rodrigo Accarini, sócio e líder de Soluções Digitais da Korn Ferry Brasil. “Além disso, a Talent Suite foi desenvolvida para integrar-se de forma fluida aos principais sistemas de gestão de capital humano (HCM), garantindo conectividade, eficiência, consistência de dados e uma experiência unificada. Essa integração permite que empresas potencializem seus investimentos em tecnologia, conectando processos críticos de RH à inteligência preditiva da Talent Suite.”, complementa Accarini. Por meio da Talent Suite, todos os produtos de tecnologia da Korn Ferry — como soluções de arquitetura organizacional, avaliação de talentos, remuneração, recrutamento e performance comercial, entre outras — podem ser implementados nas organizações por meio de modelos de assinatura e licenciamento. Além disso, a plataforma pode ser amplamente integrada às soluções de consultoria e aquisição de talentos da Korn Ferry, à medida que os especialistas da empresa atuam junto a organizações globais na entrega de projetos. A nova plataforma oferece uma visão clara das pessoas e de como elas impactam os resultados de negócios. A Talent Suite garante que cada decisão de talento esteja conectada, fundamentada na ciência e alinhada aos resultados que mais importam para o negócio, eliminando suposições e trazendo clareza sobre o que está funcionando, o que precisa ser ajustado e quais são os próximos passos. Os aplicativos da Talent Suite identificam lacunas de habilidades e desenvolvimento em todo o ecossistema das empresas e as ajudam as a fechar essas lacunas com ações precisas de talento, desde a contratação, desenvolvimento e coaching até a realocação de profissionais para onde são mais necessários. A plataforma conecta remuneração, desempenho e potencial para apoiar decisões mais justas e seguras, que impulsionam resultados. “Por meio da Talent Suite, estamos construindo um ecossistema de talento holístico, ágil, inclusivo e preparado para o futuro. Não estamos apenas gerenciando talentos, estamos liberando seu potencial”, disse Claudine Wolfe, Chief Talent Officer da IFF. “Estamos avaliando desenvolvimento e sucessão com precisão e escala. Já observamos sinais iniciais de impacto, como maior clareza de papéis e, em última análise, melhorias na retenção e na qualidade do talento.”
Do bem-estar à performance sustentável: a Felicidade Interna Bruta como diferencial estratégico na gestão de pessoas em 2026
Por Elaine Bernardes, diretora de Gente da Leega Consultoria* Poucas expressões parecem tão distantes do universo corporativo quanto “Felicidade Interna Bruta (FIB)”, índice criado no Butão e endossado pela ONU, que avalia saúde mental, senso de propósito, capital social e qualidade do tempo livre. No entanto, ao se inspirarem nas métricas da FIB, como o equilíbrio entre vida pessoal e profissional, líderes de Recursos Humanos descobrem formas de gerar valor que vão além dos relatórios financeiros. Empresas que integram o bem-estar às suas estratégias de gestão reduzem a rotatividade, aumentam a produtividade e fortalecem sua reputação no mercado. Simples assim: o engajamento cresce, o turnover diminui e a inovação floresce. Mais do que um indicador, a FIB propõe uma mudança de paradigma que é colocar as pessoas no centro das decisões. Quando o bem-estar deixa de ser um benefício secundário e passa a ser uma prioridade estratégica, a saúde emocional dos colaboradores torna-se um ativo valioso. E isso não é idealismo, é pragmatismo puro. Companhias que promovem a felicidade no trabalho constroem vantagens competitivas duradouras, atraem talentos mais qualificados, fortalecem sua cultura e entregam resultados sustentáveis. Adotar os princípios da FIB transforma a lógica empresarial. Não se trata apenas de aumentar desempenho, mas de reforçar o propósito, criar pertencimento e promover um ambiente de trabalho verdadeiramente saudável. Isso faz toda a diferença. Profissionais felizes permanecem mais tempo nas empresas, são mais criativos, colaborativos e engajados. Líderes que incorporam o bem-estar à cultura organizacional fortalecem sua marca empregadora e ganham vantagem na disputa pelos melhores talentos. Na prática, os princípios da FIB podem ser implementados por meio de ações que promovam saúde física e mental, equilíbrio entre vida profissional e pessoal, relações interpessoais mais saudáveis e oportunidades reais de crescimento. Iniciativas como pesquisas de clima organizacional, programas de escuta ativa, mindfulness, apoio psicológico, incentivo à prática esportiva e capacitação contínua aumentam a satisfação interna e impactam positivamente os resultados do negócio. O estudo “Does Employee Happiness Have an Impact on Productivity?”, conduzido por Jan-Emmanuel De Neve (Universidade de Oxford), George Ward (MIT) e Clement Bellet (Erasmus University), revelou que colaboradores felizes podem ser até 13% mais produtivos. Isso acontece porque o bem-estar cria um ambiente de confiança, cooperação e vínculo, pilares essenciais para a inovação e o crescimento sustentável. Equipes engajadas adoecem menos, produzem mais e se sentem protagonistas do sucesso da organização. Ano passado, o Brasil deu um passo importante ao lançar um projeto-piloto em Fernando de Noronha para adotar a FIB como métrica de desenvolvimento. Ao reconhecer a felicidade como um indicador legítimo para políticas públicas, o país sinaliza para 2026 um novo horizonte em que qualidade de vida, saúde mental e tempo equilibrado são tão relevantes quanto indicadores econômicos tradicionais. Essa iniciativa reforça a urgência de repensarmos o ambiente de trabalho, tornando-o mais humano, saudável e sustentável. A Felicidade Interna Bruta não é apenas uma métrica, é uma filosofia de gestão que inspira um novo jeito de liderar, trabalhar e viver. Afinal, progresso sem humanidade não é progresso. Cuidar das pessoas é o melhor caminho para alcançar melhores resultados. Felicidade e performance não se excluem, elas se fortalecem mutuamente. Organizações que compreenderem que colocar as pessoas no centro é a chave para a prosperidade serão referência na liderança do futuro. E cabe a nós, profissionais de gestão de talentos, transformar essa visão em realidade. * Elaine Bernardes é diretora de Gente da Leega, responsável por liderar a área de Recursos Humanos e Recrutamento e Seleção, além de promover o engajamento dos colaboradores, a cultura e os valores da empresa. É formada em Administração pelo Centro Universitário Íbero-Americano e tem mais de 25 anos de experiência em gestão e liderança na área de Recursos Humanos.