Como a inteligência artificial impulsiona o planejamento estratégico no setor de beleza

Por Davi Iglesias, CEO da Gendo O uso da inteligência artificial (IA) na rotina de gestão tem transformado a forma como empresas de serviços planejam seu crescimento e tomam decisões. No setor de beleza e bem-estar, em que a operação depende diretamente de agenda, recorrência de clientes e produtividade da equipe, o uso estratégico de dados passou a ser um grande diferencial competitivo.  Durante muito tempo, o planejamento estratégico nesses negócios foi construído com base em percepções e na experiência prática dos gestores. Embora esse conhecimento continue sendo importante, a complexidade atual do mercado exige análises mais rápidas e precisas. Variações na demanda, mudanças no comportamento do consumidor e pressão por eficiência tornaram a leitura de dados operacionais um elemento central para decisões mais seguras.  Dados como base do planejamento  Hoje, informações geradas na rotina de atendimento como volume de agendamentos, horários de pico, serviços mais procurados, desempenho de profissionais e frequência de retorno dos clientes, oferecem um retrato detalhado do funcionamento do negócio. Quando organizados e analisados de forma estruturada, esses dados permitem identificar padrões, antecipar demandas e ajustar estratégias com maior precisão.  Dessa forma, a inteligência artificial vem ganhando espaço como ferramenta de apoio à gestão. Sistemas capazes de analisar grandes volumes de dados operacionais conseguem identificar tendências e gerar recomendações práticas, reduzindo a dependência de análises manuais e tornando o planejamento mais ágil. Em vez de decisões baseadas apenas na intuição, os gestores passam a contar com evidências concretas para definir metas, ajustar preços, reorganizar a agenda ou estruturar campanhas.  Algumas soluções recentes já aplicam esse conceito na rotina de negócios de serviços. O objetivo dessas iniciativas não é substituir a tomada de decisão humana, mas ampliar a capacidade de análise e trazer mais clareza para o planejamento.  Além de acelerar a leitura de informações, a IA contribui para transformar dados em ações práticas. Ao identificar, por exemplo, períodos de ociosidade, serviços com maior rentabilidade ou padrões de comportamento dos clientes, é possível equilibrar a operação e direcionar esforços para atividades que geram mais resultados. Isso amplia a previsibilidade do negócio e reduz falhas comuns, como agenda mal distribuída ou falta de alinhamento entre a demanda e a equipe.  Planejamento mais contínuo e menos intuitivo  A adoção de ferramentas baseadas em inteligência artificial também altera a lógica do planejamento estratégico. Em vez de um processo pontual, concentrado em revisões anuais, o planejamento passa a ser contínuo, com ajustes frequentes orientados por dados atualizados. Esse acompanhamento constante permite que negócios de serviços respondam com mais rapidez às mudanças do mercado e às variações no comportamento do consumidor.  Outro impacto relevante está na segurança das decisões. Com acesso a indicadores claros e recomendações baseadas em dados reais, os gestores conseguem avaliar com mais precisão o momento de investir, expandir a equipe ou revisar a oferta de serviços. Essa clareza reduz riscos e contribui para um crescimento mais sustentável.  A tecnologia também favorece a organização da rotina operacional. Ao automatizar análises e consolidar informações em relatórios acessíveis, a inteligência artificial libera tempo antes dedicado a tarefas manuais e permite que a liderança concentre esforços em planejamento, relacionamento com clientes e desenvolvimento do negócio.  Eficiência e competitividade no setor de serviços  É fato queo avanço da inteligência artificial na gestão de salões, clínicas e outros serviços recorrentes indica uma mudança estrutural no setor. Negócios que utilizam dados de forma estratégica conseguem operar com mais eficiência, reduzir desperdícios e construir experiências mais consistentes para os clientes. Ao mesmo tempo, tornam-se mais preparados para lidar com sazonalidades, oscilações de demanda e novos padrões de consumo.  Porém, mais do que uma tendência, a integração entre dados, inteligência artificial e planejamento estratégico representa uma evolução na forma de administrar negócios de serviços. Ao transformar informações do dia a dia em decisões mais claras e estruturadas, a tecnologia contribui para uma gestão mais profissional, previsível e orientada a resultados.  *Davi Iglesias é CEO da Gendo, plataforma de agendamento online e gestão voltada para micro, pequenas e médias empresas.  

Entre influência, cultura e performance, o que potencializou a relação das marcas com Creator Economy em 2025? E o que esperar de 2026?

Por Danilo Nunes Ao longo de 2025, as operações de marcas mais maduras evoluíram o relacionamento com criadores para além da influência, pensando o seu papel em diferentes fases da jornada de compra, assim como dentro dos times de criação.  Seja para influenciar a decisão e entrar em conversas, comunidades e territórios que a marca não consegue sozinha; como afiliados para compor uma força de vendas da marca e trazer para perto quem já é consumidor do produto; como extensão da capacidade de produção audiovisual e criativa da marca. Valorização dos squads e produções inhouse O volume de conteúdo exigido por mudanças de modelos de algoritmos, além da produção massiva com IA, potencializou a demanda por assets de mídia mais do que aumentou os orçamentos em marketing de influência. O movimento de criar seus próprios content studios pivotado por marcas como Sephora, Haus Labs e Beachwaver no ecossistema internacional em 2024, ganhou força no Brasil em 2025. Segundo o relatório de Creative Strategy Trends da Motion, mais de 60% das marcas nativas digitais pensam em internalizar parte da produção ao mesmo tempo que criam squads de criadores que já consomem o produto, conhecem a audiência, sabem co-criar com o time e aceleram os ciclos de produção – com contratos mais extensos e mais participação no fluxo estratégico. Isso se soma ao fato de cada vez mais a publi pontual estar obsoleta e ineficiente, trazendo uma necessidade maior de criar vínculo, frequência e arcos narrativos – segundo o Relatório de Tendências para 2026 da YOUPIX.  A marca não quer começar a conversa com a audiência do zero toda vez que vai trabalhar com um criador novo, assim como o criador quer contar com projetos fixos de produção com a marca, logo, esse modelo tem tudo para seguir funcionando em 2026. Descoberta de produtos em categorias emergentes através de creators especialistas  Com profissionais liberais assumindo a skin de criadores para divulgarem seus serviços, a pesquisa Power of Community Commerce da TikTok reforça que as colaborações com creators especialistas potencializaram novos nichos de consumo antes não acessados. Na prática, em muitos dos nossos clientes de categorias emergentes como suplementação e beleza (Vhita, Guday, LIQUIDZ, Sallve), estreitamos o relacionamento com médicos, nutricionistas e veterinários para co-criar não apenas materiais orgânicos, mas campanhas de performance que estendem o uso no criativo, na página de destino ao anúncio em parceria com o perfil. Isso trouxe resultados extremamente expressivos em destravar novas audiências e uma grande vantagem competitiva de relacionamento com a comunidade, em comparação às gigantes do mercado. Segundo a pesquisa de performance mundial do Shopify (2025), DTCs que usam creators integrados no funil de performance tiveram CAC até 35% menor em comparação com a mídia tradicional e a projeção para 2026 é ainda mais positiva. Em um cenário onde a pesquisa The Power of Digital Video (Google/Ipsos) mapeia que creators com expertise clara têm 3x mais tempo de atenção em vídeos e 85% das pessoas dizem preferir ouvir recomendações de alguém que “entende do assunto”, trazer essas figuras (menores ou maiores em termos de audiência) para endossar a indicação, quebrar objeções ou virar um grande canal de social listening promete ser cada vez mais eficaz frente a produção de conteúdo em massa de reviews e conversas mais genéricas. Social commerce criando oportunidades para marcas e creators O último ano consolidou o TikTok Shop, YouTube Shop e demais ferramentas que potencializam o social commerce aterrissarem no Brasil; com um trabalho de educar os anunciantes, agências e criadores para utilizarem seus recursos. Nos dois últimos anos trabalhando com essas plataformas em clientes internacionais, vimos marcas criarem grandes comunidades de afiliados e canais de receita de milhões de dólares em meses. Segundo dados da TikTok, em quatro meses de operação no Brasil, a receita média diária do e-commerce cresceu 26 vezes em 2025 ao facilitar o trackeamento de resultados de vídeos na plataforma e eliminar o ruído da jornada de compra, atrelando o alcance ao link de compra. Com a possibilidade de gerar receita em vendas utilizando do alcance e influência – seja de forma mais massiva ou em micro nichos – criadores que se tornarem afiliados poderão não apenas garantir comissão sobre vendas de produtos de terceiros, mas também ter ferramentas para gerir o processo, usando a infraestrutura da plataforma para gerenciar vendas, comissões e links de conversão com diversas marcas, facilitando o acompanhamento e possibilitando a escala. Segundo o relatório da Grand View Research, o mercado global de social commerce foi estimado em cerca de U$41,16 milhões em 2024 e projeta crescer entre 36,4% nos próximos 5 anos; em 2026 espera-se ver cada vez mais marcas adaptando seus economics para ter produtos específicos ou de entrada que possam ser vendido em massa por afiliados e depois evoluir para fidelização, visando aumento de LTV. Em terra de IA, comunidades são o novo algoritmo O último ciclo mostrou que visualizações se tornaram previsíveis. É possível estudar ganchos virais, formatos criativos escaláveis e conteúdos com maior probabilidade de viralizar. Mas o que acontece com o tempo que se passa “scrollando o feed” e consumindo informações que se tornam irrelevantes e fazem o esforço da viralização ser passageiro e insustentável? A era da atenção já começou a migrar para a era da conexão e tudo está prestes a ganhar proporções gigantescas com a IA. O relatório da Europol afirma que 22% do conteúdo online em 2024 já era gerado por IA e, segundo a previsão do Gartner Hype Cycle, em 2026 veremos até 70% dessa totalidade. Isso não significa que esse conteúdo de IA vai substituir o existente, mas sim que vai ser massificado e produzido em escala, além do que existe hoje. A fusão entre IA generativa e a lógica de engajamento dos algoritmos deu origem a um ecossistema onde plataformas são inundadas por vídeos, textos e imagens produzidos em escala, sem intenção real, além de capturar cliques, gerar monetização rápida e alimentar as engrenagens das máquinas de recomendação – apelidados de AI Slops. Em 2025, o conceito

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