Sete estratégias para empresas se destacarem em meio ao crescimento da automação e da IA
Em um mercado marcado por alta concorrência, avanço acelerado da inteligência artificial e mudanças no comportamento do consumidor, a construção de relevância deixou de estar associada apenas à visibilidade das marcas. Entre as tendências destacadas pela Gartner para 2026 estão os sistemas multiagentes, os modelos de linguagem específicos por setor (DSLMs) e as plataformas nativas de IA, que viabilizam automação avançada, decisões mais contextualizadas e maior agilidade no desenvolvimento de soluções. Essas tecnologias, segundo os analistas, funcionam como catalisadores de transformação nos negócios, criando novas formas de interação entre pessoas e inteligência artificial. Rico Araujo, CEO da PX/BRASIL, agência de inovação e marketing integrado, destaca que a construção de autoridade exige intencionalidade. “Marcas fortes não surgem do acaso. Elas são construídas a partir de escolhas claras, coerentes e sustentadas no tempo. Quando uma empresa entende quem é, para quem fala e qual impacto quer gerar, ela deixa de disputar preço e passa a disputar relevância”, afirma. A seguir, o especialista reúne sete diferenciais essenciais que ajudam marcas a se destacarem, conquistarem autoridade e se tornarem referência em seus mercados: 1. Proposta de ValorToda marca relevante começa por uma proposta de valor sólida, e saber comunicar de forma objetiva por que a empresa é a melhor escolha e qual problema resolve de maneira única cria uma base consistente de diferenciação. Essa clareza orienta decisões estratégicas e evita mensagens genéricas que se perdem em meio à concorrência, além de precisar estar refletida em todos os pontos de contato, do site ao atendimento, das redes sociais ao discurso de vendas. “Uma proposta de valor bem definida orienta todas as decisões da marca. Quando a empresa entende com clareza qual problema resolve e por que é relevante para o cliente, ela consegue comunicar seu diferencial de forma consistente e sustentar esse posicionamento ao longo do tempo”, destaca Rico. 2. Atendimento ExclusivoO atendimento se tornou um diferencial competitivo, pois consumidores valorizam experiências personalizadas, humanas e eficientes capazes de gerar conexão emocional e sensação de cuidado genuíno. Marcas que investem em atendimento exclusivo constroem relacionamentos mais duradouros, fortalecem a fidelização, geram recomendações espontâneas e transformam cada interação em oportunidade de reforçar posicionamento e reputação. 3. PersonalizaçãoA personalização amplia ainda mais a percepção de valor, e marcas que adaptam suas ofertas, comunicações e experiências conforme o perfil de cada cliente demonstram que realmente conhecem e se importam com as necessidades do público. Essa abordagem melhora a taxa de conversão, otimiza recursos e estreita o relacionamento. “A personalização passou a ser uma expectativa do consumidor. Marcas que usam dados e tecnologia para adaptar experiências demonstram maturidade estratégica e conseguem construir relações mais próximas, eficientes e duradouras”, afirma o especialista. 4. Comunicação que InspiraMarcas relevantes não apenas informam, elas inspiram, e uma comunicação consistente com conteúdos que educam, geram reflexão e estimulam diálogo amplia o alcance e reforça a identidade da marca no longo prazo. Manter um tom de voz coerente em todos os canais cria familiaridade e confiança, e quando a comunicação é alinhada à proposta de valor, ela se torna um ativo estratégico capaz de fortalecer a reputação e gerar reconhecimento contínuo. 5. Autoridade da MarcaA autoridade é construída quando a marca se posiciona como especialista em seu território, por meio de conteúdo relevante, presença estratégica em eventos, provas sociais e entrega consistente ao longo do tempo. Em mercados competitivos, ser percebido como referência reduz barreiras de decisão e aumenta a preferência, lembrando que a autoridade não nasce de promessas, mas da capacidade de entregar valor de forma recorrente e confiável. 6. Inovação ContínuaEstar presente não é suficiente, é preciso evoluir, e a inovação contínua demonstra que a marca acompanha mudanças, antecipa tendências e se mantém conectada às novas demandas do mercado. Pequenas melhorias, ajustes estratégicos e disposição para testar novas abordagens fortalecem a experiência do cliente, reforçando a percepção de modernidade, preparo e visão de futuro. 7. Omni ExperienceEssa jornada se completa com integração digital e presença omnichannel bem estruturadas, já que o cliente transita naturalmente entre canais, como redes sociais, e-commerces, eventos, aplicativos, e espera encontrar uma experiência coerente e fluida em todos eles. A marca que entrega continuidade e consistência em cada ponto de contato reforça seu posicionamento e amplia sua influência. A PX/BRASIL, por exemplo, atua diretamente na construção desses diferenciais por meio de estratégias integradas de branding, inbound, outbound, ABM e soluções digitais orientadas pela jornada do cliente. Para Rico Araujo, autoridade não é resultado de ações isoladas. “Quando estratégia, comunicação e experiência caminham juntas, a marca deixa de competir por atenção e passa a ocupar um espaço legítimo de referência”, conclui.
Certificação ITIL mantém relevância na era da IA e automação
Por Luciano Costa, cofundador da Setrion e da Milldesk Help Desk Software No rastro da inteligência artificial e da proliferação de ferramentas no-code, empresas estão automatizando tarefas numa velocidade inédita. Mas a pressa com que se constroem fluxos esbarra num ponto que a tecnologia, sozinha, não resolve: maturidade operacional. Quando tudo parece funcionar por conta própria, frameworks como o ITIL voltam a ser o ponto de apoio silencioso que mantém as engrenagens no eixo. Criado nos anos 1980 e evoluindo continuamente, o ITIL (Information Technology Infrastructure Library) se consolidou como o principal conjunto de boas práticas em gestão de serviços de TI. Seu objetivo central sempre foi ajudar organizações a entregar serviços de forma eficiente e alinhada às necessidades do negócio, por meio de processos bem definidos. Em plena era da nuvem, ambientes híbridos e soluções de IA, o ITIL prova flexibilidade para continuar pertinente. A versão mais recente, ITIL 4, foi lançada já em contexto de transformação digital e incorporou conceitos que a tornam adequada a ambientes dinâmicos e automatizados. Além de princípios, o ITIL define práticas (antigos “processos”) que cobrem desde o gerenciamento de incidentes e problemas até gestão de mudanças, nível de serviço e ativos. Em um ambiente com elementos automatizados, essas práticas fornecem estrutura e padronização. Por exemplo, ferramentas de monitoramento com IA podem detectar anomalias de operação, mas é a prática ITIL de gerenciamento de incidentes que define como responder rapidamente a esses alertas para evitar impacto ao cliente. Da mesma forma, catálogos de serviço e acordos de nível de serviço (SLAs) — conceitos-chave do ITIL — continuam essenciais mesmo quando parte do atendimento é feita por chatbots ou agentes de IA. O resultado dessa combinação é uma TI mais resiliente: estudos indicam que empresas que adotam práticas do ITIL reportam melhorias na qualidade dos serviços, redução de falhas operacionais e maior satisfação dos clientes. Em ambientes híbridos, o ITIL funciona como uma “cola” que integra todos os componentes sob um vocabulário comum e processos bem definidos, facilitando a coordenação e a continuidade do serviço em meio a tantas mudanças. Certificação ITIL como parâmetro de maturidade em ITSM Em meio à proliferação de novas metodologias, a certificação ITIL permanece um dos principais indicadores de maturidade na gestão de serviços de TI (ITSM). Empresas maduras tendem a investir em profissionais certificados e na aderência aos processos do framework, pois reconhecem o impacto direto disso na qualidade operacional. Ter equipes certificadas em ITIL é visto como sinal de que a empresa valoriza a padronização e a melhoria contínua. Um ponto fundamental é que o ITIL serve de base para normas internacionais de qualidade em serviços, como a ISO/IEC 20000. Ao alinhar seus processos ao ITIL, as empresas acabam naturalmente atendendo a requisitos de compliance e governança. ITL e governança Para além da teoria, os benefícios práticos de uma abordagem madura baseada no ITIL são tangíveis. Empresas com processos de gestão de serviço bem definidos conseguem resolver incidentes mais rapidamente, evitar recorrência de problemas conhecidos e manter níveis de disponibilidade elevados. Uma base de conhecimento bem estruturada permite que a solução encontrada por um técnico seja reutilizada por toda a equipe, aumentando a taxa de resolução no primeiro contato e reduzindo custos de suporte. Na gestão de mudanças, uma forte governança evita que implantações automatizadas causem interrupções inesperadas – equilibrando agilidade com controle de risco. Tudo isso reflete maturidade operacional: menos “incêndios para apagar” e mais confiança dos clientes internos e externos de que a TI cumpre o que promete. Diante de tantas mudanças tecnológicas, a certificação ITIL permanece um balizador de qualidade e confiança. Empresas e profissionais certificados sinalizam ao mercado que dominam não apenas ferramentas pontuais, mas uma visão sistêmica da gestão de serviços. Em tempos de IA ubíqua e operações cada vez mais autônomas, esse olhar sistêmico é mais necessário do que nunca. Automação sem governança pode significar caos, enquanto automação guiada por boas práticas significa evolução com segurança. Por isso, o ITIL segue sendo adotado como lastro – um contrapeso experiente que assegura que a inovação traga resultados sem descarrilar processos críticos. Em um mercado em que a única constante é a mudança, ter um norte bem definido faz toda a diferença. Assim, a certificação ITIL se mantém não como uma relíquia do passado, mas como um investimento estratégico de futuro, capacitando profissionais e organizações a navegar nas ondas da automação com segurança. Em tempos de transformação acelerada, o ITIL segue como aquele princípio do bom marinheiro – ajuste as velas, mas não perca de vista o seu lastro. É ele que garante o equilíbrio e a direção certa em meio a qualquer tempestade tecnológica.