Mês da Mulher: conheça a CEO que já recuperou mais de R$ 100 milhões em impostos para clínicas médicas
No mês da mulher, não há como abordar a independência feminina sem tocar em um ponto específico: a autonomia financeira. Essa pauta tem sido uma das maiores preocupações da empresária Júlia Lázaro, quando o assunto é equidade de gênero. Como mulher empreendedora, e com mais de 15 anos de trajetória em finanças, Júlia tem se dedicado a difundir a importância do planejamento financeiro para uma vida segura e saudável. A empresária é fundadora e CEO da Mitfokus, uma contabilidade especializada na área médica que se consolidou como uma fintech voltada a cuidar da saúde financeira de médicos, consultórios e clínicas. Com sede em Campinas (SP), a Mitfokus tem atuação nacional, com clientes localizados em pelo menos 23 unidades da federação. A partir dos serviços oferecidos a empreendimentos em saúde, a Mitfokus soma, em sua história, mais de R$ 100 milhões recuperados, para seus clientes, de impostos pagos acima do que realmente deveriam. Mágica de Júlia e sua equipe? Não, apenas planejamento contábil, fiscal e financeiro. Um trabalho que permite identificar, nas palavras de Júlia, “ralos financeiros” – dinheiro que consultórios, clínicas e outros estabelecimentos gastam desnecessariamente. Diferentemente de uma contabilidade generalista, o serviço especializado da Mitfokus conhece, de um lado, as especificidades dos negócios na área da saúde. De outro, as particularidades do sistema de tributação incidente sobre esses negócios. “Nossa contabilidade calcula gastos tributários desnecessários, identifica oportunidades como benefícios previstos em lei, orienta e trabalha para o resgate desse dinheiro. E, tão importante quanto, cessa de vez esse escoamento de recursos”, explica. Além de profissionais altamente especializados, o trabalho conta com metodologia baseada no uso de tecnologia digital. A decisão de constituir uma contabilidade especializada veio a partir de experiências e dificuldades relatadas em casa pelo marido Dirceu Melo, Cardiologista, em relação ao pagamento de impostos. “Não é algo que se estuda em um curso de Medicina”, comenta Júlia. A Mitfokus foi fundada, então, para lidar com essa “dor” de profissionais de saúde. Desde a fundação, em 2017, Júlia Lázaro é quem está à frente da empresa, como CEO. Antes disso, especializou-se em Economia, pela Fundação Getúlio Vargas, e fez MBA Internacional pela Universidade de Ohio/FGV. A empresa e, em especial, a expertise da profissional tornaram Júlia referência quando o tema é saúde financeira de negócios em saúde. É regularmente convidada para compartilhar sua experiência e ministrar cursos. Dessa jornada, derivou uma outra linha de atuação: a administradora e empresária se firma também como educadora financeira para mulheres. Júlia tem realizado palestras e outras atividades sobre educação e planejamento financeiro para o público feminino. Também é consultada por veículos de imprensa, como fonte especializada e realiza eventos com as próprias colaboradoras da Mitfokus, sobre o tema, com foco na saúde financeira delas. Em todas essas ocasiões, procura mostrar como decisões cotidianas de consumo e compras podem ser repensadas e melhor planejadas. Em um mercado de trabalho ainda caracterizado por mulheres ganhando menos que homens, cuidar da vida financeira se torna imprescindível, sublinha a profissional. “Embora a realidade esteja mudando, dados globais revelam que, ainda, 90% de nós mulheres recebemos salários 20% menores que os dos homens. No Brasil, uma grande parcela das mulheres estão endividadas. Educação e planejamento financeiro são relevantes não só para as finanças pessoais ou de casa, mas para qualidade de vida”, avalia. “Sem planejamento financeiro, sem finanças em dia, em ordem, não há independência feminina”.
Por que seguidores não garantem agenda cheia: o paradoxo da visibilidade sem conversão em clínicas de saúde
Ter milhares de seguidores nas redes sociais e, ainda assim, conviver com buracos na agenda tornou-se uma situação recorrente em clínicas de saúde no Brasil. O fenômeno atinge profissionais que produzem conteúdo com frequência, investem em estética digital e registram bom engajamento, mas não conseguem transformar visibilidade em consultas marcadas. O problema, segundo especialistas em gestão e marketing da saúde, está menos no alcance e mais na ausência de uma estratégia clara de conversão ao longo da jornada digital do paciente. Conteúdo que informa, mas não conduz à decisão Boa parte das clínicas concentra sua comunicação em dicas genéricas de saúde, curiosidades e orientações que são facilmente encontradas em pesquisas na internet. Esse tipo de conteúdo cumpre um papel educativo, mas tende a formar seguidores que observam, consomem e seguem, sem avançar para a decisão de agendar um atendimento. O resultado é um público informado, porém distante da ação. Para Ricardo Novack, especialista em gestão e sócio-diretor do Grupo ICOM, o erro está em tratar as redes apenas como vitrine. “O conteúdo gera valor, mas não cria desejo. O seguidor aprende, mas não entende por que aquele profissional é a solução ideal para o problema dele”, afirma. A jornada digital do paciente espelha a experiência presencial e exige o cumprimento de etapas graduais. Tudo começa com o acesso à informação, que evolui para o reconhecimento de que a clínica detém a solução para uma dor específica. A partir daí, o conteúdo deve nutrir a confiança e estabelecer a autoridade profissional. Somente após atravessar esse ciclo é que o paciente se sente seguro para o agendamento. Se a comunicação foca apenas no interesse inicial, sem aprofundar a conexão, a conversão final raramente se concretiza. Estudos recentes do setor confirmam esse movimento. Levantamento da Associação Nacional de Hospitais Privados (ANAHP) mostra que clínicas que estruturaram melhor seus processos de comunicação e atendimento reduziram em até 25% as faltas e elevaram em 18% a satisfação dos pacientes. Já o Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) aponta que operações com jornadas bem definidas apresentam 22% mais previsibilidade financeira, um indicativo direto de maior taxa de conversão. Mostrar como o atendimento funciona, explicar o método adotado e apresentar resultados reais tem se mostrado mais eficaz do que publicar apenas orientações genéricas. Bastidores, relatos de pacientes e explicações práticas ajudam o público a entender por que aquele serviço é diferente e confiável. “Quando o paciente se identifica com o conteúdo e percebe que o profissional já resolveu casos semelhantes, a decisão de agendamento deixa de ser um conceito abstrato e se torna palpável”, explica Novack. Segundo ele, o testemunho de outros pacientes funciona como um atalho de confiança dentro da jornada digital, reduzindo incertezas e acelerando a decisão pelo primeiro contato. Chamadas para ação ainda são negligenciadas Outro ponto crítico é a falta de direcionamento claro. Muitos conteúdos não indicam o próximo passo esperado do público. Sem chamadas objetivas, como convite para agendar, entrar em contato ou tirar dúvidas, o engajamento se encerra na curtida ou no comentário. Na prática, cada postagem precisa ter um objetivo definido. Se não apresenta a dor, a solução e o caminho para a consulta, tende a funcionar apenas como entretenimento. “A conversão não começa no WhatsApp. Ela começa no conteúdo”, resume o especialista. O crescimento das redes sociais no setor da saúde ampliou a competição por atenção, mas também evidenciou uma distorção: engajamento alto não significa faturamento. Clínicas que desejam transformar seguidores em pacientes precisam rever a forma como se comunicam, deixando de colecionar audiência e passando a estruturar conteúdos que conduzam, de forma clara, até a decisão pelo atendimento.
Plano de saúde pode descredenciar clínicas, hospitais e laboratórios?
Por Thayan Fernando Ferreira A rede credenciada é um dos principais critérios na escolha de um plano de saúde. Hospitais de referência, laboratórios próximos e médicos de confiança pesam tanto quanto o valor da mensalidade. Por isso, o descredenciamento de prestadores costuma gerar insegurança entre beneficiários e levanta uma dúvida recorrente. Afinal, planos de saúde podem descredenciar clínicas, hospitais e laboratórios durante a vigência do contrato? A legislação brasileira admite o descredenciamento, mas impõe regras rigorosas. A Lei nº 9.656/1998, que regula os planos de saúde, estabelece que a operadora assume um compromisso contratual com o consumidor ao divulgar sua rede assistencial. O artigo 17 da norma determina que a substituição de prestadores somente é válida quando não houver prejuízo ao atendimento e desde que sejam observados critérios objetivos. O artigo 17 da Lei dos Planos de Saúde é claro ao afirmar que a substituição de hospitais, clínicas ou laboratórios deve ocorrer por prestadores equivalentes e com comunicação prévia ao consumidor. A lei busca preservar a continuidade do tratamento e alterações unilaterais que fragilizam o acesso do paciente aos serviços contratados. Na prática, o descredenciamento só é considerado regular quando três condições são atendidas simultaneamente. Primeiro a substituição por outro prestador de mesma capacidade técnica e assistencial, também a comunicação ao beneficiário com antecedência mínima de 30 dias e por último a inexistência de pacientes internados ou em tratamento contínuo no local que será retirado da rede. A situação muda de figura quando o beneficiário já está em acompanhamento médico. A jurisprudência consolidou o entendimento de que o plano não pode interromper tratamentos em curso. Mesmo havendo descredenciamento, o atendimento deve ser mantido até a alta médica. Esse entendimento decorre não apenas da Lei nº 9.656/98, mas também da aplicação do Código de Defesa do Consumidor, que veda práticas abusivas e cláusulas que coloquem o usuário em desvantagem excessiva. Existem hipóteses excepcionais em que o descredenciamento pode ocorrer sem a observância integral do prazo de 30 dias, como nos casos de fraude, infrações sanitárias graves ou irregularidades fiscais do prestador. Ainda assim, a operadora precisa garantir alternativa equivalente ao consumidor. A lei não autoriza o plano a simplesmente direcionar o paciente para qualquer outro estabelecimento já existente na rede. É obrigatória a inclusão de um prestador substituto compatível, sob pena de ilegalidade. Quando essas regras são descumpridas, o descredenciamento pode ser considerado ilegal e abusivo. Estudos de entidades de defesa do consumidor mostram que a redução da rede por motivos exclusivamente econômicos, sem preocupação com a qualidade e a continuidade do atendimento, é uma das principais causas de judicialização na saúde suplementar. Nesses casos, o beneficiário pode recorrer à ANS, aos órgãos de defesa do consumidor ou ao Poder Judiciário para exigir o restabelecimento da rede ou a manutenção do atendimento no prestador original. Para Thayan Fernando Ferreira, o respaldo legal é objetivo. A Lei nº 9.656/98 impõe às operadoras o dever de garantir assistência adequada durante todo o contrato. Quando o descredenciamento viola esse dever, o Judiciário tem reconhecido o direito do consumidor à continuidade do atendimento e, em alguns casos, à indenização por danos morais. É porque a legislação brasileira prioriza a proteção do paciente, a transparência contratual e a continuidade do cuidado. Sempre que essas premissas são ignoradas, o descredenciamento deixa de ser um ato administrativo legítimo e passa a ser uma infração passível de contestação legal. O autor é o advogado Thayan Fernando Ferreira, especialista em direito da saúde e direito público, membro da Comissão de Direito Médico da OAB-MG e diretor do escritório Ferreira Cruz Advogados – contato@ferreiracruzadvogados.com.br