Entre influência, cultura e performance, o que potencializou a relação das marcas com Creator Economy em 2025? E o que esperar de 2026?
Por Danilo Nunes Ao longo de 2025, as operações de marcas mais maduras evoluíram o relacionamento com criadores para além da influência, pensando o seu papel em diferentes fases da jornada de compra, assim como dentro dos times de criação. Seja para influenciar a decisão e entrar em conversas, comunidades e territórios que a marca não consegue sozinha; como afiliados para compor uma força de vendas da marca e trazer para perto quem já é consumidor do produto; como extensão da capacidade de produção audiovisual e criativa da marca. Valorização dos squads e produções inhouse O volume de conteúdo exigido por mudanças de modelos de algoritmos, além da produção massiva com IA, potencializou a demanda por assets de mídia mais do que aumentou os orçamentos em marketing de influência. O movimento de criar seus próprios content studios pivotado por marcas como Sephora, Haus Labs e Beachwaver no ecossistema internacional em 2024, ganhou força no Brasil em 2025. Segundo o relatório de Creative Strategy Trends da Motion, mais de 60% das marcas nativas digitais pensam em internalizar parte da produção ao mesmo tempo que criam squads de criadores que já consomem o produto, conhecem a audiência, sabem co-criar com o time e aceleram os ciclos de produção – com contratos mais extensos e mais participação no fluxo estratégico. Isso se soma ao fato de cada vez mais a publi pontual estar obsoleta e ineficiente, trazendo uma necessidade maior de criar vínculo, frequência e arcos narrativos – segundo o Relatório de Tendências para 2026 da YOUPIX. A marca não quer começar a conversa com a audiência do zero toda vez que vai trabalhar com um criador novo, assim como o criador quer contar com projetos fixos de produção com a marca, logo, esse modelo tem tudo para seguir funcionando em 2026. Descoberta de produtos em categorias emergentes através de creators especialistas Com profissionais liberais assumindo a skin de criadores para divulgarem seus serviços, a pesquisa Power of Community Commerce da TikTok reforça que as colaborações com creators especialistas potencializaram novos nichos de consumo antes não acessados. Na prática, em muitos dos nossos clientes de categorias emergentes como suplementação e beleza (Vhita, Guday, LIQUIDZ, Sallve), estreitamos o relacionamento com médicos, nutricionistas e veterinários para co-criar não apenas materiais orgânicos, mas campanhas de performance que estendem o uso no criativo, na página de destino ao anúncio em parceria com o perfil. Isso trouxe resultados extremamente expressivos em destravar novas audiências e uma grande vantagem competitiva de relacionamento com a comunidade, em comparação às gigantes do mercado. Segundo a pesquisa de performance mundial do Shopify (2025), DTCs que usam creators integrados no funil de performance tiveram CAC até 35% menor em comparação com a mídia tradicional e a projeção para 2026 é ainda mais positiva. Em um cenário onde a pesquisa The Power of Digital Video (Google/Ipsos) mapeia que creators com expertise clara têm 3x mais tempo de atenção em vídeos e 85% das pessoas dizem preferir ouvir recomendações de alguém que “entende do assunto”, trazer essas figuras (menores ou maiores em termos de audiência) para endossar a indicação, quebrar objeções ou virar um grande canal de social listening promete ser cada vez mais eficaz frente a produção de conteúdo em massa de reviews e conversas mais genéricas. Social commerce criando oportunidades para marcas e creators O último ano consolidou o TikTok Shop, YouTube Shop e demais ferramentas que potencializam o social commerce aterrissarem no Brasil; com um trabalho de educar os anunciantes, agências e criadores para utilizarem seus recursos. Nos dois últimos anos trabalhando com essas plataformas em clientes internacionais, vimos marcas criarem grandes comunidades de afiliados e canais de receita de milhões de dólares em meses. Segundo dados da TikTok, em quatro meses de operação no Brasil, a receita média diária do e-commerce cresceu 26 vezes em 2025 ao facilitar o trackeamento de resultados de vídeos na plataforma e eliminar o ruído da jornada de compra, atrelando o alcance ao link de compra. Com a possibilidade de gerar receita em vendas utilizando do alcance e influência – seja de forma mais massiva ou em micro nichos – criadores que se tornarem afiliados poderão não apenas garantir comissão sobre vendas de produtos de terceiros, mas também ter ferramentas para gerir o processo, usando a infraestrutura da plataforma para gerenciar vendas, comissões e links de conversão com diversas marcas, facilitando o acompanhamento e possibilitando a escala. Segundo o relatório da Grand View Research, o mercado global de social commerce foi estimado em cerca de U$41,16 milhões em 2024 e projeta crescer entre 36,4% nos próximos 5 anos; em 2026 espera-se ver cada vez mais marcas adaptando seus economics para ter produtos específicos ou de entrada que possam ser vendido em massa por afiliados e depois evoluir para fidelização, visando aumento de LTV. Em terra de IA, comunidades são o novo algoritmo O último ciclo mostrou que visualizações se tornaram previsíveis. É possível estudar ganchos virais, formatos criativos escaláveis e conteúdos com maior probabilidade de viralizar. Mas o que acontece com o tempo que se passa “scrollando o feed” e consumindo informações que se tornam irrelevantes e fazem o esforço da viralização ser passageiro e insustentável? A era da atenção já começou a migrar para a era da conexão e tudo está prestes a ganhar proporções gigantescas com a IA. O relatório da Europol afirma que 22% do conteúdo online em 2024 já era gerado por IA e, segundo a previsão do Gartner Hype Cycle, em 2026 veremos até 70% dessa totalidade. Isso não significa que esse conteúdo de IA vai substituir o existente, mas sim que vai ser massificado e produzido em escala, além do que existe hoje. A fusão entre IA generativa e a lógica de engajamento dos algoritmos deu origem a um ecossistema onde plataformas são inundadas por vídeos, textos e imagens produzidos em escala, sem intenção real, além de capturar cliques, gerar monetização rápida e alimentar as engrenagens das máquinas de recomendação – apelidados de AI Slops. Em 2025, o conceito
Desigualdade entre creators: 10% dos influenciadores receberam 62% dos pagamentos em 2025
O mercado global de marketing de influência segue em ritmo acelerado de crescimento e já movimenta cerca de US$ 32 bilhões, segundo dados da Statista, consolidando-se como um dos pilares da economia digital. No entanto, os ganhos gerados por esse avanço continuam concentrados em uma parcela reduzida dos criadores. Em 2025, apenas 10% dos influenciadores ficaram com 62% de todos os pagamentos realizados no setor, de acordo com informações do State of Creator Compensation Report, da CreatorIQ. A concentração revela um cenário de forte desigualdade dentro da creator economy. Embora o número de profissionais atuando como influenciadores siga crescendo, a maior parte da receita permanece nas mãos de creators já consolidados, com grande escala, estrutura profissional e acesso recorrente às principais marcas. Não à toa, os ganhos médios de um criador permanecem estáveis; enquanto os criadores ganharam em média $ 11,4 mil dólares por campanha, o criador mediano ganhou $ 3 mil dólares, segundo a pesquisa. O relatório da plataforma também revela a renda anual dos criadores de conteúdo. De acordo com a pesquisa, o influenciador médio relatou ganhos de $ 44.293 dólares ao longo de 2025, ao passo que apenas 11% alcançaram uma renda anual de seis dígitos. Fabio Gonçalves, diretor de talentos brasileiros e norte-americanos da Viral Nation e especialista no mercado de marketing de influência há mais de uma década, explica que o fenômeno é reflexo direto da forma como o mercado amadureceu: “O crescimento do setor não significa, automaticamente, uma distribuição mais equilibrada de renda. As marcas tendem a concentrar investimento em quem já oferece previsibilidade de entrega, escala e histórico de performance. Além disso, empresas priorizam creators que entenderam a lógica do mercado, profissionalizaram seus processos e passaram a operar de forma mais estruturada, quase como empresas. Isso cria um efeito cumulativo: quem está no topo continua crescendo mais rápido”. Segundo o executivo, essa lógica aproxima cada vez mais o marketing de influência de outras indústrias criativas, como música e audiovisual, onde poucos concentram grande parte da receita. “Não é necessariamente um desvio de rota, mas um retrato de um mercado que entrou em fase de profissionalização. A desigualdade não é um acidente, é consequência de como os investimentos são feitos hoje”. Fabio ainda acrescenta que, para além da concentração de receita, grande parte dos influenciadores lida com rendimentos instáveis e valores que não refletem o volume real de trabalho envolvido. Na prática, os números de remuneração frequentemente desconsideram custos operacionais assumidos pelos próprios creators, como equipes de produção, edição, planejamento criativo, desenvolvimento de pautas e gestão de comunidade. “Quando falamos em ganhos, é importante lembrar que muitos influenciadores estão operando como pequenas empresas”, ressalta Gonçalves. “O pagamento recebido raramente reflete o custo total de produção. Existe um investimento contínuo em brainstorming, equipe, equipamentos e tempo criativo que não aparece nessas estatísticas, mas impacta diretamente a sustentabilidade da carreira”, pondera. Nesse cenário, a presença de uma agência ou de um agente especializado torna-se um fator decisivo para a sustentabilidade financeira do creator, segundo Fabio: “Além de intermediar negociações, essas estruturas ajudam a definir precificação, negociar contratos mais equilibrados e proteger o influenciador de acordos que precarizam o trabalho criativo. Ao profissionalizar a gestão financeira e estratégica da carreira, agências contribuem para relações mais justas com as marcas e para modelos de parceria que beneficiam ambos os lados no longo prazo”. Para o especialista, o desafio agora é criar mecanismos que ampliem o acesso às oportunidades e reduzam a distância entre creators do topo e da base: “Não acredito em uma distribuição totalmente igualitária, porque isso não acontece em nenhum mercado criativo. Mas é possível caminhar para um ecossistema mais equilibrado, com contratos mais longos, modelos de remuneração recorrente e estratégias que valorizem creators médios e emergentes”, avalia. Nesse contexto, o papel das agências tende a ganhar ainda mais relevância. Segundo Fabio, empresas já estão se adaptando a essa nova realidade, atuando não apenas como intermediárias comerciais, mas como estruturas de desenvolvimento de carreira. “Na Viral Nation, por exemplo, já estamos olhando para esse cenário com muita responsabilidade. Nosso foco é ajudar os creators a profissionalizar operações, diversificar fontes de receita e construir parcerias de longo prazo, que tragam previsibilidade financeira. O crescimento do mercado é real, mas só será sustentável se mais creators conseguirem viver dele de forma saudável”, conclui. METODOLOGIA A pesquisa State of Creator Compensation Report foi conduzida pela Sapio Research em julho de 2025, em uma amostra de mercado composta por 300 criadores. Juntamente, a CreatorIQ realizou pesquisas adicionais entre agosto e setembro de 2025, além de uma nova rodada em dezembro de 2025. A pesquisa de dezembro reúne dados de 14,4 mil criadores que receberam pagamentos diretos por meio da CreatorIQ. A pesquisa completa pode ser acessada em: https://www.creatoriq.com/white-papers/creator-compensation.
Morana aposta em influenciadoras como pilar estratégico de marketing e destina 15% do orçamento da área à creator economy
A Morana, marca que é autoridade em acessórios no país, tem consolidado uma estratégia de marketing fortemente apoiada na creator economy. Atualmente, 15% de todo o orçamento de marketing da marca é destinado a influenciadoras, que atuam como peças-chave na construção de posicionamento, engajamento e conversão junto ao público. A estratégia começou a ser estruturada em 2021, quando a marca decidiu apostar em relacionamentos contínuos com influenciadoras que tivessem real afinidade com o DNA da Morana. A primeira parceria nesse formato foi com Flavia Pavanelli, que segue até hoje como parte do squad da marca. “Desde o início, a Morana entendeu que não queria apenas visibilidade, mas conexão. Não buscamos posts isolados, e sim pessoas que realmente usem os acessórios, se identifiquem com a marca e consigam traduzir isso para suas audiências”, explica Nara Dutra, head de marketing da Morana. Squad dinâmico e curadoria constante Hoje, a Morana conta com um squad de 15 influenciadoras composto por: Amanda Brasil, Amanda Souza, Camila Gaio, Carol Amarall, Carol Santina, Flavia Pavanelli, Isa Rabello, Jordanna Maia, Lara Akel, Manu Canielas, Maria Eduardo Egito, Marina Likas, Nina Secrets, Senhores Bacanas e Tata Estaniecki. A marca avalia continuamente quais perfis tem sinergia com a marca, combinando criadoras de grande alcance com micro e médias influenciadoras, que muitas vezes apresentam ótima taxas de engajamento, mesmo com audiências menores. Entre os nomes de maior projeção estão Flavia Pavanelli, Niina Secrets e Tata Estaniecki, apresentadora do podcast Pod Delas. A estratégia com as creators contempla, ainda, perfis diversos, que dialogam com diferentes universos do público Morana. Modelo estruturado, mas com liberdade criativa As influenciadoras do squad possuem contratos anuais, mas a Morana adota um modelo de direcionamento criativo “livre”, respeitando o estilo e a linguagem de cada criadora. “O papel da marca é alinhar expectativas e garantir coerência do que é divulgado com o que está nas lojas da rede. A partir disso, damos liberdade para que cada influenciadora comunique, use e produza o conteúdo do seu jeito”, reforça Nara. Há uma comunicação constante entre marca e influenciadoras para alinhamentos, e a escolha do conteúdo que será publicado e das peças que serão promovidas leva em consideração o que faz mais sentido para cada perfil. A Morana também articula previamente com sua rede de franqueados quais ações e produtos serão divulgados, garantindo sinergia entre marketing nacional e ponto de venda. Mensuração e performance A Morana realiza mensuração interna dos resultados, acompanhando alcance, engajamento e performance de cada influenciadora. As creators também reportam seus dados, e a marca utiliza links tagueados para monitorar acessos e impactos diretos nas campanhas. Ao longo dos anos, esse acompanhamento permitiu entender o custo-benefício de cada parceria, ajustar o mix de influenciadoras e ampliar a participação de algumas delas para além do squad, integrando campanhas institucionais e promocionais.
Unlimitail e BR Media anunciam parceria para impulsionar campanhas integradas de retail media com Creators
AUnlimitail, plataforma de Retail Media do Grupo Carrefour no Brasil, anuncia parceria com a BR Media, maior holding de creator economy do Brasil, para uma colaboração estratégica focada no desenvolvimento de um catálogo permanente e altamente segmentado de influenciadores digitais (micro e médios). O produto, intitulado como “Creator Checkout”, vai aproveitar a relevância geográfica específica dos influenciadores nas proximidades das lojas Atacadão, SAM’s Club e Carrefour. Dessa forma, as marcas terão aumento comprovado da relevância e eficácia das campanhas, por meio de criadores de conteúdo com forte conexão local, e conteúdos mais autênticos, criativos e robustos, diferenciando as campanhas de Retail Media com a força narrativa única dos influenciadores locais. “O Creator Checkout parte de um princípio simples: falar com as pessoas do sofá ao checkout. Em vez de creators genéricos, podemos trabalhar com influenciadores que vivem, circulam e produzem conteúdo no entorno das lojas Atacadão, Sam’s Club e Carrefour. Isso aumenta a relevância da mensagem, torna o conteúdo mais verdadeiro e conecta o digital diretamente ao momento da compra. É influência aplicada no perímetro da loja, integrada ao Retail Media, com escala, mensuração e impacto real em vendas”, analisa Thiago Stelle, Head de Marketing e Insights da Unlimitail. Os conteúdos produzidos pelos influenciadores são escaláveis e conectados ao momento cultural e comportamento do público. Além disso, haverá licenciamento de imagem para exibição em pontos de venda, além da publicação regular nos canais digitais do squad de criadores. “Na BR Media, temos aprofundado nosso portfólio para ajudar marcas a transformarem influência em resultados tangíveis. A parceria com a Unlimitail nos permite dar um passo além ao integrar criadores às estratégias de Retail Media com a capacidade real de mensurar o impacto nas vendas dentro dos PDVs. Ao unir conteúdo, dados e presença física nas lojas, abrimos uma nova fronteira de performance para o varejo e para os anunciantes, conectando relevância cultural com resultados diretos nos negócios”, conta Renan Della Matta, VP de Growth da BR Media.
Cicero e MESSS lançam o primeiro planner criado para a Creator Economy no Brasil
A Creator Economy amadureceu. O que começou como um espaço de expressão pessoal se consolidou como um mercado profissional, estruturado e altamente competitivo. Nesse novo contexto, a criação passou a obedecer a lógicas de performance, constância e visibilidade, muitas vezes ditadas por algoritmos. É a partir dessa realidade que Cicero e MESSS se unem para lançar o primeiro planner desenvolvido especialmente para criadores de conteúdo no Brasil, apresentado ao público pela campanha “Antes do Post”. Segundo estudos de mercado, a Creator Economy já movimenta mais de US$ 127 bilhões no mundo e cresce a taxas superiores a 20% ao ano, reunindo mais de 200 milhões de criadores ativos globalmente. Ao mesmo tempo, esse crescimento expõe um paradoxo: enquanto a criação se profissionaliza, o processo criativo se fragmenta. Pesquisas recentes indicam que mais da metade dos criadores relata sintomas de burnout, e uma parcela significativa já considerou abandonar a carreira. É a partir dessa tensão que nasce o Planner do Creator, um produto que não propõe mais produtividade, mas mais qualidade de processo. Um planner físico, com método próprio, desenhado do zero para quem cria para o digital, mas precisa pensar fora da tela. O nome da campanha, “Antes do Post”, sintetiza essa provocação: em um ecossistema obcecado pelo próximo post, o que acontece antes dele foi negligenciado. A escolha do papel não é casual. Em um momento marcado pelo avanço acelerado da inteligência artificial e pela automação criativa, cresce também um contramovimento em direção ao analógico. Estudos em neurociência apontam que escrever à mão ativa mais redes cerebrais do que digitar, aprofundando conexões ligadas à memória, à associação de ideias e à autoria. Nesse sentido, o planner surge como uma ferramenta híbrida, não como oposição ao digital, mas como complemento essencial ao processo criativo contemporâneo. A campanha que apresenta o produto reforça esse paradoxo. Com estética inspirada em lançamentos de grandes marcas de tecnologia, o planner é tratado visualmente como um gadget de última geração. A inversão é proposital: em meio à saturação tecnológica, a inovação está em desacelerar. O analógico é reposicionado não como nostalgia, mas como tecnologia humana. “A gente não queria criar mais um produto bonito. O desafio foi desenvolver uma ferramenta real para quem vive da criação, entendendo que criatividade não nasce sob pressão constante de métricas e tendências. ‘Antes do Post’ é sobre devolver intenção ao processo criativo, sobre criar com mais consciência e menos ruído”, afirma Giulia Braide, sócia-fundadora e diretora criativa executiva da MESSS. Fundada como uma agência criativa conectada à cultura digital, à Creator Economy e às dinâmicas contemporâneas de mídia, a MESSS atua na interseção entre estratégia, conteúdo e comportamento. O planner marca um novo capítulo do MESSS Collabs, movimento estratégico da agência para desenvolver, junto a marcas parceiras, soluções que extrapolam a comunicação e entram no território de método, produto e impacto cultural. Do outro lado da colaboração está a Cicero, uma das principais referências em papelaria no Brasil, reconhecida por transformar papel em ferramenta de organização, pensamento e expressão. A parceria nasce da soma de duas expertises complementares: de um lado, a MESSS, com sua experiência em metodologias de criação voltadas à creator economy e conteúdo; do outro, a Cícero, referência em organizar processos e sistemas de planejamento por meio do papel. Juntas, as marcas cocriam um método próprio, materializado em um objeto que responde a uma demanda real do mercado.” “A Cicero sempre acreditou no papel como ferramenta de pensamento, e esse projeto leva isso a outro nível, dialogando diretamente com um mercado que nasceu no digital, mas que precisa de estrutura para sustentar a criatividade no longo prazo”, afirma Mariana Falbo, head de marketing da Cicero. O Planner do Creator foi desenvolvido de forma exclusiva, pensado para organização de ideias, processos criativos e projetos, e chega ao mercado em três opções de capa (roxo, preto e cinza). A campanha é estrelada por sete creators, reunindo diferentes trajetórias e formas de criar: dois talentos agenciados pela MESSS, dois colaboradores da agência e três creators convidados. A proposta é representar a diversidade real da Creator Economy e garantir que o produto seja apresentado por quem, de fato, vive o processo criativo no dia a dia. Mais do que um lançamento, “Antes do Post” propõe um reposicionamento. Começar antes significa resgatar o espaço da pausa, da reflexão e da construção de ideias antes da publicação. É entender que a criação não nasce no clique final, mas no processo que acontece longe da pressão das métricas, das tendências e dos algoritmos. O Planner do Creator será lançado em 02 de fevereiro, com vendas no e-commerce e em pontos selecionados da Cicero, com o valor de R$ 139,90. Veja a campanha: https://www.instagram.com/p/DUQoTrtkXiw/
A força descentralizada da Creator Economy: creators de cidades pequenas avançam no mercado de influência
A Creator Economy é um mercado em expansão não só econômica, mas geográfica. Longe de ser uma dinâmica restrita às capitais e aos grandes centros urbanos, esse modelo de negócio tem ganhado força em regiões menores — e o mapa dos criadores brasileiros deixa isso evidente. Prova disso é que 1 a cada 6 creators respondentes da pesquisa Creator POV 2025, da BrandLovers, reside hoje em uma zona rural ou em cidades com até 100 mil habitantes. Apesar de 46% já terem uma experiência de, pelo menos, três anos na área, é interessante notar o movimento de novos entrantes: quase 20% dos pesquisados começaram a desempenhar esse papel há menos de 1 ano. “Se, por um lado, podemos ler esse dado como um sinal de que o mercado é menos maduro fora dos grandes centros, por outro, enxergamos uma oportunidade de fortalecer a expansão e oxigenação do próprio mercado. Ou seja, ao que tudo indica, o interior pode se tornar a nova porta de entrada para o crescimento da Creator Economy”, analisa Rapha Avellar, fundador e CEO da BrandLovers. Quando observamos em quais plataformas esses creators têm mais seguidores, o retrato reforça a maturidade digital do grupo. Mesmo vivendo longe dos grandes centros, eles seguem a dinâmica nacional da Creator Economy: o Instagram lidera com ampla vantagem, reunindo 70% dos perfis, seguido pelo TikTok, presente em 26% dos casos. YouTube, Kwai e Facebook aparecem de forma residual — um indicativo de que, independentemente do tamanho da cidade, os creators brasileiros operam dentro dos mesmos ecossistemas de influência que moldam tendências no país. Já na investigação das principais dores e desafios, surge um quadro que se diferencia do cenário nacional. Embora questões comuns à Creator Economy apareçam — como lidar com algoritmos (tema citado por 65% deles) e encontrar parcerias relevantes (58%) —, chama a atenção uma dificuldade diretamente ligada à realidade local. Para os criadores residentes de zonas rurais ou cidades pequenas, o acesso a equipamentos, softwares e infraestrutura técnica é o 4º maior obstáculo. No cenário nacional, esse desafio aparece na 5ª posição. As maiores dores e desafios de quem cria conteúdo no interior 1º — Lidar com os algoritmos das plataformas 2º — Encontrar parcerias relevantes 3º — Concorrência acirrada com outros criadores de conteúdo 4º — Dificuldades técnicas na produção de conteúdo (equipamentos, software, infraestrutura) 5º — Manter uma rotina consistente de criação 6º — Falta de tempo para produzir conteúdo 7º — Burnout ou sobrecarga 8º — Dificuldade em diversificar o tipo de conteúdo Por outro lado, o ranking nacional apresenta o desafio de manter uma rotina consistente de criação como a 3ª grande barreira, algo que surge apenas na 5ª posição da lista dos creators do interior. “As dificuldades são influenciadas também por fatores geográficos, estruturais e socioeconômicos, que moldam de forma muito diferente a dinâmica e as condições de trabalho de quem vive fora dos grandes centros”, comenta Avellar. Independentemente das dificuldades, esses creators demonstram forte compromisso com o futuro da profissão: 91% afirmam que pretendem seguir criando nos próximos três anos. Na hora de escolher marcas para fechar parceria, as prioridades também ajudam a revelar o que guia esse grupo. A qualidade dos produtos e a relevância para o seu público ocupam as duas primeiras posições do ranking, enquanto a afinidade com os valores e o propósito da marca aparece logo em seguida — à frente de fatores como remuneração justa, reputação ou liberdade criativa. Esse movimento contrasta com o ranking nacional, no qual a remuneração figura entre os três principais fatores de decisão, indicando que, no interior, identificação e alinhamento cultural têm peso ainda maior nas relações entre creators e marcas. Ao refletir sobre o papel crescente desse grupo dentro da Creator Economy brasileira, Avellar entende que estamos vendo o surgimento de uma força descentralizada, com perspectiva de longo prazo e alto potencial de impacto cultural. “Eles representam uma nova fronteira de crescimento para marcas, plataformas e para o próprio ecossistema de influência no país.”