Eficiência de dados é divisor de águas para o ROI no Mês do Consumidor, afirma o CBO da Nava

O Mês do Consumidor consolidou-se como o primeiro grande teste de estresse do varejo no ano. No entanto, em um cenário de compressão de margens e do custo de aquisição de clientes (CAC) ascendente, a disputa apenas por preço tornou-se uma estratégia insustentável. Segundo o Estudo Opinion Box/Neogrid, 33,5% dos consumidores dão mais peso para a experiência do que para a oferta como pilar principal para se fidelizar a uma marca.  Para a Nava, consultoria de soluções de tecnologia, o desafio das marcas em 2026 é a integridade da jornada digital, já que a maturidade digital no varejo migrou da digitalização para a antecipação. Por meio da GH Brandtech, parte integrante do ecossistema da Nava, a companhia identifica que a desconexão entre o marketing e a criatividade da engenharia de dados é o principal dreno de faturamento nas datas sazonais.  A Nava destaca quatro pilares onde a tecnologia aplicada dita o sucesso financeiro da operação: “O diferencial competitivo reside na capacidade de eliminar as fricções invisíveis na jornada do usuário. Quando os dados orientam a criatividade em tempo real, as campanhas se tornam precisas. É essa integração que permite às empresas escalarem com sustentabilidade, transformando o volume de tráfego do Dia do Consumidor em LTV (Lifetime Value) real”, afirma Hansel.

Brasil acelera investimentos em dados, mas maturidade ainda é gargalo estratégico

Por Andrey Menegassi  O mercado brasileiro vive um momento de expansão na agenda de dados. Empresas de diferentes setores ampliaram investimentos em plataformas analíticas, modernização de ERP, inteligência artificial e arquitetura em nuvem. No entanto, apesar da aceleração tecnológica, a maturidade ainda não acompanha o investimento.  Embora o Brasil lidere a maturidade digital entre os países da América Latina, globalmente, nosso país ocupa a 42ª posição, figurando atrás de nações emergentes como Tailândia e Cazaquistão, conforme dados apontados pelo Instituto Brasileiro de Soberania Digital.  Na última década, a transformação digital foi focada na implantação de sistemas. Agora, o desafio é estrutural: transformar dados em ativos estratégicos confiáveis, governados e conectados ao negócio. E é justamente nesse ponto que reside o gargalo; afinal, investir não é o mesmo que amadurecer.  Grande parte das organizações brasileiras já possui ferramentas de Business Intelligence (BI) consolidadas, data warehouses estruturados e dashboards sofisticados. No entanto, a maturidade de dados não se mede pela quantidade de relatórios, mas sim pela consistência, padronização e capacidade de tomada de decisão baseada em dados confiáveis.  Na prática, o mercado brasileiro ainda se concentra majoritariamente entre dois estágios: BI estruturado, porém dependente de TI; e governança em construção, mas sem um modelo organizacional claro. Ou seja, poucas empresas operam, de fato, como organizações data-driven, assim como poucas possuem uma arquitetura preparada para escalar a inteligência artificial com segurança e confiabilidade.  O Brasil possui características que tornam o avanço ainda mais complexo: ausência de “dono do dado”, não deixando clara a responsabilidade por qualidade e padronização; indicadores divergentes entre as áreas — financeiro, comercial e operações trabalham com números diferentes; excesso de planilhas paralelas, com soluções locais que substituem a governança corporativa; arquitetura fragmentada, tendo múltiplas bases e integrações sem visão unificada; e tecnologia sem uma estratégia de dados definida, em que ferramentas avançadas operam sem um modelo organizacional estruturado.  Diante desse cenário, o que vemos são muitas empresas adquirindo tecnologia antes de consolidar a estratégia de dados. O resultado é um ambiente com múltiplas soluções, mas sem integração plena e governança consistente. Neste contexto, ofertas como, por exemplo, o SAP BDC, surge como resposta à necessidade de conectar o transacional, o analítico e o planejamento em uma arquitetura unificada, reduzindo redundâncias e aumentando a confiabilidade dos indicadores estratégicos.  Entretanto, a tecnologia por si só não resolve a maturidade. Sem definições claras de quem é o dono do dado, um modelo de governança ativo e alinhamento organizacional, mesmo as plataformas mais modernas operam abaixo do seu potencial.  O avanço da IA Generativa aumentou a pressão sobre a agenda de dados. Muitas empresas iniciaram pilotos de inteligência artificial, mas poucas possuem uma base estruturada para escalar essas iniciativas. A realidade é simples: sem qualidade, padronização e uma arquitetura consistente, a IA se torna apenas um experimento isolado, e não uma alavanca estratégica.  O mercado brasileiro já demonstrou capacidade de investimento. O próximo avanço, porém, precisa ser menos tecnológico e mais organizacional. As empresas que estruturarem dados como produto, com governança ativa, arquitetura consistente e integração entre execução e planejamento, estarão mais preparadas para competir em um ambiente orientado por inteligência. O Brasil acelerou investimentos. Agora, é preciso acelerar a maturidade. Andrey Menegassi é especialista em arquitetura de dados no ecossistema SAP e diretor da Solveplan. 

Design e dados juntos: como o CRO pode transformar a performance digital de empresas brasileiras em 2026

O Brasil é um dos países com maior engajamento digital do mundo. Segundo o Digital Report 2026, produzido pela We Are Social em parceria com a Meltwater, o país conta com mais de 170 milhões de usuários ativos na internet e a digitalização de negócios segue em ritmo acelerado. Nesse cenário, cresce entre empresários e gestores o interesse por uma prática já consolidada nos mercados norte-americano e europeu: o CRO, sigla para Conversion Rate Optimization, ou otimização da taxa de conversão. O CRO reúne técnicas e estratégias voltadas a aumentar o percentual de usuários que realizam uma ação desejada em um site ou aplicativo, como comprar um produto, solicitar um orçamento ou preencher um formulário. Em mercados mais maduros, a prática já integra as áreas de produto, growth e tecnologia das empresas. No Brasil, o movimento está em curso e 2026 pode ser o ano em que o CRO deixa de ser novidade e passa a ser estratégia. Para Adriano Valadão de Freitas, designer especialista em UX e CRO com atuação nos Estados Unidos e no Brasil, a adoção da prática responde a uma pressão real do mercado. “O CRO ajuda a criar uma jornada mais assertiva e memorável, com eficiência e inteligência no uso de dados. Diante do aumento do custo de aquisição de clientes e da transformação causada pela busca com IA, otimizar o que já existe torna-se cada vez mais necessário. Mais do que atrair uma grande quantidade de visitantes, é preciso transformar a audiência em resultado”, afirma. O especialista reforça que dados isolados não bastam. Para ele, o CRO só entrega seu potencial máximo quando a análise quantitativa caminha ao lado do design. “Um teste A/B, por exemplo, pode indicar que uma página não está convertendo, mas é o olhar do design que revela o porquê: o botão está em segundo plano visual, a hierarquia da informação está invertida, o call to action compete com outros elementos, e assim por diante. Dados apontam o problema e o design resolve.”, explica Freitas. Nesse sentido, princípios fundamentais de UX e design de interface, como clareza visual, hierarquia tipográfica, e fluxo de leitura, bem como a aplicação de padrões de acessibilidade como uso adequado de cor e contraste, são ferramentas relativamente simples de se implementar e com alto potencial de aumento de receita. Freitas observa que o mercado americano de tecnologia e e-commerce, altamente competitivo, foi o principal laboratório para a consolidação do CRO como disciplina estratégica. “Plataformas digitais nos EUA operam com metas rigorosas de conversão e utilizam ferramentas avançadas de analytics, personalização e inteligência artificial para transformar dados em decisões de melhoria contínua”, explica. “As pequenas e médias empresas, em especial, podem ter resultados muito positivos se replicarem esse movimento. Falta, em muitos casos, saber por onde começar”, completa.

Dados não estruturados são desafio para incorporação da IA agêntica no Brasil

por Inon Neves, vice-presidente da Access As empresas brasileiras vivem uma corrida pela adoção da inteligência artificial generativa, buscando ganhos de produtividade e inovação. Ferramentas baseadas em grandes modelos de linguagem já escrevem contratos, analisam dados e interagem com clientes em português – muitas vezes atuando como agentes autônomos de IA, capazes de planejar, raciocinar e executar tarefas de forma independente. Uma pesquisa do Google, realizada no ano passado no Brasil, indicou que ao menos 62% dos altos executivos no Brasil afirmam já usar agentes de IA em suas operações, índice superior à média global. No entanto, por trás do entusiasmo com essas “colegas digitais” esconde-se um obstáculo estrutural subestimado: a gestão caótica do conteúdo não estruturado dentro das organizações. Em um país onde 78% das empresas ainda estão nos estágios iniciais de maturidade em dados, segundo dados divulgados pela Beanalytics a incapacidade de organizar e aproveitar informações dispersas – de e-mails a documentos escaneados – ameaça comprometer os benefícios prometidos pela IA. Esse gargalo invisível pode desacelerar projetos, gerar riscos de segurança e fazer com que empresas brasileiras percam vantagem competitiva justo no momento em que a adoção da IA entra em alta velocidade. O gargalo dos dados não estruturados Grande parte do conhecimento corporativo reside em conteúdo não estruturado: textos livres, PDFs, imagens, áudios e outros formatos que não se encaixam em bases de dados tradicionais. Estimativas globais sugerem que cerca de 80% de todos os dados disponíveis hoje são não estruturados, mas as empresas aproveitam efetivamente apenas 20% do Big Data em suas decisões. Ou seja, a maioria das informações valiosas permanece à margem das análises e das ferramentas de IA, simplesmente porque está desorganizada ou inacessível. Mesmo organizações que investiram pesado em transformação digital enfrentam esse dilema: possuem repositórios vastos de documentos e registros, porém carecem de ferramentas para extrair insights acionáveis deles e de governança para canalizar esse conhecimento de forma confiável em seus sistemas de IA. O principal gargalo para escalar IA nas empresas não é apenas técnico – é organizacional. Sem uma gestão eficiente do conteúdo, os projetos de IA ficam “cegos” para seu maior patrimônio informacional. Essa limitação gera um efeito cascata: equipes continuam sobrecarregadas por tarefas manuais, agentes de IA operam com contexto incompleto e a vantagem competitiva esperada da IA simplesmente não se concretiza. O problema não é falta de dados – pelo contrário. Um estudo recentemente publicado pela norte-americana Komprise em dezembro último, revelou que 74% dos líderes de TI e armazenamento já gerenciam pelo menos 5 petabytes desse tipo de conteúdo, um aumento de 57% em relação a 2024. Porém, transformar essa massa caótica em ativos prontos para IA é o grande desafio. Técnicas tradicionais ajudam apenas até certo ponto: por exemplo, digitalizar documentos em papel via OCR resolve a questão da leitura, mas não da compreensão. Um contrato escaneado pode se tornar pesquisável por palavras-chave, mas um agente de IA ainda não saberá discernir se uma data perdida no meio de um parágrafo representa assinatura, vencimento ou renovação – distinções que importam enormemente em operações legais e financeiras. Iniciativas de IA generativa falham ou patinam quando os dados de base não estão prontos. Em 2025, um estudo da Fivetran constatou que 42% das empresas enfrentaram atrasos, baixo desempenho ou fracasso em mais da metade de seus projetos de IA devido a problemas de prontidão dos dados. Em suma, enquanto os executivos cobram resultados da inteligência artificial, muitos times de tecnologia ainda lutam nos bastidores para organizar a informação necessária. Essa disparidade entre aspiração e realidade representa um gargalo estratégico: para usufruir da IA em todo seu potencial, as empresas precisam primeiro arrumar a casa dos dados. Realidade e desafios nas empresas brasileiras A adoção de IA generativa nas empresas brasileiras ainda é desigual e repleta de obstáculos práticos. Um estudo global patrocinado pela SAS em 2024 mostrou que apenas 46% das empresas no Brasil estavam utilizando ou implementando IA generativa, percentual abaixo da média mundial (54%). Além disso, mesmo entre as que adotaram, menos da metade realmente conseguiu passar do experimento inicial para um caso de uso concreto – somente 47% possuem aplicações de IA generativa já em funcionamento. Os motivos desse descompasso ficam claros nas entrevistas com executivos: falta de expertise interna foi citada por 51% como o principal entrave para avançar, superando a média global e indicando escassez de profissionais capacitados no mercado brasileiro. A dificuldade em sair da fase conceitual e implementar na prática também foi mencionada por 51%, evidenciando o famoso gap entre provar o conceito e escalar a solução no dia a dia operacional. Ou seja, há muita experimentação em laboratório, mas nem tanto projeto consolidado gerando valor contínuo. Produtividade, eficiência e o caminho da competitividade Superar o gargalo do conteúdo não estruturado não é apenas uma questão técnica – é uma estratégia de negócio para liberar o verdadeiro valor da IA. Os ganhos potenciais são substanciais. Empresas brasileiras que já iniciaram a jornada da IA generativa relatam impactos positivos bem concretos: o estudo da SAS também apontou 87% delas afirmaram ter reduzido custos operacionais e 76% observaram aumento na retenção de clientes após implementar soluções de IA. Isso reforça a ideia de que uma inteligência artificial bem alimentada por dados confiáveis pode atuar como catalisador de eficiência e inovação. Imagine agentes de IA agilizando a triagem de milhares de contratos, apontando riscos em segundos – tarefa que um time humano levaria dias para executar – ou assistentes inteligentes resolvendo dúvidas de clientes de forma personalizada, liberando os atendentes para casos mais complexos. Esses saltos de produtividade só são alcançáveis quando a IA trabalha com informação completa e correta. Caso contrário, os supostos ganhos viram retrabalho ou, pior, problemas inesperados. No fim das contas, a adoção bem-sucedida da IA autônoma dependerá menos de algoritmos miraculosos e mais de uma boa administração de um ativo já conhecido: os dados da empresa. Em um futuro breve, a competitividade no mercado – doméstico e global – será marcada pela capacidade de cada organização orquestrar

Select Soluções anuncia Evandro Pires como Chief Visionary Officer e entra em nova fase de crescimento acelerado em cloud, dados e IA

A Select Soluções, uma das principais parceiras da AWS no ecossistema brasileiro de tecnologia, anuncia a chegada de Evandro Pires como Chief Visionary Officer (CVO). O movimento marca um reposicionamento estratégico da companhia e inaugura uma nova fase de crescimento, com expansão da atuação para modernização de aplicações, soluções cloud-native, e habilitação em dados e inteligência artificial, voltada a empresas que enfrentam decisões tecnológicas críticas e cenários de alta complexidade. Evandro assume a responsabilidade de desenhar a visão de futuro da Select, liderando a estratégia de novos negócios, inovação e a criação de novas avenidas de crescimento. A nova cadeira surge em um momento de expansão consistente da empresa, que projeta dobrar seu faturamento até o final de 2026. Com a operação integrada à sls.guru no Brasil, a expectativa é que o faturamento combinado da atuação alcance três dígitos de milhões de reais no período. Parceria exclusiva redefine escala e posicionamento da Select O principal motor dessa nova fase é a parceria estratégica e altamente exclusiva firmada com a sls.guru, empresa americana de atuação global, reconhecida por sua excelência em engenharia cloud e por contar com profissionais distribuídos ao redor do mundo, incluindo diversos AWS Heroes, e clientes como Air Canada e Hyatt. No Brasil, a atuação ocorre exclusivamente de forma conjunta: Select e sls.guru operam lado a lado, em um modelo integrado que combina engenharia de nível mundial com presença local, operação sem fricção no Brasil e profundo entendimento do contexto regulatório e de negócios. A parceria elimina o distanciamento comum entre soluções globais e a realidade operacional brasileira, garantindo consistência entre estratégia, execução e entrega. Como resultado direto desse acordo, a Select passa por uma expansão estrutural relevante. O time atual, com cerca de 80 colaboradores, será ampliado para aproximadamente 300 profissionais, considerando a atuação integrada com a sls.guru no Brasil. A escala permite à empresa atender projetos de maior porte, maior complexidade técnica e maior impacto estratégico, mantendo senioridade como premissa central, e não como exceção. “O Brasil tem boas consultorias. O que falta é senioridade para decisões difíceis. Nosso papel é entrar quando o problema deixa de ser óbvio, quando errar custa caro e quando não existe resposta pronta”, afirma Evandro Pires. Atuação em decisões críticas de negócio O foco da nova unidade liderada por Evandro está em empresas que operam em ambientes de alta pressão, como ISVs (Independent Software Vendors), fintechs, healthtechs, varejo e plataformas digitais, onde arquitetura, custo de cloud, governança e escalabilidade impactam diretamente margem e crescimento. “Hoje, muitos ISVs operam com margens severamente pressionadas. Em teoria, a margem saudável, considerando custos de cloud, deveria girar em torno de 8%, mas a maioria das empresas ultrapassa esse patamar sem clareza sobre como corrigir o problema”, comenta Evandro. A proposta da Select é atuar justamente nesse ponto: revisar arquitetura, decisões de plataforma e estratégia tecnológica para reduzir risco, recuperar margem e viabilizar crescimento sustentável. Trajetória executiva com reconhecimento global Evandro Pires construiu sua carreira na interseção entre tecnologia, negócio e decisão executiva. Atuou como CTO da Senior Sistemas, uma das maiores empresas de software do país, responsável por plataformas críticas com milhões de usuários, diversos de ambientes produtivos e elevados requisitos de disponibilidade, segurança e governança. Reconhecido internacionalmente, Evandro é o primeiro e único AWS Serverless Hero da América Latina, além de ser embaixador da sls.guru na região. Também é host do podcast Sem Servidor e organizador de eventos como o ServerlessDays São Paulo. No novo papel, além de liderar a unidade de cloud, dados e IA, Evandro também conduz o desenho das próximas frentes estratégicas da Select, incluindo iniciativas como a tnkr, startup de educação focada em mentalidade, liderança e desenvolvimento profissional, que passa a integrar a estratégia de inovação do grupo. Com esse movimento, a Select Soluções reforça seu posicionamento como uma consultoria preparada para atuar onde tecnologia deixa de ser suporte e passa a ser infraestrutura estratégica do negócio, especialmente nos momentos em que decisões genéricas deixam de funcionar e em que excelência técnica é apenas o ponto de partida.

Democratização de dados: equilíbrio delicado entre autonomia e risco

por Inon Neves, vice-presidente da Access Nos últimos anos, empresas brasileiras de diversos setores abraçaram a cultura data-driven em busca de agilidade e vantagem competitiva. Ferramentas de análise e iniciativas “self service” em Business Intelligence colocaram nas mãos de profissionais de negócios volumes de dados antes restritos a áreas técnicas – e a descentralização aumenta a rapidez e a assertividade estratégica do negócio, o que impulsiona a produtividade, a confiança nas análises e a eficiência em projetos envolvendo Inteligência Artificial e automação. Porém, junto aos ganhos, surgem novos desafios: sem estruturas adequadas, mais acesso pode significar também mais riscos. Embora o entusiasmo seja grande, pesquisas revelam que menos de 13% das empresas brasileiras desenvolveram de fato uma cultura data-driven avançada. Essa lacuna mostra que, apesar do potencial competitivo, a maioria ainda não consegue utilizar seus dados de forma eficaz e segura para embasar decisões estratégicas – indicando que democratizar dados com responsabilidade tornou-se um imperativo no contexto atual. Ao colocar dados nas mãos de mais pessoas, as organizações ganham agilidade, mas também enfrentam uma tensão entre autonomia e risco. Sem diretrizes claras, o acesso amplo pode levar a situações indesejadas: múltiplas versões de “verdades” e relatórios inconsistentes circulando pela empresa, análises conflitantes e decisões baseadas em dados divergentes. O problema tem se materializado em incidentes de segurança e falhas de compliance. Apenas 4 em cada 10 empresas brasileiras possuem hoje uma estratégia formal de governança de dados, e 87% enfrentam baixa maturidade na gestão da informação, cenário que eleva os riscos de vazamentos, penalidades legais e perda de vantagem competitiva. Casos recentes de violação de dados, incluindo órgãos públicos e grandes varejistas, ressaltam o impacto de estruturas fragilizadas de governança. Colaboradores bem-intencionados, munidos de ferramentas de self-service BI, podem inadvertidamente acessar dados sensíveis sem autorização ou compartilhar informações indevidas, expondo a empresa a infrações da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e a danos reputacionais. Governança de dados: a base para a democratização responsável Para equilibrar liberdade de uso com proteção, as empresas brasileiras estão voltando suas atenções à governança de dados. Governança vai muito além de armazenar dados com segurança: envolve criar políticas, processos e controles que assegurem a integridade, o uso ético e a disponibilidade da informação certa, na hora certa, para as pessoas certas. Um componente fundamental dessa governança é a classificação da informação. Classificar dados significa atribuir níveis de sensibilidade e criticidade a cada ativo informacional – pessoais, confidenciais, restritos, públicos etc. –, definindo como devem ser manejados. Essa prática é essencial para identificar quais informações exigem proteção reforçada e aplicar controles proporcionais à importância de cada conjunto de dados. Por exemplo, dados cadastrais de clientes e informações financeiras internas demandam tratamento muito mais rigoroso do que dados públicos. A LGPD reforça essa necessidade ao distinguir dados pessoais de dados sensíveis, exigindo cuidado extra no tratamento destes últimos. De fato, os princípios da LGPD incluem segurança e prevenção – isto é, adoção de medidas técnicas e administrativas para proteger os dados contra acessos não autorizados ou acidentais – e impõem que as organizações reestruturem suas práticas de governança alinhadas a esses princípios. Para que a democratização de dados ocorra de forma segura, é indispensável estabelecer uma governança sólida da informação nas empresas. Soluções integradas de gestão do ciclo de vida da informação têm se mostrado eficazes nesse sentido, garantindo controle desde a criação de cada documento ou dado até a sua destinação final, incluindo a eliminação segura. Tais soluções permitem aplicar políticas uniformes de acesso, retenção e descarte, eliminando lacunas que antes geravam riscos e desperdícios de tempo e recursos. A partir de uma estrutura de governança consistente, a organização atende às exigências de conformidade regulatória e protege informações sensíveis, mantendo visibilidade total sobre os dados sem comprometer a eficiência operacional. Com essa base estabelecida, torna-se viável promover a democratização segura da informação nas empresas por meio de plataformas unificadas de gestão documental. Ao digitalizar acervos físicos e consolidar conteúdos em repositórios centralizados, dados críticos podem ser disponibilizados amplamente sem abrir mão do controle e da segurança. Desse modo, usuários autorizados conseguem localizar e acessar rapidamente as informações de que necessitam, a qualquer momento e lugar, aumentando a agilidade e a eficiência nos processos decisórios. Mecanismos de controle – como trilhas de auditoria e permissões de acesso granulares – asseguram que o uso dos dados permaneça em conformidade com as políticas corporativas e os requisitos regulatórios vigentes. No fim das contas, promover o acesso amplo à informação sem perder de vista a governança, a segurança e a conformidade é um movimento que exige maturidade estrutural e visão de longo prazo. Empresas que tratam dados como ativos estratégicos sabem que democratizar não é simplesmente liberar, mas construir um ecossistema em que cada dado esteja disponível no contexto certo, para a pessoa certa, com rastreabilidade e proteção desde a origem até o uso final. Nesse cenário, os líderes de TI têm papel central: orquestrar tecnologias, processos e políticas que viabilizem uma cultura de dados distribuída e segura, onde autonomia não signifique vulnerabilidade, mas sim inteligência operacional sustentada por controle.

Como transformar proteção de dados em vantagem estratégica

Felipe Adson, Superintendente de TI na Actionline Atuando há anos na área de tecnologia, acompanhei de perto a chegada da LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados) ao Brasil e, confesso, vi muitas empresas reagirem a ela com temor. Multas, sanções e riscos jurídicos dominaram o debate inicial. Porém, mais de cinco anos após a sanção da lei, minha percepção mudou e isso aconteceu porque o próprio mercado passou por transformações. Hoje, entendo que a proteção de dados deixou de ser apenas uma obrigação regulatória para se tornar uma alavanca real de inovação e diferenciação competitiva. Na prática, quem lidera processos de transformação digital sabe que não existe evolução sustentável sem confiança. Inteligência artificial, automação, personalização e novos modelos de negócio dependem, cada vez mais, de informações. E esses ativos tecnológicos só geram valor quando clientes, parceiros e usuários confiam que estão sendo tratados com seriedade. Não por acaso, levantamentos recentes mostram que 95% das empresas brasileiras relataram impacto positivo na governança de privacidade impulsionada pela LGPD, índice acima da média global. Outro ponto que me chama atenção é o custo de ignorar essa agenda. O Brasil já figura entre os países com maior custo médio por violação de dados, na casa dos  R$7 milhões por incidente, segundo dados mais recentes de 2025. Quando se olha para esse número, fica claro que investir em segurança não é apenas uma decisão técnica, mas também financeira e estratégica. Em muitos casos, prevenir é incomparavelmente mais barato do que remediar sem falar no impacto reputacional que um vazamento pode causar. Transformar compliance em vantagem competitiva passa, na minha visão, por integrar a governança de dados ao próprio processo de desenvolvimento de soluções. É aqui que entra o conceito de privacy by design, que defendo como prática indispensável: produtos, serviços e jornadas digitais já devem nascer considerando privacidade, segurança e governança, e não receber esses cuidados apenas depois que algo dá errado. Quando isso acontece, o efeito vai além da mitigação de riscos. A empresa passa a operar com dados mais confiáveis, processos mais eficientes e maior agilidade para lançar iniciativas no mercado. Por fim, há um aspecto que muitas vezes passa despercebido: a Lei Geral de Proteção de Dados também abre portas para o crescimento internacional. Ao alinhar processos aos padrões brasileiros de proteção de dados, os negócios se aproximam de regulações globais, como o GDPR (lei europeia), reduzindo barreiras para operações fora do país. Proteger dados hoje é proteger a própria capacidade de evoluir, crescer e se manter relevante. A LGPD não é o fim da jornada, mas um ponto de inflexão para estratégias de tecnologia mais maduras, responsáveis e, sobretudo, mais competitivas.

Inteligência Artificial e Desenvolvimento de Lideranças foram as competências mais demandadas em 2025

Com a aceleração da transformação digital, as empresas brasileiras intensificaram a busca por profissionais capacitados em tecnologias emergentes e habilidades interpessoais estratégicas. Uma análise da Alura + FIAP Para Empresas indica que competências como Inteligência Artificial (IA), desenvolvimento de lideranças e aceleração do aprendizado dominaram a agenda corporativa em 2025, refletindo a importância da combinação de novas habilidades.  A pesquisa “Educação Tech & Inovação nas Empresas 2025/26”, conduzida pela empresa, traz dados quantitativos que reforçam esse cenário, revelando que 81% das organizações já percebem impacto positivo da Inteligência Artificial na performance dos times, atribuindo uma nota média de 9,2 em uma escala de 0 a 10 para a contribuição da IA nos resultados. “A capacitação e o desenvolvimento de competências tecnológicas são pilares fundamentais para as empresas que desejam responder com agilidade às transformações do mercado e se manter competitivas”, destaca Tavane Gurdos, diretora geral da Alura + FIAP Para Empresas. “É necessário preparar pessoas de todas as áreas para pensar estrategicamente a tecnologia e saber usá-la como um ativo de inovação.” Competências em alta e cursos mais procurados Além dos dados da pesquisa, o levantamento aponta que, em 2025, as competências tecnológicas mais demandadas incluem, além da Inteligência Artificial, áreas tradicionais como programação, cibersegurança, cloud computing e análise de dados. Paralelamente, habilidades interpessoais como comunicação eficaz, inteligência emocional e oratória ganharam destaque, reforçando a necessidade de um desenvolvimento integrado entre o técnico e o humano. Os cursos mais procurados refletem essa diversidade, com foco em trilhas que vão desde os primeiros passos em programação e lógica, passando por linguagens como JavaScript e Python, até temas avançados como engenharia de prompt para IA generativa e ferramentas de análise de dados, como Power BI. Além disso, conteúdos voltados para o uso estratégico de IA, como ChatGPT, e metodologias ágeis também estiveram entre os destaques. Desafios e tendências para 2026 A pesquisa também destaca que apenas 13% das empresas se consideram digitalmente maduras, o que reforça a necessidade de investimentos contínuos em educação tecnológica. Apesar do avanço já observado em desenvolvimento de pessoas, as empresas ainda enfrentam desafios para capacitar seus colaboradores na velocidade das mudanças tecnológicas. “O caminho para continuar crescendo e inovando é sempre ter o foco em habilitar as pessoas para usarem todo o potencial tecnológico disponível hoje, com habilidades técnicas e interpessoais que permitam navegar pelas transformações do mercado”, afirma Tavane Gurdos. O avanço passa não apenas por adotar novas ferramentas, como IA, mas por desenvolver pessoas capazes de usá-las e de gerar valor. “Hoje, não basta conhecer o básico de IA e outras tecnologias, é preciso ser estratégico no seu uso para gerar impacto real”, complementa a diretora. Para se manterem competitivas, as empresas precisam combinar a adoção de novas tecnologias a lideranças preparadas, jornadas de aprendizado personalizadas e uma cultura que sustente a evolução contínua.

Dia da Privacidade de Dados e a maturidade da governança no Brasil

Por Ana Carla Martins Netto À medida que entramos em 2026, as organizações brasileiras lidam com um ambiente de dados marcado pelo aumento de incidentes cibernéticos e pela consolidação regulatória proporcionada pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e pela atuação da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD). Nesse contexto, o Dia da Privacidade de Dados se torna um momento estratégico para que conselheiros e executivos reforcem a responsabilidade corporativa e demonstrem maturidade na forma como tratam e gerenciam informações. A LGPD colocou no centro da agenda temas como minimização de dados, ciclo de vida da informação, segurança, governança e accountability. Eventos recentes em diversos setores mostraram de forma clara que o risco à privacidade cresce à medida que as empresas acumulam grandes volumes de dados não gerenciados, não classificados e obsoletos, muitas vezes sem finalidade ou base legal para sua manutenção. A partir de agora, evoluir além da segurança perimetral será determinante para elevar a maturidade em privacidade. Isso passa por uma visão completa do ciclo da informação, desde sua criação até a disposição segura e definitiva. Com dados não estruturados representando a maior parte da informação corporativa, as organizações precisam saber o que possuem, onde está armazenado e quem tem acesso. A convergência entre inteligência artificial e governança da informação amplia ainda mais o escopo de atenção, especialmente sob a ótica da LGPD.  Controlar como modelos de IA utilizam dados para treinar, inferir ou transformar informações se torna essencial para evitar violações de princípios como finalidade, necessidade, adequação e segurança. Sem esse controle, as empresas correm o risco de reter dados além do prazo, permitir usos indevidos, prejudicar auditorias ou enfrentar dificuldades em investigações regulatórias. Diante desse cenário, três frentes se destacam no Brasil. A primeira é o fortalecimento da governança da informação e das políticas de retenção, conectando bases legais a práticas concretas de ciclo de vida, com eliminação sistemática de dados que não possuem mais propósito ou justificativa. Essa abordagem reduz a exposição desnecessária e contribui diretamente para a maturidade em privacidade. A segunda é a continuidade da transformação digital acompanhada de práticas de armazenamento seguro, com foco em descobrir, classificar e reduzir o “data sprawl” para proteger dados sensíveis em ambientes híbridos, desde acervos físicos e sistemas legados até plataformas em nuvem. A terceira é a adoção de processos auditáveis de eliminação segura de documentos, mídias e ativos de TI, já que manter informações além do necessário viola princípios da LGPD e amplia a superfície de ataque em caso de incidentes. Essa combinação reduz um dos fatores de risco mais negligenciados nas organizações: os dados redundantes, obsoletos e triviais (ROT). Ao remover ROT, as empresas diminuem a possibilidade de vazamentos, reduzem custos de armazenamento e de e-discovery e evitam que informações sensíveis permaneçam além de sua finalidade ou base legal. O resultado esperado é menos informação exposta, maior conformidade com a LGPD, mais confiança de clientes, parceiros e reguladores e um terreno mais sólido para iniciativas de inteligência artificial, já que dados sensíveis chegam classificados, tratados e governados aos fluxos analíticos ou generativos. O Dia da Privacidade de Dados 2026 reforça uma mudança relevante no Brasil. Privacidade, governança e resiliência deixaram de ser apenas temas técnicos e passaram a ser indicadores acompanhados pelo conselho e determinantes para o valor reputacional e econômico das empresas. Organizações que tratam a informação de forma completa, da criação à eliminação, estarão mais bem preparadas para proteger pessoas, preservar valor e sustentar sua competitividade em um ambiente regulatório e tecnológico cada vez mais exigente. Ana Carla Martins Netto é diretora-geral da Iron Mountain Brasil. Reconhecida por liderar grandes projetos de transformação digital, Data Analytics e Inteligência Artificial, também acumula passagens pelas empresas IBM e Meta IT.

Yalo aposta em segurança de dados e conquista ISO 27001  

A Yalo anunciou a conquista da certificação ISO/IEC 27001, o padrão global mais elevado para Sistemas de Gestão de Segurança da Informação (SGSI). O movimento estratégico da plataforma inteligente de vendas potencializada por agentes de IA reforça o seu compromisso com a segurança e proteção de dados ao longo da jornada inteligente de vendas, posicionando a companhia na vanguarda do mercado, especialmente na América Latina, onde a adesão a este nível de excelência ainda é baixa.  A empresa submeteu-se a uma auditoria rigorosa, implementando um framework que exigiu a adequação e revisão de mais de 90 políticas e procedimentos, a avaliação detalhada de mais de 113 controles e a realização de mais de 200 testes, além da apresentação de evidências. Este esforço resultou na reestruturação de equipes e na contratação de especialistas com certificações individuais, garantindo a expertise necessária para sustentar o ecossistema, avaliando todos os setores, internos e externos, e não apenas o departamento de segurança.   A conquista é um diferencial competitivo, especialmente no cenário B2B enterprise. Segundo o estudo “From Compliance to Revenue: ISO27001 Certificate Boost Sales”, da Truzta, de 75% a 80% das organizações relataram melhora na confiança e satisfação do cliente após a conquista do selo global. A norma permite padronizar a gestão de riscos e as auditorias, aumentando a eficiência operacional entre 40% e 50%, além de reduzir significativamente o tempo e os custos de conformidade. No relatório “How ISO 27001 Helps You Sell: Turning Compliance into a Competitive Edge”, da Cyber Sierra, mais de 70% das empresas disseram que a certificação ajudou nas novas negociações.  Nesse sentido, Leon Direito, Head de Segurança da Informação da Yalo no Brasil, explica que a validação feita por órgãos internacionais reforça o comprometimento da empresa. “Entregar um alto nível de segurança exige processos que considerem toda a cadeia de dados, envolvendo colaboradores, parceiros e clientes. Trabalhamos com foco na redução de três grandes riscos que as empresas estão expostas hoje: incidentes/ataques, compliance e capacidade operacional. Revisitamos procedimentos, efetuamos ajustes, adequamos práticas, compreendendo que a segurança é primordial para garantir o sucesso do negócio, independentemente do setor. A conquista do ISO 27001 é a prova de que estamos protegendo os dados e as informações com a excelência global que nossos clientes merecem”, finaliza.   

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