Amigos criam uma IA para transformar o atendimento no turismo
A história da Blis.AI começa anos antes da startup existir. Rafael Cohen, Rodrigo Cioffi e Luiz Antunes se conheceram ainda na época da graduação no Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec), em Belo Horizonte (MG), onde dividiram salas de aula, interesses em tecnologia e conversas sobre empreendedorismo. Anos depois, já com trajetórias profissionais distintas, os três voltaram a se reunir com um objetivo comum: resolver a ineficiência do atendimento em agências e plataformas de turismo, um problema que todos já haviam vivenciado como consumidores e profissionais do setor de viagens. Dessa percepção nasceu a Blis.AI, traveltech que desenvolve agentes de inteligência artificial capazes de executar, de forma automatizada, tarefas complexas do atendimento turístico. Diferentemente de chatbots tradicionais, a solução da empresa foi desenhada para operar processos críticos de ponta a ponta, como cotações, reservas de hotéis, marcação de assentos, cancelamentos, remarcações, emissões e reembolsos de passagens, integrando-se diretamente aos sistemas usados pelo mercado. “A ideia nunca foi criar mais um robô de atendimento”, afirma Rafael Cohen, CEO da Blis AI. “Queríamos construir uma tecnologia que realmente entendesse a lógica do turismo e fosse capaz de executar tarefas reais, como um agente humano faria, só que com muito mais velocidade e escala”, reforça. Da primeira startup à maturidade do projetoA traveltech não é a primeira experiência empreendedora do trio. Entre 2020 e 2021, Cohen, Cioffi e Antunes fundaram a Easy Barbers. O projeto ganhou tração inicial, mas acabou não avançando com a flexibilização das restrições da pandemia, quando o mercado voltou a operar de forma mais tradicional. “A Easy Barbers foi uma escola”, diz Rodrigo Cioffi, COO da startup. “Aprendemos muito sobre produto, operação e, principalmente, sobre o que significa escalar um serviço. Essa bagagem foi fundamental para a forma como desenhamos a Blis”, detalha. Ainda segundo Cioffi, a experiência anterior ajudou o grupo a identificar a importância de construir uma solução altamente integrada aos sistemas existentes do mercado, algo que se tornou um dos principais diferenciais da nova empresa. A Blis.AI se conecta a plataformas como GDS, NDC e sistemas de back-office utilizados por agências, TMCs, consolidadoras e companhias aéreas. IA que executa, não apenas respondeDo ponto de vista tecnológico, o desafio foi criar uma inteligência artificial capaz de lidar com a complexidade e a volatilidade do setor de viagens. O CTO Luiz Antunes explica que a empresa adotou um modelo verticalizado, no qual a IA não apenas interage com o cliente, mas executa processos completos dentro da operação. “O turismo é um setor cheio de regras, exceções e mudanças constantes. Construímos agentes de IA que aprendem continuamente com as interações e conseguem se adaptar a diferentes cenários, integrando sistemas e tomando decisões operacionais em tempo real”, explica Antunes. A proposta da empresa é permitir que o atendimento funcione 24h por dia, com menos erros e menor custo operacional, sem perder a personalização. “A tecnologia precisa aliviar o trabalho humano, não substituir o relacionamento. O viajante quer rapidez, mas também quer sentir que está sendo compreendido”, reforça Cohen. Hoje, a solução opera em canais conversacionais como web e WhatsApp, funcionando como uma camada operacional invisível para o cliente final. Recentemente, a startup captou R$ 1 milhão em uma rodada pré-seed, que está sendo direcionado ao desenvolvimento do produto e à expansão da operação. “Nosso plano é consolidar a Blis.AI como uma infraestrutura de automação para o setor de turismo, em um momento em que eficiência operacional e experiência do cliente se tornaram fatores decisivos de competitividade”, finaliza Rafael.